Pulp F*ckin’ Fiction!

Pulp F*ckin’ Fiction!

Logo de cara as pessoas não entenderam o Nirvana. O Nevermind foi lançado em setembro de 1991 e foi subindo aos poucos a lista de discos mais vendidos. Vendas estas impulsionadas pelo clipe de Smells Like Teen Spirit e tal. O disco foi um sucesso, Come As You Are nas rádios… Mas as pessoas realmente ainda não entendiam a banda. A compreensão mesmo da importância do Nirvana para a música e como o Nevermind foi um divisor de águas só veio alguns anos depois da morte do Kurt Cobain. Foi quando as pessoas puderam olhar com certa distância e ver toda a cena grunge, as bandas que vieram depois como o Silverchair e outras. A mesma coisa aconteceu com outro marco fundamental dos anos 90: o filme Pulp Fiction.

Hoje em dia Pulp Fiction é facilmente considerado um dos filmes mais importantes da história do cinema. É inovador, apesar de ser um retrato super fiel de seu tempo. Muita gente já conhece a história de Quentin Tarantino para chegar em Pulp Fiction. Mas vale a pena dar uma geral aqui. Tarantino tinha escrito os roteiros de Amor à Queima Roupa e Assassinos por Natureza, que foram vendidos e ganharam as salas de cinema pelas mãos de Tony Scott e Oliver Stone respectivamente. Com a grana desses filmes, ele pôde viabilizar Cães de Aluguel. O roteiro caiu nas graças de Harvey Keitel, ator já muito respeitado em Hollywood, que topou atuar no projeto e atraiu outros atores e a confiança dos estúdios. O filme é lançado em 1992 com ótima aceitação da crítica, mas sem grande sucesso de público. Neste ponto Tarantino consolida seu nome na indústria e parte para um projeto um pouco mais ousado.

A trajetória do Nirvana e do Quentin Tarantino são bem semelhantes nesta transição do início da carreira para uma explosão de popularidade. Ambos tiveram estreias promissoras, bem faladas, mas sem popularidade, o disco Bleach e o filme Cães de Aluguel. Trabalhos que deram estofo para que eles pudessem dar passos mais livres para criar sua grande obra. É até difícil dizer o que faz de Pulp Fiction um filme tão espetacular. Mas com certeza o roteiro é parte fundamental.

Ainda que o jovem Roger Avary seja creditado como co-autor do roteiro de Pulp Fiction, é evidente que Tarantino é quem comandava o show. Tarantino tem o talento de escrever diálogos simples, fluídos, interessantes e que, em poucos minutos, entregam uma profundidade inacreditável dos personagens. No brilhante diálogo entre Jules e Vincent no carro, na primeira cena após os créditos de abertura, você já entende que são dois caras que trabalham juntos, tem um grau de amizade, são bandidos, curtem drogas… é muita informação num diálogo simples sobre fast food na Europa. E este é só o começo. O roteiro todo é recheado desses diálogos. Além de tratar de histórias distintas, mas que se cruzam em algum momento, foi também o trabalho de edição e montagem que fez toda a diferença.

Em 1992 Cameron Crowe lançou o filme Singles, todo baseado na cena musical de Seattle e que conta três histórias distintas que se cruzam em alguns momentos. O filme é bem divertido e tal, mas não é memorável. Quando Crowe viu Pulp Fiction em 1994, chegou a declarar que finalmente tinha entendido como montar e editar um filme com histórias paralelas, admitindo que seu flme era bem simplório neste aspecto. Cameron Crowe não deveria ser tão exigente consigo mesmo, porque aquela montagem e edição de Pulp Fiction nunca havia sido feita antes na história do cinema. Nunca ninguém subverteu e misturou a cronologia de uma trama daquele jeito. E funciona lindamente. Aliás, é um dos charmes do filme, essa cronologia zoneada, que impressiona muito quando se assiste pela primeira vez, mas não se torna cansativa quando se assiste de novo, e de novo, e de novo…

Além do mais, neste filme Tarantino nos entrega duas coisas impensáveis naquela primeira metade dos anos 90: John Travolta sendo levado a sério como ator e o ressurgimento da surf music. O elenco de Pulp Fiction é incrível porque Tarantino apostou alto. Trouxe um John Travolta desacreditado, vindo de comédias pequenas e meio rechonchudo, apostou em nomes muito pouco conhecidos como Uma Thurman e Samuel L. Jackson e se ancorou em dois grandes nomes com ótimos papéis, mas sem grande protagonismo, Harvey Keitel e Bruce Willis. Talvez o fato de que não exista um grande protagonista faz com que todas as atuações sejam irrepreensíveis. Já a trilha sonora, com o perdão do clichê, é um personagem a mais no filme. É uma trilha sonora tão fantástica e com uma conexão tão forte com as cenas, que não dá pra dissociar uma coisa da outra, ou dizer, “Ah, naquela cena, podia ter tocado tal música ao invés dessa.”. Assim como não dá pra imaginar outro ator interpretando o Jules, não dá pra imaginar outra música que não seja Girl, You’ll Be a Woman Soon na cena pré overdose da Mia.

Mas o fato é que Pulp Fiction não foi um sucesso arrasador de bilheteria quando foi lançado nos cinemas. Mas virou ítem cada vez mais concorrido nas vídeo locadoras com o passar dos anos (vídeo locadora era como se a Netflix tivesse uma loja física e você fosse lá pegar um filme emprestado, em VHS ou DVD e tivesse que devolver depois). Anos depois de seu lançamento, Pulp Fiction passou a ser visto como um divisor de águas. Antes dele, a violência não era tão explícita e os diálogos não eram tão casuais. De repente, ficou mais comum ver um filme como Clube da Luta e diálogos como “Com que celebridade morta você lutaria?” “Gandhi.” “Boa resposta.”. E se tornou mais raro ver personagens como Stallone Cobra dizendo “Você é a doença e eu sou a cura.” antes de disparar um tiro de escopeta.

Pra finalizar, podemos fechar o paralelo entre Quentin Tarantino e Nirvana. Para ambos, sua segunda obra foi a mais marcante e tida como sua obra máxima. Depois de Pulp Fiction, Tarantino tirou um pouco o pé do acelerador e pegou um roteiro pronto para somente dirigir, uma coisa menos autoral e mais leve. Veio Jackie Brown. Depois do Nevermind, o Nirvana também fez o mesmo e lançou Incesticide, um disco com sobras de estúdio, demos e covers. Em seguida, a banda ressurgiu com um disco forte para reafirmar sua posição de grande banda de rock. Foi lançado In Utero, que até poderia ter sido um disco duplo, pelo que dizem. Tarantino também resolveu reafirmar seu posto de diretor autoral cheio de referências com a saga Kill Bill. Depois do In Utero, o Nirvana acabou. Mesmo sem a morte de Cobain, a separação era inevitável. Era preciso se renovar. Assim como Tarantino. Depois de Kill Bill, Tarantino passou a vislumbrar novos ares e passou a produzir filmes considerados de época, numa clara guinada de renovação e renascimento de sua carreira.

Mas ainda é Pulp Fiction a obra mais importante de Tarantino. Um filme que representa uma renovação artística, uma ode a boa música, uma quebra de padrões estéticos e muita diversão! Certamente um dos filmes favoritos na Strip Me, uma fonte de inspiração e um ícone inconfundível da cultura pop.

Vai fundo!

Para ouvir: Claro, aquela seleção das melhores da trilha sonora do Pulp Fiction! Top 10 Tracks Pulp Fiction.

Para assistir: Imperdível o curta divertidíssimo Tarantino’s Mind. Curtametragem de 2006 dirigido por Bernardo Dutra e Manitou Felipe, com Selton Mello e Seu Jorge no melhor papel de suas vidas trocando ideia num bar sobre os filmes do Tarantino. Disponível completinho e free no Youtube.

O que esperar de 2022

O que esperar de 2022

Sim! Estamos oficialmente em 2022. Já passamos pelos festejos de despedida de 2021 e de saudação ao ano novo. Nos primeiros dias úteis do ano começamos a olhar para frente e imaginar o que vem por aí. Claro, nossa maior preocupação é com a saúde. Passamos pelos momentos mais sombrios e dolorosos da pandemia, vivenciamos a chegada das vacinas e o alívio de observar a queda vertiginosa de número de óbitos e internações. Mas também estamos diante de novas variantes do vírus e sabemos que, ainda que possamos flexibilizar um pouco as regras, a proteção, o cuidado e a vacinação ainda são essenciais. Tendo isso em mente, podemos respirar fundo se preparar para um ano que, com certeza será muito movimentado, cheio de momentos históricos importantes, eventos grandiosos e muita arte. 

Para começar, 2022 é um ano muito importante para a história do Brasil. No dia 7 de setembro vamos celebrar o bicentenário da Independência, um momento muito importante de reflexão política e social do país, ainda mais num ano de eleições presidenciais. Outro momento importantíssimo para a nossa história política e social foi a Revolta dos 18 do Forte, que foi o pontapé inicial no movimento tenentista e a luta pelo fim da República Velha. A Revolta dos 18 do Forte completa 100 anos no dia 5 de julho. Mas não só de eventos políticos se vive! Ainda mais pra nós, que gostamos de uma vida encharcada de diversão e arte! Neste ano vamos celebrar os 100 anos da Semana de Arte Moderna de São Paulo, A famosa Semana de Arte Moderna de 1922. Um momento mágico das artes no Brasil, quando os artistas conseguem condensar o naturalismo e as origens culturais brasileiras com o que havia de mais vanguarda na Europa. Uma verdadeira revolução nas artes plásticas, na literatura e na música. A Semana de Arte Moderna de 1922 aconteceu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922. E você pode ter certeza que a Strip Me não vai deixar esse momento tão importante da nossa arte passar batido. Vem coisa boa por aí! 

Este ano também será marcado por grandes eventos. Claro, contando com todos os protocolos de segurança, proteção e etc. Mas enfim, estão confirmados para este ano vários eventos esportivos e culturais. Entre eles o mais significativo certamente é a Copa do Mundo de futebol, que acontece no Qatar. Será uma Copa do Mundo bem diferente, a começar pela época do ano em que vai acontecer. Estamos acostumados a acompanhar a Copa em julho, no meio do ano. Pois desta vez o torneio vai rolar entre os dias 21 de novembro e 18 e dezembro. Isso porque o Qatar está localizado numa região do hemisfério norte em que o calor no verão, julho e agosto, no caso, é tão forte que torna impossível a prática de qualquer competição esportiva. Então teremos que aguardar até o fim do ano para acompanhar, não só os jogos, mas também a nossa gloriosa fábrica de memes e os comentaristas de Twitter que tão bem nos entretêm. 

