
Desde sempre o cinema tem uma relação íntima com a literatura. Acontece que, de vez em quando, essa relação é meio escondida, e pouca gente fica sabendo. Por isso, hoje a Strip Me revela 10 filmes excelentes que são baseados em livros, e provavelmente, você não sabia.
É bem óbvio, na real, que o cinema tenha se desenvolvido muito graças a literatura. Pensa bem, quando se descobriu que dava pra gerar imagens em sequência, com movimento e tudo, os primeiros experimentos foram feitos procurando contar histórias simples e conhecidas. Ou seja, histórias contadas em livros. A primeira adaptação literária para o cinema mais conhecida é Cinderella, curta metragem de 1899, dirigida pelo francês Georges Méliès, que utilizou como roteiro o livro Cendrillon ou La Petite Pantoufle de Verre (mais conhecido por aqui simplesmente por Cinderela), de Charles Perrault, escrito e publicado em 1697. De lá pra cá, o cinema usou e abusou das mais diversas obras literárias. De Os Miseráveis a Harry Potter. Ou seja, uma das questões mais emblemáticas da sociedade moderna certamente é: Qual é melhor, o filme ou o livro?

Claro, além de subjetiva, é uma resposta muito pessoal. Mas dá pra gente afirmar que, de maneira geral, o livro é melhor que o filme por uma única razão: A imaginação é ilimitada, já o cinema, por mais que tenha efeitos visuais modernos, tem suas limitações. Por exemplo, as imagens que você vai criando na sua mente ao ler Alice no País das Maravilhas são únicas. Além disso, o livro não tem a limitação de tempo que o o cinema impõe. Assim, pode descrever cenas e contar detalhes sobre determinada história que acabam não entrando no filme. E, no final das contas, não importa muito qual é melhor, porque são experiências diferentes, ler um livro e assistir a um filme. Por isso, a gente recomenda que você faça os dois. Leia o livro e assista ao filme. Para te incentivar, listamos aqui 10 filmes que são adaptações de obras literárias e pouca gente sabe.
Psicose (1960)


Já começamos com os dois pés no peito, com um clássico absoluto do cinema. O excelente filme Hitchcock, de 2012, com Anthony Hopkins interpretando o cineasta magistralmente, retrata bem a concepção de Psicose, incluindo o momento em que Hitchcock lê o livro de mesmo nome, escrito pelo autor Robert Bloch e publicado em 1959. Hitchcock pirou no livro e correu para comprar os direitos da obra. Em seguida fez com que a editora recolhesse todos os livros das livrarias, para que ninguém lesse o livro e soubesse o final. Funcionou. O filme fez um sucesso retumbante e se tornou um divisor de águas para o gênero suspense no cinema. E, realmente, pouca gente soube que se tratava de uma adaptação de um livro, e até hoje não é fácil encontrar alguém que o tenha lido. Mas, claro, depois do sucesso do filme, o livro foi reeditado no mundo todo.
Onde assistir: Amazon Prime – Apple TV
Onde ler: Psicose – Robert Bloch – Darkside Books (2013)
O livro é melhor que o filme? Dá pra dizer que fica pau a pau. A maestria com que Hitchcock filmou determinadas cenas, inclusive a do chuveiro, elevam demais o filme.
O Exorcista (1973)


Quando de seu lançamento, O Exorcista foi um filme muito polêmico. Já existiam filme s de terror, com cenas grotescas e tal. Mas eram filmes que tinham um público restrito. O Exorcista foi o primeiro filme de terror a ser exibido indiscriminadamente nas salas de cinema, buscando atingir um público maior. O resultado foi muita gente saindo no meio da sessão horrorizada, algumas até passando mal, vomitando… o que gerou ainda mais interesse do público pela obra. No fim, passou batido pela imprensa e pelo público que o filme fora baseado num livro de mesmo nome, escrito por William Peter Blatty e lançado em 1971.
Onde assistir: Amazon Prime – Apple TV
Onde ler: O Exorcista – William Peter Blatty – Editora Harper Collins (2019)
O livro é melhor que o filme? Definitivamente sim. O filme é maravilhoso, claro. Mas tem muita gente que leu o livro antes de assistir ao filme. E, para essas pessoas, o filme não pareceu tão assustador, porque, sem referência das imagens do longa, as imagens criadas em suas mentes durante a leitura foram bem piores. Além do mais, o livro conta com mais cenas e detalhes de toda a trama.
Tubarão (1975)


Outro clássico que praticamente reinventou o suspense com uma história simples, truques sagazes de filmagem e uma trilha sonora matadora (com o perdão do trocadilho). O curioso aqui é que o livro que inspirou o filme, também chamado Tubarão, escrito por Peter Benchley e lançado em 1974 já era sucesso de vendas antes do lançamento do filme. Mas, claramente o filme atingiu um público muito maior, além de se tornar referência para o cinema, tendo algumas de suas cenas parodiadas inímeras vezes. Além do mais, ao adaptar o livro para o roteiro do filme, Spielberg soube muito bem enxugar a história, concentrando o foco na caça ao tubarão, e cortando muito das subtramas que o livro apresenta.
Onde assistir: Amazon Prime
Onde ler: Tubarão – Peter Benchley – Darkside Books (2021)
O livro é melhor que o filme? Apesar da carga de suspense que faz com que o leitor não queira largar o livro, a escrita de Benchley se mostra cansativa em alguns momentos, e as histórias paralelas à caçada nem sempre convencem. O filme é melhor.
Rambo: Programado para Matar (1982)


