Conheça 10 bares do cinema que gostaríamos de frequentar, de Pulp Fiction a Casablanca, passando por Star Wars e clássicos inesquecíveis.
Se é a arte que imita a vida, ou se é a vida que imita a arte, a gente não sabe. Mas sabemos que uma expressão artística é bem-sucedida quando faz com que a gente se sinta incluído, quando nos instiga e nos faz querer fazer parte daquilo de alguma maneira.
Já pensou estar no Louis Restaurant comendo um carbonara e ver Michael Corleone voltando devagar do banheiro e atirar em seus interlocutores? Ou então, estar tomando um drinque no Le Sans Blague e testemunhar a delicadeza de Wes Anderson e suas cores? O cinema faz a gente querer conhecer uma cidade, visitar uma paisagem ou experimentar uma comida. Ou simplesmente entrar num bar, puxar uma cadeira, pedir alguma coisa para beber e ver tudo acontecer.
Selecionamos dez bares do cinema que merecem uma visita imaginária. Tem boteco brasileiro, café europeu, bar de hotel, cantina intergaláctica e até um lugar onde o leite é mais perigoso que a bebida alcoólica. Não é um ranking. É um roteiro de cinema para quem gosta de bons filmes e boas histórias de balcão.
Titty Twister — Um Drink no Inferno (1996)
Imagine um bar perdido numa estrada mexicana, cheio de motociclistas mal encarados, caminhoneiros, sujeitos perigosos e apresentações bastante extravagantes. Agora imagine que tudo isso é apenas o começo dos problemas.
O Titty Twister é o estabelecimento insano de Um Drink no Inferno, dirigido por Robert Rodriguez e escrito por Quentin Tarantino. É onde os irmãos Gecko, interpretados por George Clooney e Tarantino, chegam acompanhados da família Fuller.
A decoração decadente, a música alta e a apresentação hipnótica de Santanico Pandemonium, personagem de Salma Hayek, já seriam suficientes para tornar o lugar memorável. Mas o que acontece depois transforma a visita numa questão de sobrevivência.
É um bar fictício, evidentemente. E talvez seja melhor que continue assim. Afinal, nem toda promoção de bebida compensa o risco de virar parte do cardápio.
Jack Rabbit Slim’s — Pulp Fiction (1994)
Um restaurante americano dos anos 1950, com carros transformados em mesas, garçons caracterizados como ícones de Hollywood e um concurso de dança que entrou para a história do cinema. O Jack Rabbit Slim’s é um dos cenários mais divertidos de Pulp Fiction, de Quentin Tarantino.
É lá que Vincent Vega, interpretado por John Travolta, leva Mia Wallace, personagem de Uma Thurman, para uma noite que deveria ser relativamente tranquila. Entre um milk-shake de cinco dólares e conversas sobre assuntos aparentemente banais, os dois acabam participando de um concurso de twist.
O estabelecimento é fictício, mas sua atmosfera é irresistível. Quem não gostaria de experimentar aquele milk-shake e assistir à apresentação dos dois? Só seria prudente evitar fazer uma massagem nos pés de Mia Wallace depois da dança.

