8 artistas sul-americanos que ganharam o mundo.

8 artistas sul-americanos que ganharam o mundo.

Os sons ancestrais, vibrantes e plurais de europeus, indígenas e africanos, quando combinados à música contemporânea pop são irresistíveis. E não é de hoje. Portanto, a Strip Me apresenta 8 artistas da América do Sul que ficaram mundialmente famosos e você precisa conhecer melhor.

O imperialismo cultural está por aí faz séculos. Claro, a coroa passou por diferentes cabeças, mas sempre esteve presente. Do ponto de vista ocidental, no passado ainda tinha a vantagem de o mundo ser um lugar bem menor. Antes das navegações, o que se conhecia era ali a Europa, um pedacinho da África e um pedacinho da Ásia. Quem mandava culturalmente no mundo eram os romanos. Depois, com a criação dos reinos e o advento das navegações, Espanha e Portugal dominaram, mas por pouco tempo. Logo a Inglaterra se destacou e passou a ter influência fortíssima, mais política e econômica do que cultural, é verdade. No século XIX a França despontou como grande pólo de artes, literatura, música e teatro, ditando tendências para o mundo até o comecinho do século XX. Depois disso, os Estados Unidos dominaram a parada e até hoje são sua música e cinema que dominam o mundo.

Mas se a maioria dos artistas da música conhecidos mundialmente são dos Estados Unidos (ou da Inglaterra, vá lá…), vira e mexe pintam algumas exceções. Artistas que não cantam em inglês, mas que conseguem se comunicar e expressar uma arte tão vigorosa e única, que acabam conquistando o mundo. E olha que isso não se restringe ao nosso mundo acidental. Tá aí o K-Pop que não nos deixa mentir. Mas aqui a gente, descaradamente, puxa a sardinha pro nosso lado, então a Strip Me está aqui hoje para mostrar que a América do Sul sempre foi celeiro de artistas brilhantes e que conquistaram fama mundial. Confere aí a nossa lista dos principais.

Carmen Miranda

A história da Carmen Miranda é louqíssima, cheia de êxitos e reveses. A gente já fez um texto só pra ela aqui no blog, dá uma olhada aqui. Cantora extraordinária, afinadíssima, e dona de uma beleza e carisma magnéticos. Ela fez sucesso no Brasil, depois foi para os Estados Unidos, onde caiu nas graças de Hollywood e levou a música brasileira e toda uma estética de cores e alegria para todo o mundo. Ela nasceu em Portugal, mas se mudou para o Brasil antes de completar um ano de idade. Passou perrengue na infância, começou a trabalhar ainda adolescente, com 21 anos se descobriu cantora e logo foi alçada ao posto de grande cantora do rádio. No fim dos anos 30, começo dos anos 40, conquistou os Estados Unidos e o mundo se apresentando na Broadway e protagonizando filmes. Passou por um casamento complicado e morreu nova, aos 46 anos. Uma das primeiras divas do showbusiness do mundo!

Astor Piazzolla

Muita gente acredita que, para alguém ser considerado um gênio, antes precisa ser incompreendido. Se isso é uma verdade absoluta a gente não sabe, mas com certeza o argentino Astor Piazzolla se encaixa encaixa nessa descrição. Músico desde garoto, Piazzolla sempre foi apaixonado pelo tango, começou a tocar bandoneón com oito anos de idade. Viveu alguns anos de sua juventude nos Estados Unidos, onde tomou gosto pelo jazz. Com vinte e poucos anos, começou a compor e misturar seus conhecimentos de música erudita, tango tradicional e jazz. Foi taxado de louco e herege pelos puristas, por desvirtuar as bases tradicionais do tango. Mas criou uma música envolvente e contemporânea que conquistou o mundo. Chegou a gravar com grandes nomes como Gary Burton e o nosso maestro Tom Jobim. Hoje em dia Piazzolla não só é reconhecido no mundo todo como um dos músicos mais notáveis, como é um dos grandes orgulhos dos argentinos.