Além da Copa do Mundo, também tem muito festival de música confirmado com grandes atrações. Começando pelo Coala Festival, já tradicional festival de música brasileira que rola em São Paulo. Agendado para os dias 17 e 18 de setembro, vai rolar no primeiro dia Alceu Valença e Gal Costa, com participação do Tim Bernardes, vocalista e principal compositor da banda O Terno. No dia seguinte as atrações principais serão a rainha da MPB Maria Bethânia, o excelente rapper Black Alien, que já fez parte do Planet Hemp, e também a cantora mineira Marina Sena. Mais voltado pro rock, e também já tradicionalíssimo, é o João Rock, que rola em Ribeirão Preto (SP). Famoso por reunir um número imenso de grandes personalidades em cada edição, este ano vai contar com Titãs, CPM 22, Humberto Gessinger, Planet Hemp, Emicida, Pitty, Gabriel o Pensador, Barão Vermelho, Erasmo Carlos e outros no dia 11 e junho. Antes, logo ali, em março, mais especificamente nos dias 25, 26 e 27, rola também o icônico Lollapalooza Brasil em São Paulo. É um dos maiores festivais do mundo e este ano traz gente como The Strokes, Doja Cat, Machine Gun Kelly, Miley Cyrus, Asap Rocky, Alok, Foo Fighters, Black Pumas, Emicida, Fresno, Detonautas e muitos outros. Claro que também precisamos falar do colossal Rock In Rio, uma verdadeira instituição da música no Brasil. O festival acontece do dia 2 ao dia 11 de setembro e traz Post Malone, Demi Lovato, Justin Bieber, Alok, Coldplay, Iron Maiden, Megadeth, Sepultura, Joss Stone, Avril Lavigne, Green Day e muito mais. Haja vacina, álcool gel e máscara pra tanta coisa! 

Ainda sobre eventos, vale ficar de olho nas programações do MASP e do MIS em São Paulo neste ano. O MASP vai trazer pelo menos três exposições de grandes metres da pintura contemporânea do Brasil: Alfredo Volpi, Abdias Nascimento e Luiz Zerbini. Já o MIS está com uma exposição interativa sobre a Rita Lee, que vai até o dia 20 de fevereiro e que está sendo muito elogiada. Além disso, o museu tem programada para este ano uma exposição do mestre Portinari. 

Ainda vivendo uma indefinição imensa entre a sala de cinema e o streaming, a indústria do cinema segue produzindo e promete grandes lançamentos para 2022. Não dá pra negar que dá um certo desânimo ao bater os olhos na lista de lançamentos do ano. Fica cada vez mais evidente que o cinema vem sofrendo uma crise criativa profunda. Praticamente todos os filmes anunciados não são roteiros originais, são filmes baseados em quadrinhos, remakes e continuações de filmes antigos. Filmes autorais, originais, infelizmente estão em falta. Vem aí Pânico 5, Missão Impossível 7, Jurassic World 3, Legalmente Loira 3, e até mesmo Top Gun: Maverick, uma inusitada continuação do clássico oitentista Top Gun: Ases Indomáveis. Além disso, tem os filmes de heróis dos quadrinhos, Batman, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, Thor: Love and Thunder e Pantera Negra: Wakanda para Sempre. Convenhamos que, apesar da falta de títulos originais, diversão não vai faltar nas telonas e nos streamings. 

No mundo da música, foi-se o tempo em que os fãs esperavam ansiosamente o lançamento de um novo disco. Hoje em dia, muita gente nem lança mais disco, preferindo lançar digitalmente nas plataformas de áudio e no Youtube uma ou duas músicas como single. Mas enfim, mesmo assim, ainda tem gente que curte, ainda que nos moldes digitais, produzir um álbum completo. E tem vários lançamentos esperados para 2022. Já estão garantidos lançamentos inéditos de Arctic Monkeys, Avenged Sevenfold, Tears for Fears, The Weeknd, Eddie Vedder, Jack White e Liam Gallagher. No Brasil os mais aguardados são os novos lançamentos de Anitta, Pitty, Planet Hemp e Otto. Sem música boa e fresquinha, esse ano a gente não fica! 

Enfim. Já deu pra sacar que 2022 é um ano que vem chegando com tudo! História, política, sociedade, saúde, esporte, música, cinema, artes plásticas… tem de tudo, bicho! Um ano pra gente pensar muito, agir ainda mais e também curtir muito, aproveitar a vida e se divertir! Tudo com muita responsabilidade, é claro! Que 2022 venha com muita saúde, barulho, diversão e arte

Vai fundo! 

Para ouvir: Uma playlist empolgante com músicas alto astral pra começar bem o ano! Top 10 tracks Up 2022

SIGNIFICADO & HARMONIA: O Guia Strip Me para Presentear

SIGNIFICADO & HARMONIA: O Guia Strip Me para Presentear

Chegou o fim de ano! Aquele tempo delicioso de dar e receber presentes! Mas você já deve ter percebido que presentear uma pessoa querida não é assim tão simples. Muitas vezes você conhece os gostos e interesses da pessoa, mas não sabe bem o que ela tem, o que não tem e tal. Por isso, nós, aqui da Strip Me, resolvemos te ajudar a presentear até mesmo aquela pessoa que você tirou no amigo secreto da empresa, mas não tem tanta intimidade. Se liga.

— Roots —

Aqui temos dois exemplos do que realmente sedimentou a estrada para o que conhecemos hoje como cultura pop. Os escritores como Jack Kerouac , Allen Ginsberg e William Burroughs, que encabeçam a famosa geração Beatnik influenciaram todo mundo, de Francis Ford Coppola a Bob Dylan, passando por Jim Morrison e Andy Warhol. Junto com os escritores beat, também florescia o jazz como uma música moderna e excitante que revitalizaria o blues e ajudaria a criar ícones da música e do cinema como Frank Sinatra e Tony Bennett. E foram instrumentistas como Dizzy Gillespie e Miles Davis, além de muitos outros gênios, que fizeram essa mágica acontecer.

Essas estampas harmonizam com: Pessoas introspectivas, de humor cítrico, que tomam café sem açúcar, vestem calça jeans e alpargatas sem meia. São fiéis aos discos de vinil e aguentam assistir …E O Vento Levou inteiro sem dormir.

— Cinéfilos —

O cinema faz parte da nossa vida, né? Mas para algumas pessoas o cinema é mais que um passatempo, é uma forma de expressão, uma maneira de se inspirar para fazer de sua própria vida algo extraordinário. Filmes como De Volta Para o Futuro são encantadores e realmente conseguem nos transportar a uma outra realidade para mostrar que é importante ser fiel a si mesmo e acreditar no que faz. Por outro lado, filmes como como Taxi Driver nos trazem a realidade na cara de uma maneira contundente e hipnotizante. E, olha, tem muitas outras camisetas que captam essa essência dos filmes mais legais do mundo. Tarantino, Zemeckis, Kubrick, Spielberg, Tim Burton… tá todo mundo lá na Strip Me!

Essas estampas harmonizam com: Pessoas auto centradas, com alto teor de senso crítico e pitadas de implicância. Tomam água com gás e não gostam de salada. Dizem que Cães de Aluguel é melhor que Pulp Fiction.

— Músicos —

A música é outra coisa que exerce grande influência sobre nós. Mas tem uma diferença entre quem ouve música só pra curtir e quem não consegue fazer nada sem escolher aquele disco determinado pra ouvir. Ainda mais se essa pessoa toca algum instrumento, faz parte de uma banda… aí é o pacote completo! Ainda bem que a Strip Me também tem fascinação por música boa e exalta o revolucionário Daft Punk, o seminal Sex Pistols, sem falar dos mestres Beatles, Rolling Stones, Dylan e outros divisores de águas como Sonic Youth, Nirvana, Amy Winehouse… tem pra todos os gostos!

Essas estampas harmonizam com: Pessoas levemente indisciplinadas, de humor caótico e forte aroma herbáceo. Tomam cerveja de qualquer marca, usam tênis All Star surrado e vivem olhando pro chão procurando uma palheta que estava no bolso da calça.

— Intelectual —

Se é a arte que imita a vida ou a vida que imita a arte, nós jamais teremos certeza. Mas ainda bem que temos no mundo pessoas que se dedicam a tentar entender a relação entre a vida e a arte e são tão apaixonadas por este mundo tão bonito e complicado ao mesmo tempo. Mas realmente não tem como não se encantar com uma obra como O Beijo, do Klimt, ou a impressionante A Dança, do Matisse. Do surrealismo de Dali ao classicismo do Da Vinci, passando pela Pop Art do Warhol, não faltam opções para ver a arte através de diversas perspectivas na loja da Strip Me.

Essas estampas harmonizam com: Pessoas misteriosas, de humor sóbrio e coloração intensa. Tomam vinho tinto e, eventualmente, fumam cigarros de sabor canela ou menta. Usam boinas ou chapéu de aba curta e acham Star Wars um filme sem graça.

— Zen —

Mas a gente não vive só de arte, música e filmes, né? É tão bom separar um tempinho pra você mesmo, acender aquele incenso, fazer uma meditação, limpar a mente. E manter o corpo e a mente saudáveis passa necessariamente pela harmonia dentro de casa, coisa que fica muito mais fácil quando se tem muitas plantinhas ao redor. Cultivar plantas em casa e levar uma vida centrada naquele velho conceitinho hippie paz e amor é tão bom que a Strip Me tem coleções especialmente dedicadas a essas atitudes!

Essas estampas harmonizam com: Pessoas desencanadas, de humor leve, com porções generosas de tranquilidade e retrogosto de cultura oriental. Tomam chá, são vegetarianos e preferem aplaudir o pôr-do-sol a discursos políticos.

— Generalista —

Você pode não acreditar, mas ser um generalista é algo muito bom. Porque permite que você possa ter vários interesses, hobbys e gostos distintos, sem a profundidade e o compromisso de um aficionado. Este desprendimento permite encarar tudo com bom humor, apreciar a fina arte dos memes e conversar livremente sobre qualquer coisa com quem quer que seja. Libertador, né? É assim que a Strip Me encara a cultura pop! Misturar a arte erudita com meme, música com cartum, vira-lata caramelo com Gremlin, tudo com muita liberdade e bom humor!