Rick’s Café Américain — Casablanca (1942)
Poucos bares do cinema são tão elegantes quanto o Rick’s Café Américain, de Casablanca, clássico dirigido por Michael Curtiz.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o estabelecimento administrado por Rick Blaine, interpretado por Humphrey Bogart, reúne refugiados, militares, contrabandistas e pessoas desesperadas por uma oportunidade de deixar o Marrocos.
Há mesas de jogo, drinques, intrigas políticas e, sobretudo, música. Sam, interpretado por Dooley Wilson, toca piano e ajuda a construir a atmosfera melancólica de um lugar onde praticamente todo mundo tem uma história para esconder.
O café é fictício, embora tenha inspirado estabelecimentos reais posteriormente. Seu maior atrativo talvez seja essa mistura de sofisticação e tensão, que aliás, ajudou a consolidar uma imagem de bar que se tornaria recorrente nos filmes noir. Seria fascinante passar uma noite ali, desde que ninguém resolvesse pedir a Sam aquela música novamente.
Café Sperl — Antes do Amanhecer (1995)
Em Antes do Amanhecer, de Richard Linklater, Jesse e Céline, interpretados por Ethan Hawke e Julie Delpy, passam uma noite caminhando por Viena, conversando sobre praticamente tudo. Uma das paradas é o Café Sperl, tradicional estabelecimento da capital austríaca.
É ali que acontece a deliciosa cena dos telefonemas imaginários: os dois fingem conversar com amigos ao telefone e acabam revelando, indiretamente, o que estão sentindo um pelo outro.
O Café Sperl existe de verdade, preservando a atmosfera clássica dos cafés vienenses, onde é perfeitamente possível passar horas conversando, tomando café ou cerveja. Um lugar real, em funcionamento até hoje e perfeito para conversar até esquecer das horas.
Nota do editor: Em 2016, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, durante uma viagem pelas locações do filme em Viena. Não consegui sentar à mesa utilizada nas filmagens, mas provei um ótimo apfelstrudel.

Gold Room — O Iluminado (1980)
Um hotel isolado nas montanhas, corredores vazios, acontecimentos inexplicáveis e um bar elegantíssimo que parece funcionar mesmo quando não deveria haver ninguém por perto.
O Gold Room, do Hotel Overlook, é um dos ambientes mais perturbadores de O Iluminado, obra-prima de Stanley Kubrick baseada no romance de Stephen King.
É ali que Jack Torrance, interpretado por Jack Nicholson, encontra Lloyd, um bartender impecavelmente vestido, que lhe serve bebidas e conversa como se tudo estivesse perfeitamente normal.
A decoração luxuosa e a iluminação acolhedora contrastam com a atmosfera ameaçadora do hotel. O bar é fictício, construído para o universo do filme, mas tem personalidade suficiente para parecer um estabelecimento histórico.
O atendimento é aparentemente excelente. Só convém desconfiar quando a conta não chega e o bartender parece saber mais sobre você do que deveria.
New York Bar — Encontros e Desencontros (2003)
No alto do Park Hyatt Tokyo, o New York Bar oferece uma vista espetacular da capital japonesa, iluminação intimista, jazz ao vivo e uma atmosfera que parece convidar à introspecção.
É nesse ambiente que Bob Harris, interpretado por Bill Murray, e Charlotte, personagem de Scarlett Johansson, começam a se aproximar em Encontros e Desencontros, dirigido por Sofia Coppola.
Os dois estão em Tóquio por motivos diferentes, mas compartilham a solidão, a insônia e a sensação de não pertencer completamente àquele lugar. O bar funciona como um refúgio onde podem conversar sem precisar explicar demais suas próprias vidas.
Diferentemente de muitos estabelecimentos desta lista, o New York Bar é real e foi utilizado nas filmagens.
Talvez seja o melhor lugar da seleção para tomar um drinque sozinho, ouvir música e observar a cidade. Ou encontrar alguém que esteja tão perdido quanto você.