Tom Jobim

Falando no maestro, não tem como não incluir nessa seleta lista o nome de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Afinal, estamos falando do cara que praticamente inventou a bossa nova, junto com João Gilberto e Vinícius de Moraes, e o autor da segunda música mais regravada em todo o mundo, ficando atrás apenas de Yesterday, dos Beatles. Tom Jobim era único! Multi instrumentista, arranjador, e compositor, fazia tudo com perfeição. Não por acaso, dizia que sua maior influência era a natureza, ele gostava de ir pro meio do mato ouvir os passarinhos cantar. Por isso sua música era sofisticada e simples ao mesmo tempo. Morou um tempo nos Estados Unidos, onde chegou a gravar um disco com Frank Sinatra e acabou influenciando muita gente da música norte americana. Ainda hoje reverenciado aqui no Brasil e lá fora, o homem que é brasileiro até no nome é um dos maiores compositores do mundo.

Lucho Gatica

Luis Enrique Gatica Silva nasceu no Chile e, ainda jovem, deu início a uma carreira promissora como cantor de boleros. Com uma voz imponente e carisma indubitável, viu seu sucesso crescer gradativamente, o que permitiu que ele tivesse uma centrada, sem se entregar a excessos. Em 1956 fez uma turnê que percorreu a costa do pacífico, do Chile até a Venezuela, consolidando sua carreira na América Latina. No ano seguinte conquistou a América Central e decidiu, por fim, se estabelecer no México, onde se casou. Em 1959, ia regularmente aos Estados Unidos, onde fez amizade com celebridades tais quais Elvis Presley e Nat King Cole. Gatica foi um dos responsáveis por tornar o bolero um gênero musical popular no mundo inteiro. Em sua voz se tornaram clássicos absolutos No Me Platiques Mas, Con Mi Corazón Te Espero, Tu Me Acostumbraste e a inconfundível Besame Mucho. Hoje isso tudo pode parecer meio irrelevante, o bolero é coisa de velho e tal… mas a real é que caras como Lucho Gatica foram responsáveis por levar a cultura sul-americana para o mundo, fazendo sucesso sem abrir mão de sua música e nem mesmo seu idioma. Gatica atuou ainda como apresentador de televisão e ator, se apresentou nos palcos de todos os continentes do mundo e, em 2008 ganhou uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood. Faleceu aos 90 anos de idade em 2018, encerrando uma carreira de 70 anos.

Jorge Drexler

Drexler é um desses personagens tão brilhantes quanto pitorescos. É uruguaio e teve uma formação rígida e formal. É formado e atua como médico otorrinolaringologista. Além disso é um compositor com fama mundial. Após cumprir suas obrigações perante a família, completando os estudos e se formando médico, investiu em sua grande paixão: a música. E não é que ele acabou se mostrando um compositor de talento? Com 14 discos lançados desde 1992 até agora, foi em 2005 que Drexler ganhou notoriedade para além de América Latina. Sua canção Al Otro Lado del Rio foi incluída na trilha sonora do filme Diários de Motocicleta e acabou por se tornar a primeira música cuja letra não é cantada em inglês, a ganhar o Oscar de Melhor Canção Original. Desde então, Jorge Drexler tem seus discos muito elgiados e com boas vendas nos Estados Unidos, Europa e, é claro, aqui na América do Sul.

Shakira

Shakira é, indiscutivelmente, um fenômeno, uma força da natureza. Nasceu de uma família modesta na Colômbia. Aos 8 anos de idade, estava com os pais num restaurante árabe e se encantou com uma apresentação de dança do ventre e o som do doumbek, instrumento de percussão típico do Oriente Médio. Desde então passou a viver para a música e dança. Lançou seu primeiro disco aos 13 anos de idade, com canções de sua autoria. Seus dois primeiros discos, lançados em 1991 e 1993 respectivamente, foram razoavelmente bem sucedidos na Colômbia. Já em 1995, influenciada por mulheres como Alanis Morissette, Shakira amadureceu suas canções e lançou o ótimo disco Pies Descalzos. Este foi o disco que deu o pontapé definitivo nas portas do mundo, entrando na lista de mais vendidos da Billboard nos Estados Unidos. De lá pra cá, já são 12 discos lançados e turnês mundiais super concorridas. Além de uma estrela pop mundial, Shakira é atriz e empresária no ramo da moda, além de ser a embaixadora da Unicef na Colômbia e manter uma importante entidade de acolhimento á crianças desamparadas. Um diva do tamanho do mundo.