Essas estampas harmonizam com: Pessoas extrovertidas, muito bem humoradas e cheias de histórias condimentadas pra contar. Bebem o que a maioria do pessoal na mesa estiver bebendo, vestem bermuda e estão em dúvida se tatuam um índio Cherokee ou um tribal Maori no braço esquerdo.

— Retrô —

Sejamos francos. Às vezes tanta tecnologia cansa a gente. Principalmente pra quem já passou dos trinta e poucos, vira e mexe bate aquela saudade de quando não existia celular e a gente podia sair e fazer merda sem ser fotografado, ou então dar aquele perdido naquele cara chato que acha é seu amigão. E, olha, tem uma turma que, ainda hoje em dia, cultiva essa pegada retrô e curte ouvir vinil, decorar a casa com máquina de escrever, fitas VHS e outras coisas das antigas. E é claro que a Strip Me sabe que isso é uma maneira de expressão super charmosa e muito válida, por isso também tem uma coleção especial só nessa pegada de nostalgia.

Essas estampas harmonizam com: Pessoas descoladas, de humor sarcástico e personalidade agridoce com notas suaves de naftalina. Calçam sandália de couro igual o avô, fumam cigarro de palha, bebem Coca-Cola com Fernet e tem pavor dos remakes que o Tim Burton andou fazendo.

— Mais que amigos, Friends —

A real é que as pessoas são todas diferentes e tem personalidades únicas, né? A gente faz essas generalizações que são divertidas e tal, mas too mundo acumula pelo menos uns três desses perfis citados aqui. É isso que faz com que as pessoas sejam tão interessantes e interajam, se relacionem e criem laços tão fortes, sejam na família ou entre amigos, como um grande e divertido episódio de Friends. A gente tem certeza que você conhece muito bem quem você quer presentear, e estamos aqui pra te mostrar que seja qual for a personalidade dessa pessoa, você vai achar na loja da Strip Me o presente ideal. Tem opção até para crianças, na linha infantil! E mais. Ficou na dúvida, tem a opção de presentear com um excelente Vale-Presente! Ainda ficou na dúvida, fala direto com a gente pelo Whatsapp. Marca aí: (14) 99834 0169. Agora é só presentear e correr pro abraço!

Back To The Beatles

Back To The Beatles

De uns tempos pra cá inventaram um verbo interessante: Humanizar. Tal verbo é muito usado para descrever coisas que podem ser feitas de maneira mais artesanal, espontânea. Muitas vezes é usado de maneira exagerada, quase sem sentido. Fala-se por exemplo em humanizar partos. Praticamente um pleonasmo, humanizar o parto, subir pra cima… afinal o que pode ser mais humano do que o nascimento de um bebê? Enfim… Mas há de se admitir que é um verbo que pode ser bem utilizado, em especial quando uma personalidade torna-se tão grande no imaginário de outras pessoas, que passa a ser visto mais como uma entidade e menos como um ser humano, uma pessoa comum. 

No quesito entidade, dificilmente vamos encontrar um caso tão emblemático na história do mundo moderno como os Beatles. O grupo de Liverpool coleciona superlativos. A maior banda de rock, os maiores compositores da música pop, os melhores músicos, os discos mais perfeitos já lançados… a lista vai longe. Se eles são assim tão insuperáveis, pode até ser objeto de estudo e questionamento. Mas é inegável que os quatro Beatles foram responsáveis por uma verdadeira revolução cultural, lançaram muito material de altíssima qualidade musical e souberam vender muito bem seu peixe. Tanto é que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr dispensam apresentações. São conhecidos até hoje, mesmo pelos mais jovens. Ainda mais agora. Afinal, foi lançado semana passada na plataforma de streaming Disney + o documentário Get Back, filme que retrata uma das últimas sessões de gravação dos Beatles juntos antes da separação definitiva da banda. 

A história toda é muito curiosa. Começou alguns anos atrás quando a Apple Corps. (empresa britânica criada pelos próprios Beatles. Não confundir com a empresa norte americana de Steve Jobs) estava pensando em fazer alguma atração que “reunisse os Beatles” usando hologramas. Ficaram sabendo que a empresa de Peter Jackson era a melhor nesse tipo de tecnologia e o convidou para uma reunião em Londres. Trataram do assunto e, no fim da reunião, Peter Jackson, que é fã dos Beatles, daqueles ardorosos, perguntou o que tinha sido feito de todos os rolos de filmes gravados ao longo do famoso Projeto Get Back que nunca saíra do papel.  Os executivos da Apple o levaram até uma sala e mostraram prateleiras e prateleiras de caixas com rolos de fita de vídeo e áudio daquelas sessões registradas no começo de 1969. Dias depois, o diretor de Senhor dos Anéis recebe um telefonema de um dos diretores da Apple dizendo “Olha, se você tiver interesse, pode dar uma olhada naquelas fitas e fazer um documentário.”. Era um sonho que se tornaria realidade para Peter Jackson e todos os fãs dos Beatles no mundo. 

O Projeto Get Back era uma empreitada multimídia em que os Beatles resolveram se meter sem planejamento nenhum. A ideia inicial era filmar os Beatles trabalhando em novas composições, que seriam apresentadas num show. Tudo isso filmado, se tornaria um especial de televisão, provavelmente um filme e também um novo disco. Mas tudo era bem abstrato. Não se sabia quais músicas seriam apresentadas, como seria o tal show, se seriam só músicas inéditas ou canções antigas da banda e de outros artistas, qual a duração do programa e TV, se realmente isso iria para as salas de cinema ou não… O fato é que no dia 2 de janeiro de 1969 a banda se reuniu com uma equipe de gravação nos estúdios Twickenham, em Londres para começar a trabalhar. Foi estabelecido um cronograma ali e a banda teria 3 semanas para compor e ensaiar, e na sequência fazer o tal show, que ainda não tinha local, data, horário, repertório… 

Parece meio caótico, e realmente era. Desde 1967, quando o empresário da banda, Brian Epstein, morreu, os quatro músicos passaram a bater cabeça para se organizar, colocar projetos em prática e manter a carreira da banda nos trilhos. Além do mais, os rapazes tornavam-se adultos, cada um com sua própria vida, relacionamentos amorosos e etc. Perdeu-se um pouco da coletividade.  Em certo momento no documentário George Martin comenta numa conversa sobre as dificuldades de George Harrison em impor suas canções que Paul e John não compunham mais juntos, mas ainda eram uma equipe. O álbum branco, de 1968, já demonstra bem as individualidades florescendo, não que isso seja cem por cento algo negativo. O que ficaria sendo conhecido no futuro, mas nunca visto até então, como Projeto Get Back capturou 60 horas de vídeo e mais de 120 horas de áudio da banda criando. Mas a banda já estava se esfarelando naquela época. John Lennon já tinha gravado seu primeiro disco solo, o experimental Two Virgins. Harrison também já falava muito sobre gravar suas canções por conta própria. E por fim, a banda ainda sofreria um racha irrecuperável em fevereiro daquele ano com a chegada de Allen Klein, notório empresário do meio musical e um canalha irremediável. Porém, um canalha carismático e convincente. Ele encantou John Lennon prometendo mundos e fundos e tecendo elogios exagerados à obra de Yoko Ono (o cara sabia onde estava pisando). Paul McCartney se recusou a ser empresariado por Klein. Foi a gota d’água que fez a banda romper definitivamente. Depois de muita discussão, em março de 1970 a banda anunciou o fim de suas atividades. Nesse meio tempo, o diretor Michael Lindsay Hogg, responsável pelas filmagens do Projeto Get Back, teve o aval para editar e lançar um filme nos cinemas para alavancar as vendas do disco Let It Be, com músicas escritas e gravadas naquelas mesmas sessões do Projeto Get Back, que foram entregues ao famoso produtor Phil Spector, que finalizou as faixas. Tudo isso lançado de maneira póstuma, já que a banda já estava oficialmente separada. Assim, em maio de 1970 foram lançados o disco e o filme Let it Be.

O filme que acaba de sair, dirigido por Peter Jackson, fez mais do que recuperar horas e horas de vídeos dos Beatles em estúdio. Ele trouxe outra face de uma mesma realidade. O filme Let It Be, de Lindsay Hogg, lançado em 1970, é pesado, dá ênfase a uma banda em conflito, até mesmo as imagens, boa parte filmadas em Twickenham, são escuras. Não é para menos. Ao lançamento do filme a banda tinha acabado de se separar e era aquilo que se esperava ver na tela. Porque tudo estava acabado, the dream is over. E Lindsay Hogg cumpriu seu papel entregando exatamente isso. E essa foi a imagem que ficou na cabeça não só dos fãs, mas dos próprios integrantes da banda, sobre aquela época.  Até por isso mesmo, eles sempre evitaram falar sobre o Projeto Get Back. Muitos acreditavam que ele nunca veria a luz do dia. Porém, assim, como a fala de John Lennon sobre ser mais popular que Jesus Cristo, em 1965, gerou uma confusão danada por ter sido colocada fora de contexto, as discussões que aparecem no filme Let It Be também são editadas e, muitas vezes, colocadas fora de contexto. 

As quase 8 horas de filme, divididas em 3 capítulos, são incrivelmente leves! Mostram um grupo de amigos se divertindo enquanto trabalham. Peter Jackson foi brilhante na montagem e edição, colocando tudo em ordem cronológica, e prende a atenção do telespectador não só pela evidente força das canções que vão sendo construídas, mas também pela confusão e pela dúvida de onde tudo aquilo vai dar, já que os ensaios são recorrentemente interrompidos por diretores e produtores querendo saber sobre o show, onde vai ser, como vai acontecer… e os quatro músicos sem saber, pois sequer tem um repertório para apresentar. Vamos ficar espertos, porque é bem capaz que saia alguma indicação ao Oscar para a edição ou montagem ano que vem. 