Ainda que não seja um título bom, a tradução brasileira para First Blood foi o que deu pra fazer. Mas deixemos isso de lado. O filme é um dos melhores num filão que Hollywood soube (e ainda sabe) explorar muito bem: veteranos de guerra que voltam pra casa muito perturbados. De Taxi Driver a Sniper Americano, a lista de filmes nessa pegada é longa. Sem sombra de dúvida, este primeiro dos quatro filmes protagonizados por John Rambo, é o melhor. Justamente por ter sido adaptado do livro de David Morrell, lançado em 1972. O livro virou best seller na década de setenta nos Estados Unidos, mas o filme fez de Rambo um personagem único da cultura pop, e as sequências de filmes não só descaracterizaram o personagem de sua origem, como o dissociaram completamente do livro.
Onde assistir: Netflix – Amazon Prime
Onde ler: O livro saiu no Brasil em 1972 pela editora Record, mas está fora de catálogo há décadas. A editora Pipoca & Nanquim está com uma reedição da obra prevista para o começo de março deste ano.
O livro é melhor que o filme? Sim. O livro tem força narrativa e dá profundidade aos personagens. O final do livro é completamente diferente do filme, tornando a história muito mais sombria e pessimista.
Jurassic Park (1993)


Spielberg mais uma vez nessa lista, e mais uma vez com uma história onde ele traz inovações e efeitos visuais inacreditáveis para dar vida a feras gigantes. A diferença básica entre Tubarão e Jurassic Park é que no segundo, Spielberg foi muito mais fiel ao livro. E com razão. Afinal, o que faz essa história ser tão empolgante é sua proximidade com a realidade. O livro Jurassic Park foi lançado em 1990 e escrito por Michael Crichton. O autor levou dez anos para finalizar o livro, mergulhado em pesquisas reais de paleontólogos e geneticistas que estudavam os dinossauros. Spielberg foi sábio suficiente para respeitar o texto e ousado suficiente para reviver com espantosa eficiência seres extintos milhares de anos atrás.
Onde assistir: Amazon Prime
Onde ler: Jurassic Park – Michael Crichton – Editora Aleph (2022)
O livro é melhor que o filme? O páreo é duro. O livro tem uma escrita instigante, já o filme tem um visual deslumbrante. Mas no frigir dos ovos, o livro se sai melhor por dar mais profundidade aos personagens e trazer algumas cenas muito interessantes que não estão no filme.
Forrest Gump (1994)


A obra prima de Robert Zemeckis é a trilogia De Volta Para o Futuro. Mas Forrest Gump é sua obra mais artística e sensível. Tom Hanks entrega uma de suas atuações mais inspiradas e a trilha sonora do longa é uma das melhores seleções de música pop americana de todos os tempos. O roteiro de Eric Roth é brilhante por conseguir condensar e lapidar uma boa obra literária, o livro Forrest Gump, escrito por Winston Groom e lançado em 1986. No livro, o protagonista tem uma doença rara chamada Síndrome de Savant, já no filme, o personagem tem um déficit de QI e certo espectro autista, mas nada além disso, o que fez com que o público se conectasse mais com ele.
Onde assistir: Amazon Prime – Apple TV
Onde ler: Forrest Gump – Winston Groom – Editora Aleph (2016)
O livro é melhor que o filme? Não. Não que o livro seja ruim, pelo contrário, é um ótimo livro, muito bem escrito e tal. Mas o filme consegue gerar mais empatia entre o público e o protagonista, além de enxugar um pouco as aventuras de Forrest, tornando o personagem e a história mais críveis. Por exemplo, no livro, além de tudo o que fez no filme, ele também foi astronauta, lutador profissional e dublê de Hollywood, passou um tempo com canibais e teve um macaco chamado Sue.
Jackie Brown (1997)


Quentin Tarantino é reconhecido e premiado por ser um roteirista formidável. Tanto que ele ganhou notoriedade em Hollywood primeiro como roteirista, ao assinar as histórias de Amor À Queima Roupa e Assassinos por Natureza, para então estrear como diretor em Cães de Aluguel. Todos os filmes de Tarantino são roteiros originais, criados por ele, exceto Jackie Brown, que ele adaptou do livro Rum Punch, escrito por Elmore Leonard e lançado em 1992. Um livro típico policial sobre crimes e etc. Tarantino o transformou num filme excelente em que ele referencia e reverencia os filmes blaxploitation dos anos 70. Claro, Tarantino assina o roteiro de Jackie Brown fazendo alterações aqui e ali em relação à história do livro.
Onde assistir: Amazon Prime
Onde ler: Ponche de Rum – Elmore Leonard – Editora Rocco (1997)
O livro é melhor que o filme? Não. Ainda que o livro seja muito bem escrito, Tarantino deixou a trama mais envolvente e instigante, além de ter no elenco Pam Grier, Bridget Fonda, Samuel L. Jackson, Robert DeNiro e Chris Tucker.
Clube da Luta (1999)