Anitta

Por falar em mulheres fortes e empreendedoras, também não poderia ficar de fora a maior diva brasileira dos últimos tempos. Anitta é um exemplo a ser seguido, muito mais por sua postura perante a vida do que pelo conteúdo de sua obra musical. Mas, calma. Claro que a música da Anitta é relevante e tem qualidade, mas assim como boa parte da produção de funk, pop e reggaeton, muitas das letras giram em torno de festas, ostentação e frases de duplo sentido, o que para conservadores em geral, pode soar um pouco chocante. Mas o importante é saber que Anitta veio de uma comunidade pobre do Rio de Janeiro, cantou em coral de igreja, deu aula de dança de salão e estudou administração e marketing, até que teve a oportunidade de ter uma música sua lançada pelo selo de funk Furacão 2000. A faixa Mega e Abusada viralizou e abriu caminho para o seu primeiro disco, lançado em 2012 e impulsionado pelo megahit Show das Poderosas. De cara, seu primeiro disco já foi indicado no Grammy Latino. Daí em diante, Anitta, que até hoje gerencia e planeja suas ações de marketing, já fez de tudo. Atuou em séries e cinema, empresaria outros artistas, lança linhas de cosméticos com seu nome, além de, em sua carreira musical, estar em frequente movimento, não se prendendo a um estilo. Já fez parcerias com muita gente, de Caetano Veloso a Madonna, já ganhou prêmios no mundo inteiro e é, ainda hoje, uma das artistas mais ouvidas no Spotify no mundo inteiro! Ufa!

Alok

Alok Achkar Peres Petrillo nasceu em Goiânia num lar já envolto em música. Seus pais, Adriana Peres Franco e Juarez Achkar Petrillo são DJs profissionais, foram os precursores do psy trance no Brasil e idealizaram o maior festival de música eletrônica do país, o Universo Paralello. Alok viajou o mundo acompanhando os pais e tomou gosto pela profissão. Em 2004 iniciou sua carreira com o projeto Lógica, um duo com seu irmão Bhaskar Petrillo. Em 2013, já como artista solo, Alok emplacou o sucesso We Are Underground em seu perfil do Soundcloud e no Youtube, sendo convidado a se apresentar em vários festivais ao redor do mundo. Em 2016 ganhou o mundo de vez com o hit Hear Me Now, que, à época de seu lançamento, encabeçou a lista de mais executadas no iTunes e Spotify, além de superar 10 milhões de views no Youtube. Hoje é considerado um dos melhores DJs em atividade no mundo, é produtor musical e dono de um selo e foi considerado recentemente uma das pessoas mais influentes do mundo com menos de 30 anos de idade. Ainda com 32 anos de idade e um currículo desses, o céu é o limite.

Bonus Track

Para não dizerem por aí que somos muito bairristas, faremos uma menção honrosa a dois artistas latinos que não são sul-americanos, mas que tem imensa relevância na música mundial. Um é o conjunto cubano Buena Vista Social Club, formado por músicos veteranos da cena de Havana sob a coordenação musical do guitarrista Ry Cooder. Em 1996 Cooder produziu e gravou um disco do conjunto, que acabou vendendo milhões, tirou do ostracismo músicos de mais de 70 anos de idade como Compay Segundo e Ibrahim Ferrer e rendeu um documentário, lançado em 1999, dirigido por Wim Wenders, que não só rendeu uma indicação ao Oscar, como reavivou o interesse do mundo pela música cubana. E o disco é realmente maravilhoso. Também não dá pra deixar de falar da banda mexicana Cafe Tacvba, uma das bandas mais inventivas e interessantes da década de 90. O segundo disco da banda, Re, foi lançado em 1994 e é considerado sua obra prima. O disco extrapolou as fronteiras do México e conquistou toda a América Latina, além de ser considerado um dos melhores discos do ano pela revista Rolling Stone. A Cafe Tacvba carrega ainda o êxito de ser a primeira banda a gravar um disco acústico lançado oficialmente pela MTV dos Estados Unidos cantando em outra língua que não o inglês. E, tanto o Re, como o MTV Unplugged da banda são maravilhosos. Aliás, toda sua discografia é sensacional.