Outro trunfo de Get Back é mostrar essas canções incríveis sendo criadas do nada. A própria canção Get Back surge diante das câmeras enquanto Paul conversa e faz um ritmo no baixo, tocando em lá maior. Chega a ser emocionante esses momentos. Naquelas sessões, além de as músicas presentes no disco Let It Be, várias outras canções são esboçadas, que entrariam no disco Abbey Road e nos discos solo de cada um deles como Another Day, de Paul McCartney, Gimme Some Truth e Jealous Guy de John Lennon e All Things Must Pass de George Harrison. Mas o que emociona de verdade e dá uma genuína alegria de ver, é a amizade existente entre os quatro. Sobram piadas, brincadeiras, sorrisos e sinais claros de brodagem ao longo das sessões. O que vai totalmente contra a visão amarga do filme de Linsay Hogg de 1970. Ainda bem. 

Pra finalizar, importante dizer que o tal show do fim das sessões de gravação é o icônico show em cima do prédio da Apple Corps durante o dia, no centro de Londres. Que os Beatles contaram com a participação inestimável e enriquecedora do tecladista Billy Preston. Que a Yoko Ono definitivamente não teve nada a ver com o fim da banda. Que além de absurdamente talentosos, ficou evidente que os Beatles eram realmente trabalhadores, pois em 1968 lançaram um disco duplo de músicas inéditas, em dezembro participaram da divulgação da animação Yellow Submarine, no dia 2 de janeiro, provavelmente ainda de ressaca da festa de ano novo, foram trabalhar, ficando o mês de janeiro todo naquelas gravações, e em fevereiro foram para os estúdios da EMI gravar o Abbey Road. Além de tudo os caras eram umas máquinas de compor boas canções, porque realmente, era um ritmo inacreditável de gravações. 

Voltando ao início do texto, provavelmente o maior êxito de Get Back é conseguir humanizar os Beatles. Peter Jackson nos coloca como um dos membros da equipe de filmagem e nos permite observar com uma clareza nunca antes vista como aqueles jovens trabalhavam, sobre o que eles conversavam, as ideias que tinham, o humor ácido e nonsense, as dúvidas, as inseguranças… e acima de tudo a amizade. Como eles, cada um a seu modo, apoiavam um ao outro. Emociona demais ver o abraço entre Paul, John e Ringo após uma jam session raivosa no episódio da saída de George.  A forma como John aconselha George para encontrar as palavras certas na letra de Something, George e Ringo criando Octopus’ Garden e, principalmente, a alegria dos 4 tocando juntos em cima daquele prédio. 

A obra dos Beatles como um todo e este filme do Peter Jackson só reforçam a relevância do grupo no mundo. Sua influência na música, no comportamento e na cultura pop é inegável. Não importa se eles são ou não são os melhores, os maiores ou os mais geniais. Importa que eles são simplesmente incríveis. Por isso mesmo, são inspiração e influência para a Strip Me criar camisetas de música, arte, cinema, cultura pop e muito mais com uma pegada contemporânea, inteligente, responsável e divertida! Afinal, é isso que a gente gosta: barulho, diversão e arte! Vem conferir na nossa loja os lançamentos mais recentes! 

Vai fundo! 

Para ouvir: Claro, uma playlist do que de melhor foi criado ao longo das sessões do Projeto Get Back. Top 10 tracks Back To The Beatles. Ah, e independente desta playlist, vale a pena ouvir o relançamento deste ano do disco Let It Be, recheado de faixas bônus no Spotify. 

Para assistir: Não tem como te recomendar outra coisa senão assistir ao Get Back na Disney +. 

Para ler: Altamente recomendável a leitura do ótimo livro A Batalha pela Alma dos Beatles, lançado em 2012 pela editora Nossa Cultura e escrito pelo jornalista inglês Peter Doggett. O livro fala justamente sobre o rompimento da banda e as batalhas judiciais e sentimentais pelo espólio da que seria considerada a maior banda de todos os tempos. Leitura deliciosa. 

I’m Always Goin’ Back To The Future

I’m Always Goin’ Back To The Future

Este é mais um texto que me parece inevitável escrever em primeira pessoa. Eu, Paulo, 38 anos, posso dizer que uma das partes mais fundamentais da minha personalidade nasceu quando eu assisti pela primeira vez o filme De Volta Para o Futuro. Não sei dizer ao certo que idade eu tinha. Eu já gostava muito de ver filmes durante a tarde na TV, gostava de gibis da Turma da Mônica, ouvia muito rádio e música de maneira geral… enfim, eu já tinha uma pré disposição para me afundar no mundo do entretenimento. Mas foi De Volta Para o Futuro que me fez querer assistir mais e mais filmes, talvez buscando histórias tão incríveis quanto aquela, ou simplesmente foi uma obra que mexeu tanto comigo que fez com que a ficha caísse, que eu realmente amava assistir filmes. E, olha, eu posso dizer que já conversei com algumas pessoas que tiveram experiências muito parecidas, e tem com a trilogia De Volta Para o Futuro uma relação muito especial. Nos resta então tentar entender o que há de tão poderoso nestes filmes.

O roteirista Bob Gale já era amigo de longa data e parceiro profissional do diretor Robert Zemeckis em 1984. Os dois já vinham de dois filmes de relativo sucesso: Carros Usados, de 1980, e Febre de Juventude, de 1978 e que também teve um forte impacto sobre mim. Mas enfim, em 1984 Bob Gale foi passar um fim de semana na casa de seus pais. Lá, encontrou o livro de formatura do pai. Folheando o livro ele constatou que seu pai tinha sido líder no grêmio estudantil, e se lembrou de seu tempo no colégio, que ele próprio não se dava bem com o pessoal do grêmio, e começou a imaginar se ele jovem se encontrasse com o pai também jovem, se eles se dariam bem, seriam amigos e tal. E essa ideia ficou na cabeça por vários dias, até que ele levou o conceito do De Volta Para o Futuro para Robert Zemeckis.

Só um parêntese rápido aqui. Vou tratar a trilogia De Volta Para o Futuro como um filme só. Então quando você ler “o filme De Volta Para o Futuro”, entenda que eu estou falando da trilogia como um todo.  Quando for o caso, vou especificar se estou falando de um dos filmes em especial. Sigamos portanto. Talvez o maior trunfo do De Volta Para o Futuro seja o fato de o filme envolver viagem no tempo, mas não cair em clichês como os personagens interagir com figuras históricas ou evitar eventos catastróficos. Tudo se resume a um garoto que viajou no tempo acidentalmente, precisa salvar sua própria existência e voltar pra casa. Além do mais, a trama toda se passa numa cidadezinha, que acaba se tornando quase que um personagem da história, com a pracinha onde acontecem as perseguições, o relógio, o café, o posto de gasolina.

A concepção toda do filme é recheada de curiosidades e fatos interessantes. A começar pela própria máquina do tempo. A ideia inicial de Bob Gale é que o Dr. Brown teria inventado a máquina do tempo à partir de uma geladeira. Mas isso dificultaria muito, já que os personagens teriam que levar a máquina de lá pra cá ao longo da trama. Qualquer um que já tenha feito mudança sabe que carregar uma geladeira não é tarefa das mais tranquilas. Foi então que Gale viu por acaso um DMC DeLorean e encontrou a solução ideal. A história da empresa DeLorean é pitoresca e vale ser contada. John DeLorean era um engenheiro em ascensão na General Motors nos anos 1960. Em 1975 ele se demitiu para criar sua própria marca, a DeLorean Motor Company, e concretizar seu grande projeto, o DMC DeLorean, um carro moderno, com capô de aço inoxidável sem pintura, portas tipo gaivota e muito potente. O modelo chegou ao mercado em 1981. Quando o DMC passou a ser comercializado, a empresa de John DeLorean já vinha mal das pernas, com muitas dívidas. Foi então que ele entrou numa negociação muito mal explicada envolvendo o FBI e um investimento milionário de DeLorean no tráfico de cocaína. O caso até hoje é mal contado, DeLorean foi julgado e absolvido só em 1984, mas nessa altura do campeonato, seu nome já estava arruinado e a empresa já estava falida. O DMC DeLorean foi fabricado entre 1981 e 1982. Foram feitas 9200 unidades. Estima-se que hoje em dia existam 6500 unidades, que passaram a valer uma fortuna depois do sucesso do De Volta Para o Futuro.

O primeiro filme da trilogia se destaca ainda mais quando inserido em seu tempo.  Em 1985 os filmes produzidos voltados ao público jovem eram as comédias de high school como Porky’s, Picardias Estudantis e Mulher Nota Mil. Quando Robert Zemeckis e Bob Gale foram oferecer a história às grandes produtoras, a maioria recusou, considerando o roteiro muito bobo para os padrões da época. A Disney foi uma das que recusou o filme, mas por outra razão: o considerou sujo e de mau gosto por mostrar um relacionamento entre mãe e filho. Acho que eles não entenderam bem a ideia e acabaram perdendo a chance de viabilizar um clássico. Este papel coube a Universal, que gostou e bancou a produção. E lucrou horrores!

Falando mais diretamente sobre os filmes, são muitos os pontos a exaltar. O roteiro é brilhante. Incrivelmente coeso e bem amarrado, riquíssimo em detalhes, com muito bom humor. Tem aquela característica à la Spielberg (que assina a produção da trilogia, diga-se) de haver um conflito atrás do outro, deixando o espectador sempre atento, os personagens saem de um problema, mas acabam caindo em outro maior o tempo todo. Ainda falando do roteiro, é legal dizer que Zemeckis e Gale fizeram o filme sem pensar numa sequência. O final do primeiro filme era pra ser uma simples piada. Mas o sucesso foi tamanho que a Universal exigiu uma continuação. A prova de que não se pensava numa sequência é que a Jennifer, a namorada de Marty McFly, participa da cena final. E no segundo filme ela passa o filme todo dormindo. Se eles quisessem uma sequência, seria melhor fazer sem que ela participasse. Já o segundo e o terceiro filme sim foram pensados e, inclusive, produzidos e filmados em sequência. Por isso demorou tanto tempo para o segundo filme ser lançado. O primeiro saiu em 1985, o segundo só em 1989. Porém, quando lançado o segundo, o terceiro já estava pronto e foi lançado já no ano seguinte.

