13 de julho de 1985: O dia mundial em que o rock mudou o mundo

Apesar do título de Dia Mundial do Rock, o dia 13 de julho é comemorado em grande escala somente no Brasil. Durante a década de 1990, rádios paulistanas especializadas em rock and roll elegeram a data para celebrar o estilo que transcendeu o aspecto musical como nenhum outro. O público adotou a iniciativa e a data pegou, entrando para o imaginário popular.

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Mas por que 13 de julho?

Nesse dia não morreu nem nasceu ninguém. Na verdade sim, mas isso não vem ao caso.

É que em 1985, no tal do 13 de julho, rolou o Live Aid, um dos maiores eventos da história, que envolveu caridade, transmissões televisivas megalomaníacas e rock pra c*****.

Em outubro de 1984, Bob Geldof viu notícias sobre a grande fome que devastava a Etiópia na época e se comoveu. Querendo fazer sua parte, Geldof ligou para o guitarrista Midge Ure e os dois escreveram a música ‘Do They Know It’s Christmas’ para levantar fundos. O single contou com participações de Bono Vox, Sting, George Michael, Phil Collins, Paul Weller, integrantes do Duran Duran, Culture Club e Kool & the Gang e levantou aproximadamente 8 milhões de libras esterlinas.

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Após o sucesso do single, Boy George sugeriu que Geldof e Ure organizassem um show para levantar mais fundos. A dupla gostou da ideia e planejou algo “tão grande quanto humanos consigam organizar”. Inicialmente, eles queriam shows simultâneos no estádio de Wembley, em Londres, e no Madison Square Garden, em Nova Iorque e transmitir ambos os eventos mundialmente. O aluguel do Madison Square Garden não rolou, então a dupla se virou e conseguiu descolar o Kennedy Stadium, na Filadélfia.

Ao meio dia do dia 13 de julho de 1985, os shows começaram em Londres e uma hora mais tarde na Filadélfia. Como a coisa pegou e todos quiseram ajudar no evento, o casting envolveu de Madonna e Run DMC até uma reunião do Led Zeppelin, além de praticamente todo mundo entre esses extremos, o que rendeu histórias tão boas quanto as apresentações.

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Wembley recebeu 72.000 pessoas, e teve de tudo: Bono Vox salvou uma vida ao pular do palco pra dançar com uma menina que estava sendo esmagada pela multidão na primeira fila, Elvis Costello tocou uma ótima versão de ‘All You Need is Love’ e o The Who fez a primeira das suas centenas de reuniões. Porém, o grande destaque foi a apresentação do Queen. As performances de ‘Bohemian Rhapsody’ e ‘We Will Rock You’ entraram para a história, quando Freddy Mercury regeu o público, que cantou nota por nota junto com o frontman. Enquanto Paul McCartney tocava ‘Let it Be’, Geldof pediu para que George Harrison subisse ao palco para cantar com ele, Harrison disse não e completou: “Paul não me quis cantando nessa música há 10 anos, acho que ele não quer agora”. Continuando o dia, Dire Straits, Elton John e Sade se apresentaram. O show de Wembley terminou com todo mundo tocando a música ‘Do They Know It’s Christmas’, e ao fim da apresentação, Pete Townshend e Paul McCartney levantaram Geldof nos ombros, como uma celebração pelo mega evento.

Do lado de cá do atlântico, o mestre de cerimônias foi ninguém menos que Jack Nicholson. Joan Baez subiu ao palco e declarou o evento como o “Woodstock dessa geração”. Foi também no Live AiD que Madonna fez uma de suas primeiras apresentações após a polêmica causada ao aparecer na Playboy. Quer mais? Então anota essa: rolou até uma reunião da formação original do Black Sabbath. Os membros sobreviventes do Led Zeppelin também se reuniram nesse dia, com o baterista Phil Collins fazendo as vezes do falecido John Bonham. Collins havia se apresentado em Londres mais cedo e após pegar um voo também carimbou a presença no JFK Stadium. Mick Jagger fez um dueto com Tina Turner, e rasgou o vestido da moça no meio de ‘It’s Only Rock and Roll’ (Justin Timberlake e Janet Jackson mandaram lembranças), já seus companheiros de banda Ronnie Wood e Keith Richards se apresentaram ao lado de Bob Dylan, que ao quebrar uma das cordas de seu violão pegou a guitarra de Wood para continuar a música. Ronnie, por sua vez, ficou no fundo do palco brincando de air guitar. Tal qual em Londres, a noite acabou com toda a galera no palco mandando um iarnuou ‘We Are the World’.

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O evento foi um sucesso, 100.000 pessoas foram ao estádio na Filadélfia, 72.000 em Wembley e mais 1.9 bilhão de pessoas, espalhadas por 150 países, assistiram as apresentações pela TV. Esse monte de gente arrecadou mais ou menos £150 milhões, que foram devidamente doados para o governo da Etiópia.

O Live Aid entrou para a história não só por suas apresentações, mas pelas revoluções sociais que promoveu, ao fazer algo tão novo da maior maneira possível. Sua reedição de 2005, o Live 8, foi mais abrangente em termos de locais, bandas e alcance de público, porém não teve o mesmo impacto cultural que o original.

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