Esse mundão véio sem porteira é maravilhoso e tem de tudo! Mas é sempre bom a gente lembrar das coisas boas que a gente tem aqui em volta de nós, né? E nós, aqui do Brasil, precisamos valorizar cada vez mais o que é produzido pelos nossos vizinhos, afinal, estamos todos no mesmo barco. E a América Latina como um todo produz tanta coisa incrível, que a Strip Me tem uma coleção toda dedicada a essa latinidade, a Coleção Tropics. Mas tem também as camiseta de música, cinema, arte, cultura pop, brasilidades, bebidas… dá uma olhada lá no nosso site! Lá você também fica por dentro de todos os lançamentos, que pintam toda semana.

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist caprichada com cada artista que foi citado neste texto. Latinos no Mundo Top 10 Tracks!

Para assistir: Vale a pena demais conferir o documentário Quebra Tudo! A História do Rock na América Latina, uma produção da Netflix lançada em 2020. Nos 6 episódios do doc, aparecem bandas vindas desde a Argentina até o México. É muito interessante e dá pra ficar conhecendo muita banda legal.

8 atributos que justificam a majestade absoluta de Madonna na música pop.

8 atributos que justificam a majestade absoluta de Madonna na música pop.

Ousada e icônica, ela é a própria definição da reinvenção. A Strip Me apresenta 8 argumentos irrepreensíveis que explicam porquê Madonna é a rainha do pop, conquistando o mundo com sua música, estilo e atitude inconfundíveis.

Madonna é uma dessas artistas inexplicáveis, difíceis de serem definidas. Mas se a gente dissecar sua vida e obra, camada por camada, vamos descobrir que o que torna Madonna tão especial é sua habilidade de se reinventar a cada era. Ela não apenas segue as tendências, ela as define. Dos trajes provocantes à espiritualidade de Like a Prayer, passando pela música eletrônica de Ray of Light e chegando à exploração das sonoridades latinas em Music, Madonna sempre esteve à frente de seu tempo.

Aos 66 anos, Madonna continua a desafiar as expectativas e a quebrar barreiras. Fazendo turnês, produzindo música e se engajando em causas sociais, ela esbanja uma energia inigualável e vai deixando um legado brilhante e imortal. Para reforçar isso tudo, a Strip Me traz 8 faces da personalidade de Madonna que justificam seu status de rainha.

Mulher de família.

Apesar do que muita gente pensa, Madonna não é apelido, é nome mesmo. Ela nasceu Madonna Louise Ciccone em 16 de agosto de 1958. Foi batizada com o mesmo nome da mãe, que também ao contrário do que se pensa, não era italiana, mas sim franco-canadense. O pai dela sim era descendente de italianos. É a terceira de seis filhos que o casal Madonna e Silvio tiveram. Porém, a mamãe Madonna faleceu aos 30 anos, vítima de um câncer, quando Madonna filha tinha apenas cinco anos de idade. Madonna cresceu muito ligada à família, que era toda católica, o que viria a influenciar sua música e opiniões controversas no futuro. Madonna foi casada duas vezes e tem seis filhos, sendo dois deles biológicos e quatro adotivos. Suas relações familiares dizem muito sobre sua carreira. Madonna sempre foi crítica ao fanatismo religioso e ativista humanitária.

Rock n’ Roll Girl.