Antes de finalizar, precisamos falar do majestoso tema composto por Alan Silvestri. Aliás toda a trilha sonora é incrível! A escolha de canções é impecável! Mr. Sandman, Johnny B. Goode e até as canções compostas por encomenda, Power of Love e Back in Time, da banda Huey Lewis & The News. Mas o tema de Alan Silvestri é a grande estrela da trilha sonora. Em sua produção anterior, Tudo por Uma Esmeralda, Robert Zemeckis tinha elaborado um filme grandioso, cheia de cenas caras, com muita ação e aventura. Em De Volta Para o Futuro, ele queria fazer algo mais pessoal, mais contido, quase caseiro. Uma abordagem intimista que fica evidente na tela e funciona de maneira cativante. Quando Alan Silvestri foi chamado para compor a trilha sonora, perguntou a Zemeckis se ele queria algo mais contemporâneo ou uma trilha mais clássica, com orquestrações. Ele respondeu: “Vamos contrastar! Tudo que o filme tem de intimista e simples, compense num tema épico!”. E assim, Silvestri escreveu aquele tema memorável.

De Volta Para o Futuro é um filme que beira a perfeição. Não é exagero. Tem tudo ali. Uma estética agradável e que não ficou datada (talvez justamente por ser uma caricatura de vários tempos), um roteiro incrível com personagens complexos e carismáticos e uma linguagem equilibrada, que consegue encantar pessoas de todas as idades, além de ser uma obra que pode ser revisitada de tempos em tempos sem demonstrar sinais de cansaço. Um filme tão completo, cheio de música e referências a cultura pop, que obviamente faz parte do DNA da Strip Me, que está sempre de olho no passado, presente e futuro para conceber as melhores estampas de todos os tempos. Clica aqui pra conferir.

Vai fundo!

Para ouvir: Claro, uma playlist com o que há de melhor na trilha sonora dos três filmes da trilogia de Volta Para o Futuro. Top 10 Tracks Back to the Future.

Para assistir: Precisa mesmo dizer? Mas tenho uma dica legal. Além de ver e rever a trilogia, vale a pena conferir um vídeo, já bem antigo, de um trecho do show de stand um comedy do ator Tom Wilson, o Biff Tannen do filme, onde ele interpreta uma de suas composições falando sobre o De Volta Para o Futuro. Link aqui.

Para ler: Foi lançado em 2015 um livro excelente sobre todos os detalhes e curiosidades envolvendo a trilogia. De Volta Para o Futuro – Os Bastidores da Trilogia: O futuro é agora! Foi escrito pelo jornalista e escritor Caseen Gaines e lançado no Brasil pela editora Darkside, com um trabalho gráfico lindíssimo! Além de ótima leitura, é um livro eu fica um charme na estante.

The Dark Side of the Rainbow

The Dark Side of the Rainbow

O que seria de nós sem as teorias da conspiração? São elas que tornam tudo mais interessante, instigante e divertido! Afinal, é muito mais interessante dizer que o maior clássico dos Scorpions, a canção Wind of Changes, foi escrita pela CIA e entregue à banda com a promessa de sucesso avassalador, sendo que a letra da música falava sobre liberdade, a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria. E a diversão de ficar olhando as capas dos discos dos Beatles em busca de pistas que comprovem que Paul McCartney morreu em 1966, e foi substituído por um sósia (e excelente baixista, diga-se)? Claro, tem também o intrigante caso da capa do disco Breakfast in America, da banda Supertramp, a qual traz vários indícios premonitórios do atentado de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas. Isso sem falar do Lemmy, do Motorhead, ser illuminati, do Steve Wonder não ser realmente cego, da Courtney Love ter matado o Kurt Cobain

Mas com certeza, a teoria da conspiração mais interessante do mundo da música é que o disco Dark Side of The Moon foi elaborado pela banda Pink Floyd para servir como trilha sonora alternativa do clássico filme O Mágico de Oz. A junção das duas obras, batizada de Dark Side of The Rainbow, é largamente discutida no meio musical e pela internet afora desde 1995. Logo de cara, a ideia soa bem estranha. O que teria em comum um disco de rock progressivo lançado em 1973, que aborda as profundezas da mente humana, com um filme lançado em 1939, baseado num livro de conto de fadas, sobre uma garotinha órfã perdida num mundo mágico tentando voltar para casa? Bom, essa é uma das delícias das teorias da conspiração: por mais absurda que seja, qualquer explicação acaba sendo válida. Mas vamos com calma.

O Fantástico Mágico de Oz é um livro infantil de fantasia, os chamados contos de fadas. Foi escrito por L. Frank Baum, ilustrado por W. W. Denslow e lançado em 1900. Em 1938 a gigante produtora de cinema MGM comprou os direitos do livro para adaptar para o cinema a história, que contaria com a inovadora tecnologia Technicolor, sendo um dos primeiros filmes coloridos da história. O filme ficou pronto e foi lançado em 1939. Na época não teve grande bilheteria, mas foi aclamadíssimo pela crítica. Teve 6 indicações ao Oscar, levando 2 estatuetas. Com o tempo, foi sendo reexibido e caiu no gosto popular. Na década de 1950 passou a ser exibido na televisão e ganhou ainda mais notoriedade. Hoje é considerado um dos mais importantes filmes da história do cinema. É um filme bom? Com certeza é. Mas é meio chatinho, vamos combinar. Foi super inovador na época, mas para os padrões atuais as canções são piegas, o andamento do filme é arrastado e o roteiro é um pouco ingênuo, apesar de levantar uma ou outra questão interessante sobre amor, companheirismo, aceitação, misticismo e etc. Além do mais, foi o filme que revelou para o mundo a atriz Judy Garland e imortalizou a canção Over the Rainbow.

Dark Side of the Moon é o oitavo disco da banda inglesa Pink Floyd. Indiscutivelmente é a obra prima dos caras, o disco que marcou a transição da psicodelia e viagens chapadas para o mundo real, com canções mais diretas e com temas sérios. Vinda de uma extenuante turnê em 1972, a banda começou a se reunir para criar um novo disco. Foi Roger Waters quem propôs que fizessem canções mais diretas e abordando temas referentes a mente humana, tendo como inspiração a triste história de seu amigo Syd Barrett, guitarrista e fundador da banda. A banda concebeu todas as canções do disco entre o fim de 1972 e o início de 1973, chegando a fazer muitas apresentações ao vivo tocando essas músicas. Com a certeza da aceitação do público, a banda foi confiante para o estúdio e gravou as 10 faixas sem medo de abusar de efeitos e truques de estúdio. Concluídas as gravações, Aubrey Powell e Storm Thorgerson, dois designers britânicos, foram os responsáveis pela icônica capa do prisma, com certeza uma das capas de discos mais famosas do mundo.

De quem foi a ideia de sincronizar o filme com o disco, ninguém sabe. O que se sabe é que em 1995 um jornalista chamado Charles Savage escreveu uma matéria num pequeno jornal do estado de Indiana, nos Estados Unidos, falando sobre essa sincronia entre as obras, que a banda supostamente teria feito o disco pensando no filme… e a notícia começou a se espalhar. A internet, que engatinhava na época, ajudou muito a divulgar a ideia mundo afora e a coisa não parou mais. Os defensores da teoria que a sincronia é proposital afirmam que o filme retrata a mente da Dorothy, personagem principal, e toda a busca dela, e as criaturas que ela conhece pelo caminho, são metáforas para a sua própria personalidade e seu amadurecimento. Temática que vai totalmente de encontro com disco do Pink Floyd.

Essa justificativa até que não é tão descabida. É uma interpretação válida para a história contada no filme. O que não faz sentido é a razão de a banda fazer um disco de 43 minutos para um filme com mais de uma hora e meia de duração. Para cobrir o filme todo, o disco tem que ser tocado duas vezes e meia. E é na primeira vez que o disco toca inteiro, que as sincronias realmente impressionam. Nas repetições poucos momentos chamam a atenção pra valer. Certamente o momento mais incrível é na cena do tornado, numa perfeita harmonia com a música A Great Gig in the Sky, música instrumental intensa. Quando a música está acabando e vai ficando mais suave, na cena a casa, que estava voando no meio do tornado, vai descendo ao chão levemente. Quando a música acaba e a Dorothy abre a porta para um mundo todo colorido e ela pisa nos tijolos amarelos da estrada, soam as máquinas registradoras da música Money. Essa sequência é muito legal mesmo! Outra ótima sequência é quando aparece o Espantalho pela primeira vez e começa a tocar a música Brain Damage, com a frase “The lunatic is on the grass” enquanto ele dança e escapam de dentro deles tufos de capim seco (grass é capim, mato, em inglês). Quando ele se coloca na estrada junto com Dorothy, também aparece na música a frase “Keep the loonies on the path”, ou seja, mantenha os malucos no caminho. Ao final da primeira execução do disco, já no fim da música Eclipse, Dorothy encontra o homem de lata. Quando a música acaba e soam batimentos cardíacos, na cena Dorothy encosta o ouvido no peito do homem de lata, que quer ir até o mágico de Oz para pedir exatamente um coração! Na sequência, o disco recomeça e são poucas as cenas dignas de nota. Vale mesmo é citar o final do filme. Já na terceira execução do disco, ao final da música Time, Dorothy descobre como voltar pra casa. Quando ela acorda em seu quarto no Kansas, deitada na cama, ela abre os olhos e a música diz “Home. Home again. I like to be here when I can.”. A música acaba e começa A Great Gig in the Sky pela terceira vez. Quando a música começa, aparece escrito “The End” na tela. Quando começam os créditos, ouve-se a frase dita no início da canção: “I am not frightened of dying. Any time will do, I don’t mind. Why should I be frightened of dying? There’s no reason for it, you’ve got to go sometime.”. Convenhamos, uma bela maneira de fechar um filme que fala sobre caminhos e voltar para casa.

É lógico que todos os integrantes da banda negaram a teoria. O engenheiro de som e produtor do disco, Alan Parsons, chegou a dizer que em 1973 nem tinha como isso ser feito, pois ainda não existiam as fitas VHS, e não tinha como projetar o filme no estúdio de gravação para fazer esse trabalho. O baterista Nick Mason, do alto do peculiar humor britânico, afirmou que não era verdade, e que o que realmente aconteceu é que o disco era pra ser a trilha o filme A Noviça Rebelde.

De qualquer forma, se você estiver de bobeira num domingo de tarde, sem nada pra fazer, vale a pena pegar um dos vários vídeos no Youtube com o filme e o disco sincronizados e assistir. Afinal, trata-se de um disco realmente brilhante e delicioso de se ouvir, e o filme, em muitos momentos, funciona como videoclipe para as músicas. Agora, o que não é teoria da conspiração, mas verdade verdadeira é que se você colocar pra tocar o disco Dark Side of The Moon e abrir o site da Strip Me, você vai dar de cara com um monte de estampas incríveis sobre cinema, música, arte e muito mais. Inclusive, funciona sem o disco estar tocando também. Clica aqui pra conferir.