Certos livros parecem ter sido escritos para virar filme. Não que sejam ruins como literatura, mas contam uma história tão forte em imagens e personagens densos, palpáveis, que parecem pedir para serem encarnados em película. Chuck Palahniuck escreveu o livro Clube da Luta, que foi lançado em 1996. A obra até que foi bem avaliada pelos críticos e teve uma vendagem mediana. Mas foi David Fincher quem fez o livro virar best seller e ser publicado em vários países. Em 1999 Fincher adaptou o livro para a telona e acabou realizando uma das obras mais importantes dos anos 90, e que talvez seja o melhor filme de toda sua filmografia.
Onde assistir: Disney+ – Amazon Prime
Onde ler: Clube da Luta – Chuck Palahniuk – Editora Leya (2012)
O livro é melhor que o filme? Não. O filme é melhor. Os finais são diferentes no livro e no filme, e o do filme é melhor. Além disso outras mudanças feitas em alguns detalhes da história tornaram o filme mais instigante e divertido. Por exemplo, a breve, mas ótima cena em que rola um diálogo sobre escolher pessoas famosas para lutar, e são citados nomes como Gandhi e Abraham Lincoln, não está no livro.
Shrek (2001)


A adorável e divertida animação Shrek é um conto de fada, ainda que tenha suas particularidades, e ainda que zombe de todos os clichês contidos no gênero. Exatamente por isso, o filme agradou tanto crianças e adultos. O que pouca gente sabe é que o longa foi baseado num livro infantil lançado em 1990, escrito pelo escritor e desenhista William Steig. Não dá pra dizer que o filme foi muito fiel ao livro porque a história do filme é bem mais complexa e cheia de tensões. Ainda assim, o livro tem seu valor. Na época em que foi lançado nos Estados Unidos, chegou a ganhar alguns prêmios, entre eles o de melhor livro infantil do ano.
Onde assistir: Netflix – Amazon Prime – Globoplay
Onde ler: Shrek! – William Steig – Editora Companhia das Letrinhas (2001)
O livro é melhor que o filme? Impossível definir, já que são obras muito diferentes em seu propósito. O filme é feito para entreter crianças e adultos, tem vários elementos e referências à cultura pop, já o livro é exclusivamente dedicado às crianças, tem uma linguagem mais simples e uma história mais direta, o que não é demérito nenhum, já que é muito bem escrito e ilustrado.
A Pele que Habito (2011)


Certamente uma das virtudes de um bom cineasta é saber identificar uma boa história e vislumbra-la na tela de cinema. Foi assim que Pedro Almodóvar, um cineasta essencialmente autoral (que escreve seus próprios roteiros) concebeu o ótimo e perturbador A Pele que Habito, após ler o livro Tarântula, do escritor francês Thierry Jonquet, lançado em 2011. A sinopse do livro e do filme são bem parecidas, mas Almodóvar, à sua maneira de sempre, fez questão de pesar a mão na tinta e tornar a história ainda mais perturbadora.
Onde assistir: Amazon Prime
Onde ler: Tarântula – Thierry Jonquet – Editora Record (2011)
O livro é melhor que o filme? É um páreo duro. O livro é instigante, uma leitura fluída e saborosa. Hás várias diferenças entre filme e livro na história, incluindo nomes de personagens e etc. O filme tem uma fotografia magnífica, atuações soberbas. É realmente difícil cravar qual dos dois é melhor.



Na real, não importa se o filme é melhor que o livro, mas sim consumir ambas as mídias e tirar suas próprias conclusões. E, é claro, estamos usando esse post só como desculpa pra poder chover no molhado e dizer que Ainda Estou Aqui é o Brasil no Oscar! Deixamos de ser a nação de chuteiras para ser a nação de óculos de aro grosso e cigarrinho na boca. E, tão importante quanto assistir ao filme e torcer pelo Oscar, é ler o livro do Marcelo Rubens Paiva. E para você se preparar para os próximos dias, essa mistura louca de Carnaval e premiação do Oscar, onde tudo vira festa, a Strip Me tem tudo pra te deixar no estilo com muito conforto para qualquer ocasião. É só conferir na nossa loja as coleções de camisetas de cinema e de Carnaval, além das coleções de cultura pop, brasilidades e muito mais. Além disso, no nosso site você fica por dentro de todos os lançamentos, que pintam toda semana.
Vai fundo!
Para ouvir: De todos os filmes aqui citados, Forrest Gump é o que tem a trilha sonora mais saborosa. Portanto, hoje a playlist é dedicada a ele. Forrest Gump top 10 tracks.