Desde nova Madonna já apresentava aptidão para as artes, dançava e cantava. Adolescente, ouvia tudo que tocava no rádio. Eram os anos 70 e a música negra de James Brown, Sly and The Family Stone e muitos outros, dominava o dial. Com 20 anos de idade e 35 dólares no bolso, Madonna se despediu da família em Bay City, cidade provinciana do estado de Michigan, para ser dançarina profissional em New York. Foi a primeira vez que ela viajou de avião e, chegando em NY, pela primeira vez andou de taxi. Em New York ela fez parte de alguns grupos de dança, até que começou a namorar um músico e passou a conhecer a cena punk e new wave da cidade. Logo montou uma banda com o namorado, chamada Breakfast Club, onde tocava bateria, e guitarra em uma ou outra música. A banda durou pouco e, em seguida ela entrou em outra banda, chamada Emmy, onde desta vez ela era vocalista e guitarrista. Madonna sempre afirmou que consome e gosta de todo tipo de música, mas sempre coloca Debbie Harry e Chrissie Hynde como suas grandes influências.

Rainha dos anos 80.

Mas Madonna começou pra valer seu reinado quando abandonou a banda Emmy e decidiu tentar uma carreira solo apostando em suas próprias composições. Ela então conseguiu assinar com a Sire Records, um selo vinculado ao grupo Warner, que lançou Ramones, Talking Heads, Blondie e tantos outros artistas da cena novaiorquina. Seu primeiro disco, Madonna, lançado em 1983, já chegou de cara ao top 10 da Billboard, impulsionado peplo hit Holiday. Em 1984 sai Like a Virgin e Madonna é realmente alçada ao estrelato. Em 1986 True Blue vende como água contendo clássicos como Papa Don’t Preach e La Isla Bonita. A década é encerrada com o lançamento do polêmico Like a Prayer em 1989, que, além de tudo, teve participação do Prince. Em resumo, Madoona se sagrou a artista que mais vendeu discos na década de 80, emplacando dezenas de hits entre 1983 e 1989. Ali começou o reinado que ninguém conseguiu tirar dela até hoje (e nunca vão tirar).

Empresária de sucesso.

Madonna entrou na década de 90 como uma das maiores artistas do mundo, faturando alto com seus shows e discos. Ao invés de torrar essa grana toda, ela investiu em alguns imóveis e fundou uma empresa multimídia chamada Maverick. A empresa engloba vários setores de mídia como uma gravadora (Maverick Records), uma produtora de filmes (Maverick Films), edição de livros, edição de música, uma divisão de discos latino (Maverick Musica) e uma produtora de televisão. Assim, ela passou a lançar seus discos de maneira quase independente, só dependendo de uma grande gravadora (no caso, a Warner) para distribuição. O primeiro lançamento da empresa foi justamente o polêmico disco Erotica. Além disso, Madonna ganha dinheiro co produzindo filmes, fazendo lançamentos no segmento da moda em parceria com H&M e Dolce & Gabbana, e abrindo até uma rede de academias chamada Hard Candy Fitness com unidades por todo Estados Unidos e outros cinco países. Além disso tudo, ela também investe em obras de arte, adquirindo originais de Fernand Legér, Tamara de Lempicka, Frida Kahlo e Pablo Picasso.

Ativista.

Por desde a adolescência ser questionadora dos dogmas da igreja católica e conviver no meio artístico, Madonna desenvolveu uma noção de empatia por minorias como a comunidade gay. Logo que começou a ter maior autonomia, passou a produzir cada vez mais músicas e vídeo clipes provocativos e questionadores. Com o tempo passou a também a atuar em prol do combate à pobreza, fundando a instituição Raising Malawi. Além disso, sempre se declara a favor da comunidade LGBTQIA+, já ajudou organizações de assistência a portadores do HIV, e defendeu grupos feministas. Madonna também é vegetariana e defende frequentemente este hábito, que faz parte de um discurso que defende a sustentabilidade do meio ambiente e o cuidado com os animais.

Multi-Mulher.

Madonna entendeu logo que entrou no mundo do showbiz que fazer só o básico do que esperam de um artista não é suficiente. Assim, ela se dedicou a muitas outras atividades além da música. Pra começar, assim que conquistou sucesso na música, Madonna já voltou sua atenção para o cinema. Entre 1985 e 2006 ela atuou em mais de dez filmes, e em 2008 estreou como diretora, assinando o filme Filth and Wisdom. Em 2011 repetiu a dose dirigindo o longa W.E. Madonna também se aventurou no munda da literatura infantil escrevendo uma série de 5 livros chamada As Rosas Inglesas. Isso tudo sem falar no seu lado empresarial. Madonna é incansável!