Bar de Neuzão — Ó Paí, Ó (2007)
No Pelourinho, em Salvador, o bar de Neuzão é um dos pontos de encontro dos personagens de Ó Paí, Ó, dirigido por Monique Gardenberg.
Interpretada por Tânia Tôko, Neuzão é uma figura marcante daquele universo de vizinhos, artistas, conflitos cotidianos e muita música. Seu bar funciona como espaço de convivência, fofoca, discussão e encontro durante o Carnaval.
O filme apresenta um retrato vibrante da vida no centro histórico de Salvador, misturando humor, música e crítica social. E o bar traduz essa atmosfera: um estabelecimento popular onde a vida acontece sem pedir licença.
É o representante brasileiro da nossa seleção e talvez o mais próximo da ideia de boteco que conhecemos. Nada de coquetéis sofisticados ou decoração futurista. O atrativo está nas pessoas, nas conversas e na cultura de rua. O puro suco de brasilidade.
Um lugar onde seria impossível tomar uma cerveja sem ouvir uma boa história.
Korova Milk Bar — Laranja Mecânica (1971)
No universo distópico de Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, o Korova Milk Bar é o ponto de encontro de Alex e seus companheiros antes de saírem pelas ruas praticando sua ultraviolência.
O ambiente parece uma instalação artística saída de um pesadelo futurista. Esculturas de corpos femininos servem como mobiliário, enquanto o contraste entre preto e branco cria uma estética tão provocadora quanto perturbadora.
A especialidade da casa é o milk-plus, leite misturado com substâncias psicoativas. Nada de cerveja artesanal, aperol, negroni ou qualquer drinque hypado: aqui o cardápio é tão estranho quanto a clientela.
O Korova é fictício, mas se tornou um dos bares mais reconhecíveis da história do cinema. Vale a visita imaginária pela decoração e pela experiência de estar dentro da visão estética de Kubrick.
Quanto aos frequentadores, melhor manter distância. Principalmente se alguém começar a cantar uma melodia de Ludwig van.

Museo Chicote — Abraços Partidos (2009)
O Museo Chicote é um tradicional bar de coquetéis na Gran Vía, em Madri, conhecido pela decoração art déco e pela longa história ligada à vida cultural da cidade.
Em Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar, o estabelecimento aparece numa cena importante envolvendo Judit, personagem de Blanca Portillo, que bebe gim-tônicas enquanto enfrenta lembranças e segredos do passado.
O bar é real, e sua atmosfera combina com o universo de Almodóvar: elegância, intensidade emocional, personagens complexos e a sensação de que toda conversa pode acabar numa revelação inesperada.
Com seu balcão clássico, espelhos e iluminação sofisticada, o Chicote é um daqueles lugares onde o cenário já conta uma história antes mesmo de alguém abrir a boca.
Uma ótima opção para tomar um drinque em Madri. Só não espere que a conversa permaneça superficial por muito tempo.
Cantina de Mos Eisley — Star Wars: Uma Nova Esperança (1977)
Se existe um bar onde você pode encontrar literalmente qualquer tipo de frequentador, é a cantina de Mos Eisley, no planeta Tatooine.
Em Star Wars: Uma Nova Esperança, de George Lucas, Luke Skywalker e Obi-Wan Kenobi entram no estabelecimento à procura de um piloto. Encontram Han Solo, Chewbacca e uma coleção extraordinária de criaturas alienígenas.
A música da banda de Figrin D’an e os Modal Nodes ajuda a transformar o ambiente num dos cenários mais reconhecíveis da saga. O lugar mistura saloon de faroeste, boteco de porto e ponto de encontro de contrabandistas intergalácticos.
A cantina é fictícia, mas sua atmosfera é imediatamente familiar para qualquer pessoa que já entrou num bar de reputação duvidosa.
O atendimento tem suas particularidades: droides não são bem-vindos, e algumas discussões podem terminar com disparos de blaster. Mas quem sabe você não consegue uma carona na Millennium Falcon?

Bares do cinema: um brinde às boas histórias
Ficaram de fora lugares memoráveis, como o Cafe 80’s de De Volta Para o Futuro, o Hollywood Star Lanes, onde o Dude joga boliche em O Grande Lebowski, o The Lighthouse Café de La La Land e tantos outros.
Mas é justamente essa a graça: o cinema está cheio de bares onde gostaríamos de entrar, seja pela música, pela decoração, pela companhia ou pela possibilidade de presenciar uma cena inesquecível.
E você? Qual bar do cinema faltou nesta lista? Em qual deles pediria a primeira rodada?
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Porque uma boa camiseta, assim como um bom bar, sempre rende assunto.

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