De Dudeísmo a Red Hot Chilli Peppers – 10 Curiosidades sobre The Big Lebowski 

De Dudeísmo a Red Hot Chilli Peppers –              10 Curiosidades sobre The Big Lebowski 

Pode ter certeza. Ninguém em Hollywood faz filmes como os Irmãos Coen. Mas calma. Isso não quer dizer que eles façam os filmes mais incríveis, que sejam melhores que gente como Martin Scorsese ou Quentin Tarantino. Não é isso. Ninguém em Hollywood faz filmes como os Irmãos Coen, porque eles conseguiram desde muito cedo desenvolver uma linguagem tão original, que não se parece com nada que foi feito antes deles. É a mesma coisa de querer comparar uma banda tipo Morphine com alguma outra. Não é uma banda genial, mas não tem nada muito parecido com o som que o trio fazia. 

A originalidade já começa pelo fato de que os dois irmãos, Ethan e Joel Coen, se revezam nos créditos de seus filmes. Em um filme um aparece como diretor e o outro como roteirista, no próximo eles trocam, e assim vai. Ou seja, a gente nunca sabe quem faz o quê. O mais certo é que eles trabalham realmente em dupla tanto escrevendo como dirigindo. Nessa pegada, eles construíram uma filmografia vigorosa, com filmes marcados por um humor peculiar, uma fotografia sempre muito bem executada, seguindo mais os padrões do cinema europeu, e personagens inusitados extremamente bem construídos. Um dos primeiros filmes da dupla, Arizona Nunca Mais, de 1987, é prova disso. O protagonista interpretado brilhantemente pelo Nicolas Cage é encantador e canastrão ao mesmo tempo! Mas é claro que, em se tratando de personagem marcante, não dá pra não pensar no the one and only The Dude! 

The Big Lebowski é o oitavo filme da carreira dos irmãos Coen. Diferente de Arizona Nunca Mais e Fargo, a princípio The Big Lebowski não fez tanto sucesso de público e nem de crítica. Teve uma recepção morna. Talvez porque o ano em que ele foi lançado, 1998, estivesse já recheado de grandes filmes, muitos deles mais densos e sérios. Pra você ter ideia, são de 1998 O Homem da Máscara de Ferro, O Resgate do Soldado Ryan, O Show de Truman, Medo e Delírio em Las Vegas, Patch Adams, Além da Linha Vermelha, A Outra História Americana e muitos outros. Mas O Grande Lebowski é o tipo de filme que envelheceu bem, foi sendo redescoberto com o passar dos anos. Sem falar que, mesmo não tendo a profundidade e a produção nababesca dos filmes aqui citados, O Grande Lebowski é sim um ótimo filme e não deixa nada a desejar aos lançamentos daquele ano. 

Basicamente, Jeff Lebowski é um cidadão bem característico da costa oeste norte americana do início dos anos 90. Um cara pacato, sem posses, de poucos, mas bons amigos, que aprecia uma vida tranquila, fumar maconha e jogar boliche. Ah, sim, ele também prefere ser chamado de The Dude. Acontece que essa vida tranquila do Dude vai ser interrompida por uma dívida milionária, um tapete cheio de xixi, um outro Jeff Lebowski, um sequestro destrambelhado e uma banda de eletro rock decadente. Simplesmente, são elementos que formam uma receita imbatível para um filme maravilhoso. Então selecionamos 10 curiosidades sobre este filme tão querido, que com certeza vão fazer com que, quem ainda não viu queira muito ver, e quem já viu, queira muito rever. 

1 – Inspiração num livro

O enredo do filme foi inspirado no clássico livro O Sono Eterno, uma das obras primas da literatura noir, escrito por Raymond Chandler. O livro narra a história de um detetive particular que é procurado por um velho milionário para investigar o sequestro de sua jovem esposa. Os Irmãos Coen já declaram que o livro foi uma inspiração para a trama, mas não para a construção dos personagens. 