Recordista.

Tanto trabalho tem que gerar algum resultado, né? O primeiro, claro, é financeiro. Madonna é uma das mulheres mais ricas e bem sucedidas do mundo. E, sendo a música o foco principal de sua vida profissional, claro que ela acabou acumulando alguns recordes na indústria musical. Madonna entrou para o Guinnness Book, o livro dos recordes, em 2023, ao atingir a marca de 400 milhões de álbuns vendidos. Com isso, Madonna se tornou a artista feminina mais vendida da história, e, no geral, ficou atrás apenas dos Beatles, Elvis Presley e Michael Jackson. Em 1993 colocou 120 mil pessoas dentro do estádio do Maracanã, o maior público para quem ela já se apresentou até hoje. Com suas turnês gigantescas, é a artista que mais vendeu ingressos de shows na história da música pop! Ou seja, qualquer superlativo utilizado para se referir à Madonna é justificado.

Influente.

Bom, não precisamos nem dizer que se não fosse pela Madonna não existiriam Britney Spears, Lady Gaga, Rihanna, Dua Lipa e muitas outras cantoras pop. Mas Madonna é mais do uma figura influente entre artistas. Ela ajudou a moldar a cara dos anos 80 e 90 ao se preocupar tanto com a estética de seus videoclipes, o figurino que usava em shows e nos filmes. Ajudou a criar um perfil de mulher mais independente, bem resolvida com sua sexualidade e decidida a romper com o patriarcado e machismo que vigoraram tanto até os anos 90, e vêm arrefecendo desde as duas últimas décadas. Que nos perdoem mulheres incríveis como Billie Holiday, Carole King, Joan Baez e Janis Joplin, mas não existe umas mulher no mundo que tenha exercido maior influência artística e de comportamento do que Madonna.

Pronto! Está mais do que justificada a majestade soberana de Madonna. A mulher que reinventou o conceito de diva pop, que começou com lá atrás com as pin-ups e atrizes como Marilyn Monroe. A maior cantora dos últimos 40 anos. Diante de um reinado tão virtuoso, só resta à Strip Me se curvar e prestar sua reverência. Por isso, dentro da nossa coleção de camisetas de música, você vai encontrar, claro, algumas estampas fazendo referência à Madonna, pra você arrasar no look quando for pro show da diva aqui no Brasil. E tem também as nossas coleções de arte, cinema, cultura pop, brasilidades e muito mais. É só colar no nosso site pra conferir e ficar por dentro dos nossos lançamentos, que pintam toda semana.
Vida longa à rainha!

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist com o crème de la crème da obra da Madonna. Madonna Top 10 tracks.

8 fatos que você precisa saber sobre o Blink-182.

8 fatos que você precisa saber sobre o Blink-182.

O Lollapalooza está chegando! E com ele o aguardadíssimo show da banda Blink-182. Para preparar o espírito para esse momento memorável, a Strip Me te conta 8 fatos interessantes sobre o trio mais engraçadinho do punk rock.

Blink-182, a banda que tornou “What’s my age again?” o hino dos eternos adolescentes em todo o mundo. Formada por Mark Hoppus, Tom DeLonge e Travis Barker, a banda passou com competência e muito bom humor pela porta do mainstream, aberta pelo Green Day e Offspring. Assim, conquistou uma legião de fãs com seu punk rock entusiasmado e letras irreverentes. E justamente envelhecer parece que não foi fácil para o trio, que ficou famoso, além da música, por aprontar mil travessuras fora dos palcos e não levar a vida nada a sério. Mas, por fim, parece que tudo foi se ajeitando. A banda foi ícone teen, foi desprezada e tida como vendida pelos punks, mas foi amadurecendo e ganhando o respeito da crítica musical e da cena punk. Hoje é uma das bandas com os shows mais disputados do mundo.