Vai fundo!

Para ouvir: É verdade que Dark Side of The Moon é a obra prima do Pink Floyd. Mas a banda tem muitos outros discos incríveis. Então hoje a nossa playlist é Top 10 Tracks Pink Floyd!

Para ler: The Dark Side of the Moon – Os bastidores da obra prima do Pink Floyd, excelente livro escrito pelo jornalista e escritor John Harris. Lançado em 2005 pela editora Jorga Zahar no Brasil, este livro traz detalhes interessantíssimos sobre o momento que a banda vivia antes do disco, a concepção, os shows, as gravações… é uma leitura muito saborosa!

20 anos da tragédia do século.

20 anos da tragédia do século.

Provavelmente você vai ouvir muito por aí durante os próximos dias algumas variações da frase “Todo mundo se lembra onde estava e o que estava fazendo na manhã do dia 11 de setembro de 2001.”. E o pior é que é verdade. Neste sábado comemoramos os 20 anos do acontecimento mais impactante do século XXI até agora e o mais trágico ataque sofrido pelos Estados Unidos na história. Ah sim, comemorar os 20 anos do atentado  de 11 de setembro, não significa celebrar ou exaltar a data. Vamos nos lembrar que a palavra comemorar deriva da união das palavras rememorar em comunidade, ou seja, quando toda uma sociedade se junta para relembrar um grande acontecimento e prestar as devidas homenagens, às vítimas neste caso específico.

Realmente esta data deve ser relembrada e é necessário que hajam reflexões a respeito do que levaram aquelas pessoas a cometer atos tão terríveis e as consequências, que vivemos ainda hoje, vale dizer. Bom, brevemente contextualizando. Na manhã do dia 11 de setembro de 2001 4 aviões Boing 767 comerciais foram sequestrados por terroristas sauditas ligados ao grupo terrorista Al Qaeda. 2 deles saíram de Boston com destino a Los Angeles, mas foram desviados de sua rota e foram para New York, onde cada um colidiu com um das duas torres gêmeas do complexo de prédios World Trade Center. O terceiro avião saiu do aeroporto de Washington também rumo a Los Angeles e, antes que pudesse sair dos arredores da cidade, foi desviado pelos sequestradores e colidiu com o prédio do Pentágono, centro militar dos Estados Unidos. O quarto avião partiu do aeroporto de Newark, nos arredores de New York, com destino a San Francisco. O alvo dos sequestradores deste avião ainda hoje é desconhecido, pois os passageiros do avião se mobilizaram e conseguiram deter os sequestradores. O avião fez um pouso forçado próximo a pequena cidade de Shanksville, no estado da Pensilvania. O resultado disso tudo foram 2.996 mortes, mais de 6000 feridos e bilhões de dólares em danos materiais.

Uma tragédia que já entrou pra história. Uma parada muito louca de se pensar. Quando a gente fala de história, pensa em eventos antigos, que aconteceram muito antes de termos nascido. Mas não, a história é escrita diariamente e todo mundo faz parte dela indireta ou diretamente. Por isso o clichê “todo mundo lembra onde estava e o que estava fazendo naquela manhã de 11 de setembro de 2001” é tão presente. Se parar pra pensar, faz só 20 anos. É pouco tempo. E mesmo assim, foi um acontecimento que gerou muitas consequências. Claro que não vamos entrar aqui nos desdobramentos políticos, bélicos e econômicos. Mas podemos falar sobre o que mudou no comportamento das pessoas, na vida em sociedade e também tudo o que apareceu culturalmente baseado nos atentados de 2001.

Pra começar, a gente teve mais contato com um mundo até então tão distante para nós, o Oriente Médio. Antes de 2001 aquela região se resumia no confronto eterno entre palestinos e judeus e na produção de petróleo. Hoje a gente sabe o que é a jihad, sabemos que existem grupos paramilitares como a Al Qaeda e o Talibã, sabemos que o Afeganistão é um país chave para entender tantos conflitos naquela região e entendemos que ser muçulmano não significa ser terrorista, mas que a fé islâmica é usada para influenciar pessoas a cometer os mais terríveis atos.

Muitos protocolos de segurança foram implementados em aeroportos depois dos atentados, o mundo aprendeu a viver com um pouquinho a mais de medo, sabendo que, se uma coisa dessas aconteceu nos Estados Unidos, pode acontecer em qualquer lugar. Entretanto, as conversas nas mesas de bar ficaram muito mais interessantes com o incontável número de teorias da conspiração que pipocaram pela internet sobre os atentados.

Os atentados e suas consequências também inspiraram muitas obras, em especial no cinema. Tem As Torres Gêmeas, de 2006, dirigido por Oliver Stone, também lançado em 2006 tem o Voo United 93, de Paul Greengrass, que fala sobre o avião em que os passageiros dominaram os sequestradores. Outro filmaço é A Hora Mais Escura, dirigido pela Kathryn Bigelow e lançado em 2013. Ele conta a história da caça a Osama Bin Laden. Tem muitos outros filmes, e tem também os documentários. Os dois mais relevantes certamente são Fahrenheit 9/11 do polêmico cineasta Michael Moore, lançado em 2014, e o recente 11/9 – A Vida Sob Ataque, uma produção da BBC com direção de Nigel Levy lançado em 2020. Em seu documentário, Michael Moore esmiúça os contatos pessoais da família Bush e do governo norte americano com sauditas e organizações como o Talibã, além de mostrar as invasões desastrosas do exército norte americano no Afeganistão e no Iraque. Já a produção da BBC traz imagens inéditas e muito impressionantes captadas por pessoas que moram na cidade e presenciaram tudo de perto. O longa mostra o caos em que a cidade mergulhou naquela manhã de maneira muito contundente. Ah, teve também o ótimo quadro do Casseta & Planeta “No Cafofo do Osama”, que satirizava o sumiço do terrorista mais procurado do mundo.

Não dava pra gente deixar de falar desse assunto nesta semana. Barulho, diversão e arte são fundamentais, mas nosso papel como parte da sociedade é tão importante quanto. Nós somos agentes da história e comemorar, ou melhor, rememorar em comunidade, um acontecimento tão importante como este é nosso dever. Ainda bem que com a Strip Me podemos fazer isso de maneira bem mais leve e interessante.

Vai fundo!

Para ouvir: Em homenagem às vítimas dos atentados ao World Trade Center, fizemos um top 10 tracks canções sobre New York City!

De novo! – Filmes que a gente não cansa de assistir.

De novo! – Filmes que a gente não cansa de assistir.

Falando sério, cara. Não tem expressão artística mais completa e transcendente que o cinema. A arte literalmente multimídia, onde uma boa história é escrita, para ser interpretada por bons atores, que será combinada à fotografia em movimento e uma música capaz de emocionar. O cinema é tão marcante que faz parte das nossas vidas, está presente em todo o canto! Desde uma frase de efeito que você fala numa conversa, ou no pôster colado na parede do quarto, naquela memória de infância de ter os primos reunidos no fim do ano na casa da avó assistindo Esqueceram de Mim.

Hoje vamos falar desse cinema da memória afetiva, esse cinema empolgante, reconfortante, que te faz se sentir em casa. Não vamos falar daqueles grandes clássicos, ganhadores de Oscar (apesar de um ter um ou outro vencedor da estatueta na lista que vem a seguir). Porque o foco aqui é aquele filme que, quando você está zapeando os canais da TV e passa por uma cena que você reconhece de cara, você pára ali e assiste até o fim, porque é um filme que você já viu um monte de vezes, mas é tão bom que você larga o controle remoto e se acomoda no sofá. E vamos combinar que muitos dos filmes clássicos, não dá pra ver assim, qualquer hora. Filmes como Apocalipse Now ou 2001: Uma Odisséia no Espaço são filmes densos, que você precisa estar no clima pra assistir. Entretanto, independente do seu humor, se você liga a TV e dá de cara com o Indiana Jones correndo pra não ser esmagado por uma bola de pedra gigante, fica difícil resistir a continuar assistindo. 

Como aqui não tem miséria, listamos 10 filmes que todo mundo já viu mais de uma vez e não cansa de assistir! Vamos à lista!

10 – Feitiço do Tempo (1993)

Imagina que você liga a televisão e se depara com aquele close num rádio relógio marcando seis horas e começa a tocar I Got You, Babe, interpretada pela dupla Sonny & Cher. Você se mantém ali só pra ver se está no começo, no meio ou no fim do filme. E seja em que parte estiver, não dá pra parar de assistir, porque é muito divertido. É o dia da marmota, cara! É o Bill Murray no auge! É uma história irresistível!

9 – Gremlins (1984)

A gente já dedicou um post inteirinho pra este filme aqui neste blog, mas não tem como não falar. Ele é um desses filmes que você já viu um monte de vezes, mas não cansa de ver. Afinal, quem é que resiste àquela carinha fofa do mogwai saindo de dentro da caixa e olhando direto pra você? Aí, você espera pra ver o bichinho ser alimentado, molhado e se transformando… a cidade sendo atacada! Você sabe que é diversão garantida e se dá conta que está assistindo pela enésima vez até o final.

8 – Quanto Mais Idiota Melhor (1992)

O que dizer de um filme que é um amontoado de deliciosas referências ao mundo do rock n’ roll? A placa de “Proibido tocar Stairway to Heaven” na loja de instrumentos, Garth sedutor ao som de Foxy Lady fazendo orelhinhas na cabeça com as mãos… e a épica cena de Bohemian Rapsody no carro! Cara, esse filme é uma instituição da geração 90’s. Qualquer pessoa com mais de 35 anos de idade já viu esse filme uma dezena de vezes na TV aberta durante a tarde e se divertiu! E se pintar a oportunidade de rever, essa pessoa vai rever!

7 – O Exterminador do Futuro II (1991)

A franquia Exterminador do Futuro é muito legal. Mas é indiscutível que bom, mas bom mesmo, é este segundo filme. O primeiro é legal, apresenta os personagens e tal, mas é meio sombrio. Os 4 filmes que se seguiram à partir de 2003 mostram esse mundo distópico e tal, mas não conseguem realmente empolgar. Mas este segundo filme, olha, coloca todos os outros 5 filmes da franquia no bolso! São grandes cenas de ação, um vilão de metal líquido que toma tiro de escopeta e continua correndo, uma trilha sonora empolgante e a eternização da frase “Hasta la vista, baby!”. Não precisa falar mais nada, né?