2 – Atores e personagens

Apenas quatro personagens do filme foram escritos especificamente para serem interpretados por determinados atores. São eles: Jeff “The Dude” Lebowski, o cowboy que narra o início da história, Walter Sobchak e Donny. Os Irmãos Coen já revelaram que o filme não teria saído se Jeff Bridges não topasse interpretar The Dude. O personagem foi todo escrito pensando no jeito de falar e na aparência de Bridges. A voz grave, o sotaque sulista e o bigode volumoso de Sam Elliot também já estavam nos planos dos Coen quando criaram o cowboy. John Goodman e Steve Buscemi também serviram como parâmetro para os personagens Walter e Donny, respectivamente. 

3 – Walter Sobchak e John Milius 

Os Irmãos Coen eram muito amigos do diretor e roteirista John Milius, um cara bem excêntrico. Quando começaram a desenvolver o personagem Walter Sobchak, um cara durão, veterano do Vientã, que curte armas de fogo, logo se lembraram de Milius. Colecionador de armas, esquentado, pragmático, briguento, de colete cheio de bolsos e óculos escuros estilo aviador, Milius parecia estar sempre pronto para sair para uma caçada. E John Goodman caiu como uma luva, pois tem o porte físico de Milius, além de ser um baita ator. Ah, só pra lembrar. John Milius escreveu o roteiro de Apocalipse Now, além de ter escrito e dirigido Conan, O Bárbaro e Amanhecer Violento. 

4 – A segunda opção para Bunny Lebowski 

Bunny Lebowski é a jovem esposa do velho e rico Jeff Lebowski, que é sequestrada. A personagem é a típica garota deslumbrada e sem escrúpulos de Hollywood. Uma jovem bonita, mas de comportamento vulgar e com um talento ímpar para gastar mais dinheiro do que consegue ganhar. Os Irmãos Coen queriam que a personagem fosse interpretada pela Charlize Theron. Mas ela estava envolvida com a produção do excelente Advogado do Diabo e não aceitou. O papel acabou ficando com a Tara Reid, estreante no cinema e sem muita expressão. Caso o papel ficasse com Charlize Theron, certamente a personagem ganharia mais destaque no filme. 

5 – Figurino caseiro 

Não só o personagem The Dude foi escrito para o Jeff Bridges, como o próprio ator se sentiu totalmente à vontade para interpretá-lo. À vontade até demais. A ponto de praticamente todas as roupas que o ator aparece usando no filme são dele mesmo, e não figurinos escolhidos pela produção. Algumas cenas, inclusive, Bridges foi com a roupa que estava em casa para o estúdio, só fez a maquiagem e entrou em cena. Mais à vontade que isso, impossível! 

6 – Autobahn Chilli Peppers 

Um trio de delinquentes estão envolvidos no suposto sequestro de Bunny Lebowski. São caras que tinham uma banda de eletro rock chamada Autobahn. Uma referência descarada ao Kraftwerk. O curioso é que um dos integrantes desse trio de maloqueiros é ninguém menos que o Flea, baixista do Red Hot Chilli Peppers. Flea é amigo de Jeff Bridges, e na época era figurinha carimbada nas festas mais descoladas de Hollywood. Os Irmãos Coen foram com a cara dele, que acabou ganhando o papel. Ele aparece pouco e quase não tem falas, mas tá lá, pra reforçar a aura noventista do filme. 

7 – Trilha sonora 

Um dos pontos altos do filme é a sua trilha sonora. A escolha das músicas foi impecável e inusitada. Num filme com uma estética e linguagem tão diretamente ligadas aos anos 90, a trilha sonora impressiona por ser plural, mas com ênfase no country, e southern rock dos anos 70, no jazz e nos experimentalismos da world music. E são músicas ótimas! A começar pela emblemática The Man in Me, do Bob Dylan que abre o filme. Mas também tem Elvis Costello, Nina Simone, Kenny Rogers, Captain Beefheart e a ótima versão de Hotel California dos Gipsy Kings. 