6 – ET: O extraterrestre

Muita gente foi introduzida no mundo do cinema através deste filme. Talvez, de toda essa lista, ele seja o que melhor representa essa memória afetiva que temos com o cinema, é o confort food da sétima arte. Boa parte das cenas deste filme estão grudadas na memória de quem cresceu nos anos 80 e 90. Um filme encantador e poderoso para crianças, e que demonstra todo o talento de Steven Spielberg para conceber obras fantásticas e atemporais. Um filme irresistível de se rever, seja qual for a sua idade.

5 – Forrest Gump (1994)

Esta é uma das melhores cinebiografias da história. Ain, mas é ficção. Não interessa! A cinebiografia do Forrest Gump é irretocável! Se você tá lá zapeando os canais e dá de cara com um moleque de aparelho nas pernas ensinando o Elvis a dançar, ou Bubba descrevendo todas as maneiras de se preparar pratos com camarão, ou o Forrest e o Tenente Dan comemorando o Ano-Novo… não tem jeito. Só te resta sentar e continuar a curtir o filme todo. Afinal, lembre-se que aprendemos com o Forrest que idiota é quem faz idiotices, como não rever Forrest Gump, por exemplo.

4 – Clube da Luta (1999)

Clube da Luta é um fenômeno do cinema! Claro, ele é empolgante, tem atuações estarrecedoras, cheio de adrenalina, sarcasmo, ação, rebeldia… só por esses fatores já é um filme que vale ser visto e revisto várias vezes. Mas tem um ponto importante. Ele é desses filmes tipo O Sexto Sentido, que tem um plot twist monstro, uma baita surpresa no final, que faz você querer ver o filme de novo, pra poder ver sob essa novas perspectiva que foi apresentada no fim do filme. Acontece que, mesmo com esse plot twist não sendo mais novidade, o Clube da Luta ainda é um filme que dá pra assistir e se divertir sempre, não importa quantas vezes já tenha sido visto. Quanto mais a gente conhece Tyler Durden, mais a gente quer vê-lo em ação!

3 – Pulp Fiction (1994)

E se você tá lá zapeando os canais sem nem olhar pra tela da televisão direito, mas aí você muda o canal e só ouve aos berros: “Say “what” again! I dare you, I double dare you, motherfucker! Say “what” again one more godamm time!”. Só de ler a frase aqui, tenho certeza que você esboçou um sorriso e lembrou da cena. Me fala como é que você vê uma cena dessa e não pára o que tá fazendo pra assistir? Aí você pensa: vou ver só essa cena, porque é muito foda. Aí acaba a cena e entra a conversa do Marcellus Wallace (Does he look like a bitch?) com o Butch… e você: Tá, vou ver mais só esse pedaço. Aí entra numa espiral f#*a de dança ao som de Chuck Berry, overdose, relógio que esteve na bunda de um soldado, Marcellus Wallace looking like a bitch, espada samurai, chopper do Zed, Mr. Wolf limpando carro, carteira escrito Bad Motherfucker… e pronto. Acabou o filme e você tá felizão porque viu mais uma vez essa obra prima!

2 – Curtindo a Vida Adoidado (1986)

Será que existe alguém com mais de 35 anos de idade que nunca tenha visto Curtindo a Vida Adoidado? Muito pouco provável, né? E eu nem falo por ser um filme que realmente passou exaustivamente na TV aberta em mais de um canal por muito tempo. Mas também porque é um filme divertidíssimo, com o qual qualquer jovem se identifica e admira. Quem não quer matar aula num dia de sol pra curtir com a namorada e o melhor amigo andando pela cidade numa Ferrari e acabar num desfile em cima de um carro alegórico cantando Twist and Shout? Sem falar que enquanto isso o diretor de escola só se dá mal tentando provar que o garoto está aprontando e a escola toda se mobiliza numa campanha “Save Ferris” pela melhora de sua saúde. É um filme que emana frescor, diversão e nostalgia.

1 – De Volta Para o Futuro (1985 – 1989 – 1990)

Era pra ser 10 filmes nessa lista. Mas como faz pra falar de apenas um dos filmes da trilogia de De Volta para o Futuro? Considerando os três como um filme só de 3 partes, De Volta para o Futuro é dos filmes mais brilhantes da história do cinema. Um roteiro complexo, mas sem nenhuma ponta solta, que deixa o espectador o tempo todo vidrado na história, uma estética propositalmente datada para ilustrar as viagens no tempo, é uma trama instigante, bem humorada, emocionante. Uma delícia maratonar os 3 filmes num domingo de tarde, mas também dar a sorte de pegar uma das três partes na televisão por acaso e assistir também tem todo um sabor! É a obra maior de Robert Zemeckis, que é um diretor formidável. Um filme tão sensacional que merece um post só pra ele neste blog.

E assim fechamos essa lista saborosíssima  de filmes inesquecíveis, que, assim como a Strip Me, são incríveis, versáteis, agradam vários tipos de pessoas diferentes e, acima de tudo, podem ser resumidos em duas palavrinhas: Diversão & Arte.

Vai fundo!

Para ouvir: Claro! Uma playlist com uma música da trilha sonora de cada um dos filmes citados, pra você, curtir e relembrar. Top 10 tracks Filmes para Rever.

Double Trouble

Double Trouble

Século XXI, a tecnologia se supera a cada mês! Robôs executando tarefas como limpar a casa, veículos que não precisam de um ser humano ao volante, comunicação instantânea por vídeo entre pessoas em diferentes continentes, estudos avançados por uma vacina contra o câncer. Tudo isso e muito mais já é realidade para nós. Entretanto, existe uma coisa que a ciência, a tecnologia e a medicina ainda não conseguiram realmente desvendar: a mente humana. Avançamos muito, é verdade. Hoje em dia são conhecidos vários transtornos e distúrbios mentais tais como o déficit de atenção, hiperatividade, transtorno bipolar, borderline e tantos outros. Mas tem um deles que chama mais a nossa atenção por ter inspirado algumas obras muito marcantes: o TDI, Transtorno Dissociativo de Identidade, um distúrbio mental terrível que era conhecido antigamente por Dupla Personalidade.

O TDI é um distúrbio mental causado, na maioria dos casos, por traumas muito fortes na infância, como abusos sexuais, uma morte muito trágica de alguém muito próximo e assim por diante. Para apagar este trauma, a pessoa cria uma nova personalidade, bem diferente de si e que não conhece ou vivenciou aquele trauma. Com o passar do tempo e estudando mais a fundo a doença, constataram que muitos pacientes desenvolviam mais de uma personalidade. Por isso o termo dupla personalidade foi abandonado e substituído pelo TDI. Além de ser uma doença difícil de ser diagnosticada e tratada, ela também é muito rara. Uma doença tão rara que seria improvável que nós a conhecêssemos tão bem e estivéssemos falando sobre ela num blog de cultura pop, não fosse por um único fator: o cinema!

Alguns dos grandes filmes da história do cinema trazem um protagonista ou um vilão (ou um protagonista vilão) com algum distúrbio mental, em geral o TDI. Separamos 5 filmes para comentar aqui, mas tem vários outros que merecem uma menção honrosa. O excelente Fragmentado, do M. Night Shyamalan e lançado em  é um grade exemplo de um caso com múltiplas personalidades e é um baita filme! As Duas Faces de um Crime, dirigido pelo Gregory Hoblit e lançado em 1996 é outro filmaço onde um jovem Edward Norton dá um show em seu primeiro papel de destaque. Também não dá pra deixar de fora Ilha do Medo, filme de 2010 do nosso amado Martin Scorsese. E, pra não dizer que só estamos falando de filmes densos e sombrios, também tem o divertidíssimo Eu, Eu Mesmo e Irene, escrito e dirigido pelos irmãos Bob e Peter Farrelly, lançado em 2000 com Jim Carrey como protagonista.  E, é claro, tem muitos outros. Mas vamos aos nossos escolhidos.

Já começamos com os dois pés no peito! Um filme de 1960, de um dos diretores mais geniais e controversos de todos os tempos, um filme que mudou o jeito de se fazer cinema e pautou todos os filmes de suspense e terror que viriam depois dele. Psicose é um clássico absoluto, tem a sequência de cenas mais reproduzida da história, uma trilha sonora emblemática e um roteiro brilhante que parece que vai contar a história de uma bela mulher que fica com uma bolada em dinheiro de seu chefe, mas na verdade o trunfo da história é um jovem perturbado e dominado pela mãe. Com este filme Alfred Hitchcock passou de um diretor aclamado para um dos grandes gênios do cinema.

Travis Bickle não tinha exatamente um distúrbio de dupla personalidade. Mas não dá pra dizer também que era um cara são, gozando de 100% de suas faculdades mentais. No mínimo era um sociopata com borderline fortíssima! Mas o que fez com que ele figurasse neste top 5, além de seus distúrbios mentais, é a icônica cena ao espelho onde ele fala ameaçadoramente consigo mesmo com uma arma na mão. “You talking to me? Well I’m the only one here. Who the fuck do you think you’re talking to?”. Taxi Driver é um dos mais importantes filmes de Martin Scorsese. Retrata uma cidade decadente e um veterano de guerra, que passou anos matando no Vietnã, tentando se readaptar à vida em sociedade. Além de tudo, é Robert DeNiro numa atuação impressionante.

Aqui mais um filme onde não há um caso evidente de dupla personalidade. Mas se trata de um personagem riquíssimo, divido entre diferentes temperamentos. Jack Torrance é um escritor que  leva sua família para passar o inverno em um hotel isolado, para que ele possa escrever seu livro em paz. Mas ali uma estranha aura vai dominar Jack, transformando-o num homem violento, enquanto seu filho, com dons paranormais, tem as mais bizarras visões. O Iluminado é uma verdadeira obra de arte. Esteticamente é maravilhoso, mesmo sendo um filme de terror e suspense, tem muitos momentos com cores vivas e transita entre o sombrio e o colorido com perfeição, sem falar nos enquadramentos irretocáveis. Claro, direção do mestre Stanley Kubrick, além do roteiro baseado no livro de mesmo nome de Stephen King, além de ter Jack Nicholson arrebentando no papel principal. É um filme perfeito! Foi lançado em 1980 e ainda segue incrivelmente moderno e surpreendente.

Agora sim vamos falar do supra sumo da dupla personalidade no cinema! O único problema é que a primeira regra é que a gente não pode falar sobre o Clube da Luta. Mas a gente ignora as regras pra falar deste que é um dos filmes mais impressionantes feitos nos anos 90! Um filme tão marcante que é impossível que você não tenha ouvido falar no Tyler Durden. O filme saiu em 1999, teve direção brilhante do David Fincher e roteiro baseado no excelente livro de mesmo nome de Chuck Palahniuk. Durante uma terrível crise de insônia e identidade, um jovem consumista e solitário se torna cada vez mais próximo do indomável e charmoso Tyler Durden, com quem conversa muito sobre a vida, os dilemas da sociedade, e acaba criando um clube secreto de luta, para purificar o corpo e a alma através da violência. Um filme maravilhoso e perturbador com atuações fantásticas e uma trilha sonora animal!

Finalizamos essa lista com o filme mais polêmico de 2019! Por se tratar de mais um filme de personagens de histórias em quadrinhos, muita gente desdenhou. Mas, depois de lançado, o filme gerou muita discussão, foi acusado de incentivar o caos e a violência. Tudo conversa fiada! Joker é um filme bom demais, com um protagonista carismático e intrigante, um ótimo roteiro e amparado por excelentes referências. Sim, afinal, este certamente é o filme do Todd Phillips que os fãs do Martin Scorsese mais gostam! Joker tem a estética de Taxi Driver e o roteiro muito inspirado no Rei da Comédia, ambos grandes filmes de Scorsese. Sim, o filme conta a origem do mais famosos vilão do Batman, mas vai muito além dos quadrinhos e nos entrega uma história surpreendente de um comediante com sérios problemas mentais tentando se estabelecer no meio artístico. É um filmaço!

Você já sabe que filme bom de verdade sempre dá as caras na Strip Me, não é? Além das estampas novas de Taxi Driver e Clube a Luta que você viu por aqui, tem muitas outras estampas incríveis relacionadas á sétima arte na nossa loja. É só chegar pra conferir!

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist todinha trabalhada na loucura! Canções sobre distúrbios mentais no capricho! Top 10 Broken Minds Tracks!

Para assistir: A gente falou no texto da revolução que Hitchcock causou com Psicose. Mas ainda dá pra ir mais pra trás pra entender melhor a estética dos filmes de terror e, ainda por cima, contemplar a primeira vez em que aparece no cinema um evidente caso de distúrbio de dupla personalidade.  Estamos falando do clássico de 1920 O Médico e o Monstro, título original Dr. Jekill and Mr. Hyde, dirigido pelo aclamado John S. Robertson. Pra quem gosta decinema e curte tentar entender quem somos e de onde viemos, este filme é indispensável! E dá pra ver todinho de graça no Youtube!

Para ler: Vamos recomendar aqui a leitura do, já citado no texto acima, livro Clube da Luta, do Chuck Palahniuk. Além de ser uma história incrível e super bem contada, o livro traz muito mais detalhes sobre os planos do Projeto Mayhem e um final um pouco diferente do filme. Vale a pena demais ler! Tem uma edição de 2012 da editora Leya que é facinho de achar e num preço bem acessível.

Orgulho, diversão & arte.

Orgulho, diversão & arte.

Hoje fechamos a trilogia de posts dedicados ao mês do orgulho LGBTI+. Já demos uma geral na história, já falamos sobre os direitos na teoria e na prática, tudo direitinho. Mas convenhamos que a gente não é de ferro e também precisa relaxar e curtir a vida, não é mesmo? Por isso, vamos fechar essa trilogia com o astral lá em cima falando do que a gente mais gosta: arte! Afinal, a arte está recheada de grandes obras e grandes personalidades que representam muito bem os homossexuais de todo o mundo. Vamos falar sobre alguns deles.

É muito legal notar que existem filmes, peças de teatro, canções e pinturas que retratam ou são inspiradas em temáticas gays, mas que são concebidas por artistas héteros. Da mesma maneira, tem muito artista homossexual que não necessariamente explora este tema em suas obras. Um grande exemplo disso é o gênio da Pop Art, Andy Warhol. Notoriamente homossexual, afeito a festas e bares que celebravam a diversidade, por onde transitavam artistas de vanguarda, transexuais e todo o tipo de pessoas que não se encaixavam nos padrões “normais” da sociedade dos anos 1960 e 1970, Warhol conseguiu ser visto e celebrado em todo o mundo como um artista genial, sem precisar esconder seu estilo de vida. Produziu obras de arte incomparáveis sem esbarrar em nenhum momento na militância. Ter o orgulho de não esconder sua vida pessoal, por mais excêntrica que fosse, mostrando que isso não interferia negativamente na sua competência como profissional já foi militância suficiente.

Na música não são poucos os exemplos de artistas gays que tem uma obra invejável sem colocar em evidência sua sexualidade. Rob Halford é um dos vocalistas de heavy metal mais influentes do estilo e fez história frente à banda Judas Priest. Ele se assumiu homossexual em 1998 numa entrevista para a MTV e chocou muita gente. O rock, e em especial o metal, é um meio muito machista e homofóbico. O fato de Halford ter se assumido publicamente ajudou muito a abrir o diálogo e quebrar esses preconceitos. Aqui no Brasil um dos músicos mais influentes da música pop também se assumiu tardiamente, porém sem causar tanta surpresa quanto o vocalista do Judas Priest. Lulu Santos é um dos músicos mais respeitados do rock e pop desde os anos 1980. Exímio guitarrista e compositor de muito bom gosto, Lulu Santos sempre foi discreto com sua via pessoal, e na música nunca foi panfletário, apesar de falar frequentemente sobre amor livre e diversidade. Ele assumiu ser gay somente em 2018 e todo mundo ficou feliz por ele, porém, surpreso mesmo, ninguém ficou.  Mas tudo bem.

Deixando um pouco de lado os artistas e falando sobre obras de arte, não há mídia melhor para representar um grupo de pessoas tão plurais, cheias de vida, de amor, de cores e de histórias fantásticas como o cinema. É onde as imagens, a música e a história se juntam para proporcionar uma experiência de vida capaz de nos encantar, inspirar, divertir e fazer pensar. Então fizemos um top 5 filmes sensacionais que representam muito bem a comunidade gay e, cada um à sua maneira, proporciona reflexões importantíssimas.

5 – Meninos Não Choram

É um filme pesado, é verdade. Mas é uma história incrível e muito bem retratada no filme. História real, aliás. Brandon era um rapaz que nasceu mulher, mas desde criança se identificava como homem e tentou se impor como tal. É uma história trágica sobre aceitação e preconceito. Um filme de roer as unhas, emocionante, e com atuações inacreditáveis. Tanto que Hilary Swank ganhou Oscar de melhor atriz em 2000 pela sua atuação como protagonista. Boys Don’t Cry foi lançado em 1999, escrito e dirigido por Kimberly Peirce e tem uma baita trilha sonora boa!

4 – Madame Satã

O representante brasileiro nesta lista é um ótimo filme, também baseado em uma história real e com atuações excelentes. Madame Satã era o “nome de guerra” de João Francisco dos Santos. Ele foi um dos primeiros transformistas do  Brasil e virou ícone da liberdade sexual no país, com uma trajetória surpreendente no Rio de Janeiro dos anos 1930. O filme foi lançado em 2002, dirigido por Karim Aïnouz e protagonizado com brilhantismo por Lázaro Ramos.

3 – Filadélfia

Um clássico, né? Este filme está aqui porque representa muito bem o preconceito que os gays sofriam nos anos 1980 e 1990, agravado pelo surgimento da AIDS. Mas além de retratar super bem este momento, é um filmaço em todos os aspectos. Uma trilha sonora arrebatadora com Bruce Springsteen, Neil Young, Sade, Maria Callas, Peter  Gabriel, atuações impressionantes de Tom Hanks e Denzel Washington e direção irretocável do gênio Jonathan Demme. O filme foi lançado em 1993 e ganhou dois Oscars no ano seguinte: Melhor Ator e Melhor Canção Original.

2 – Tudo Sobre Minha Mãe

Que o Almodóvar é um gênio, não há dúvida, né? Porém, na hora de escolher qual o seu melhor filme, aí dúvida é o que não falta, tantos são os filmes excelentes dele. Mas com certeza um que sempre vai estar entre seus 3 melhores trabalhos é este. Uma história comovente e arrebatadora, colocada impecavelmente num roteiro que consegue ser dramático e bem humorado, bem amarrado e instigante. A trama se desenrola quando uma mãe solteira tem seu filho envolvido em um acidente e vai à procura do pai da criança, que virou travesti. Uma história insólita e cheia de surpresas que acaba por tratar diversos temas espinhosos com muita propriedade. O filme escrito e dirigido por Almodóvar foi lançado em 1999 e levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

1 – Priscilla – A Rainha do Deserto

É uma escolha óbvia? Um baita clichê? É sim! Mas nenhum filme na história conseguiu com tanta perfeição representar o espirito gay com tanto brilhantismo. Está tudo lá. A alegria, o glamour, a paixão pela arte, os preconceitos, é claro, e todas as dificuldades e delícias de se assumir como é e viver assim. Priscilla – A Rainha do Deserto é um road movie delicioso, engraçado e empolgante, desses filmes que a gente já viu um monte de vezes, mas sempre acaba vendo de novo. O filme foi lançado em 1994, escrito e dirigido por Stephan Elliott e se tornou, logo de cara, um clássico absoluto. Ah, sim, e também tem uma trilha sonora daquelas!

E assim finalizamos nossa trilogia de posts especiais no mês do orgulho LGBTI+. Posts que, além de homenagear e celebrar a diversidade, reforçam o posicionamento da Strip Me como uma marca que abraça a diversidade e faz coro com todas as vozes que clamam por liberdade e igualdade. Afinal tudo que é escrito aqui representa os princípios e valores da marca. Orgulho, diversão e arte em junho, no ano todo e por toda a vida!

Vai fundo!

Para ouvir: A playlist hoje dá uma geral nas trilhas sonoras dos cinco filmes indicados neste post! Confere lá! Top 10 tracks LGBTI+ Soundtracks!

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