8 – The Dude’s drink 

Todo bom personagem que se prese tem um drink como marca registrada. Desde o simples whisky de Don Draper, em Mad Men, até o específico Vodca Martini batido, e não mexido, de James Bond. É claro que o The Dude não ia ficar de fora dessa. No filme fica evidente sua paixão por um drink que ele chama ocasionalmente de “caucasian”, mas que oficialmente se chama White Russian. É uma bebida que leva vodca, licor de café, creme de leite e gelo. Não se sabe direito qual a origem do White Russian, mas se sabe que ele já era popular no final dos anos 60 na costa oeste dos Estados Unidos e se espalhou por todo o país nos anos 70, sempre presente nas discotecas e casas noturnas. Nos anos 80 ficou fora de moda e desapareceu da maioria dos cardápios, até os Irmãos Coen desenterrarem esse drink sabe-se lá porquê. 

9 – De recepção morna a filme cult 

 O Grande Lebowski teve um orçamento estimado em 15 milhões de dólares. Nos Estados Unidos ele arrecadou nos cinemas 18 milhões. No mundo todo aproximadamente 46 milhões de dólares. Não são números ruins, certo? Mais ou menos. Hollywood está acostumada com lucros bem maiores. O Resgate do Soldado Ryan, por exemplo, no mesmo ano, teve um orçamento de 70 milhões e arrecadou nos cinemas mais de 480 milhões de dólares. Mas o fato é que O Grande Lebowski foi se tornando aquele filme antigamente chamado tesouro de locadora. A leveza, a simplicidade, o humor, a pitada de psicodelia, a trilha sonora e as ótimas atuações fizeram com que o boca a boca tornasse O Grande Lebowski num dos filmes mais procurados das video locadoras. Sem falar que virou referência pop com falas como “The Dude abides.” e gerando memes até hoje. 

10 – Dudeísmo 

O céu é o limite para O Grande Lebowski. Não é à toa que, quando determinada obra ganha o adjetivo “cult”, ela passa a ser cultuada, considerada genial e apreciada por gente descolada, alternativa, intelectual. Acontece que o lado cult d’O Grande Lebowski foi longe demais. Em 2005 o jornalista Oliver Benjamin fundou The Church of the Latter-Day Dude, a Igreja do Dude do Último Dia, criando assim o Dudeísmo. E se você acha que é piada, achou errado. O Dudeísmo é uma comunidade essencialmente virtual de mais de 600 mil pessoas, tem sua própria filosofia, que mistura taoísmo, zen-budismo e filosofia humanista, com livros publicados, igrejas e tudo o mais. No site oficial, você é recebido com a mensagem: “Dudeísmo é uma filosofia que prega a não-pregação, pratica o mínimo possível e, acima de tudo, uh… perdi minha linha de raciocínio. De qualquer forma, se você quiser encontrar paz na terra e boa vontade, cara, nós o ajudaremos a começar.” Se você quiser experimentar, é só acessar dudeism.com 

Pra concluir, O Grande Lebowski é um fenômeno! Um filme excelente, com uma porção de referências pop, boa música, humor, viagem, aquela crítica gostosa ao conservadorismo… enfim, tudo que a gente gosta! Então é claro que O Grande Lebowski está na lista de referências e preferências a Strip Me! Tanto é que já ganhou uma estampa linda! E tem muitas outras estampas incríveis de cinema, música, arte, cultura pop e muito mais. Dá uma conferida na nossa loja e aproveita pra se atualizar na seção de lançamentos

Vai fundo: 

Para ouvir: Claro, uma playlist delícia com as 10 mais da trilha sonora do filme! The Big Lebowski Top 10 tracks

Para ler: O Raymond Chandler é dos grandes mestres da literatura noir! E o livro que inspirou O Grande Lebowski, O Sono Eterno, é realmente muito bom e saiu aqui no Brasil pela editora LP&M. É leitura altamente recomendável. 

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