E, finalmente chegou a vez do Brasil conferir esse show, depois de três tentativas frustradas da banda vir para a terra tupiniquim. Isso graças ao festival Lollapalooza, que desde 2012 nos brinda com shows incríveis e toda a estrutura de um grande festival. Era para a banda ter tocado ano passado no festival, mas acabou cancelando sua vinda, mas para este ano o show está garantidíssimo! Para te ajudar a ir esquentando os motores para este show tão esperado, a Strip Me conta 8 fatos para você ficar conhecendo melhor Mark Hoppus e sua turma.

Blink antes do 182.

A banda foi formada por um trio de amigos adolescentes, ainda no colégio, em 1992. Quando começou a realmente ser levada a sério por seus integrantes, Mark Hoppus, baixo e voz, Tom DeLonge, guitarra e voz, e Scott Raynor, bateria, a banda foi batizada Blink. Em 1994 lançam seu primeiro disco, Cheshire Cat. Mesmo lançado de forma independente, o disco chama atenção. Tanto que a banda é processada por uma banda da Irlanda com o mesmo nome. Para evitar uma treta judicial, eles decidem colocar um número da na frente do nome. Surge Blink-182. De onde veio esse número, ninguém sabe. Provavelmente os caras acharam que soava bem. Mas ao longo do tempo, deram várias explicações malucas. Por exemplo, dizem que 182 é o peso de um dos integrantes da banda em libras, ou que 182 é o número de vezes em que Al Pacino diz “fuck” no filme Scarface.

A escolha.

No início de 1993 a banda Blink começava a crescer para além dos arredores de San Diego, California, onde se originou. A banda tomava cada vez mais tempo dos três jovens. Mark Hoppus tinha uma namorada ciumenta nessa época, que lhe deu um ultimato: “A banda ou eu!” E por algumas semanas, quase dois meses, ele escolheu a namorada. Mas, um tempo depois, sentiu saudade da sua turminha do barulho, mandou o namoro às favas e retomou seu lugar na banda bem a tempo de gravar a demo que daria origem ao seu primeiro disco.

Dança das baquetas.

Scott Rayner manteve o posto de baterista do Blink-182 até 1998. Em 1996 a banda dava o que falar e as gravadoras estavam desesperadas procurando um novo Green Day. O trio de San Diego acabou assinando com uma major ainda naquele ano, e em 1997 lançaram seu segundo disco, Dude Ranch, que fez um baita sucesso nos Estados Unidos. A fama fez com que Rayner perdesse as estribeiras e afundasse feio na bebida. Depois de algumas mancadas e sumiços em dias de show, Hoppus e DeLonge o expulsaram da banda. Por sorte, eles excursionavam com uma banda chamada The Aquabats, cujo baterista era um prodígio. Para não deixar Hoppus e DeLonge na mão em um show, o baterista Travis Barker, aprendeu a tocar o repertório do Blink-182 em uma tarde. E não saiu de trás dos tambores da banda desde então.

Enema of the State.

E foi em 1999 que o Blink-182 ganhou o mundo, com um disco inspirado e aquele empurrãozinho maroto da MTV. Os clipes de What’s My Age Again?, All the Small Things e Adam`s Song bombaram no mundo inteiro e o punk adolescente voltou para as cabeças. O disco Enema of the State teve duas capas diferentes. A primeira tiragem do disco saiu com o nome da banda com “B” maiúsculo e uma cruz vermelha no chapéu da enfermeira na capa. O trio preferia a grafia do nome com todas as letras minúsculas. Na mesma época a Cruz Vermelha, entidade internacional de saúde, ameaçou processar a gravadora pelo uso de seu símbolo de forma pejorativa, quase obscena, segundo a entidade. Para evitar confusão, foi retirada a cruz do chapéu da enfermeira, e uma nova tiragem do disco saiu com a capa com o nome da banda escrita em letras minúsculas e o chapéu sem a cruz. Aliás, a enfermeira em questão era ninguém menos que Janine Lindemulder, uma estrela em ascensão do cinema pornô na época, o que explica o desconforto do pessoal da Cruz Vermelha. Pra completar, o título do disco é um trocadilho malicioso com a expressão “enemy of the state”(inimigo do estado, ou do governo). A palavra “enema”, que substitui “enemy”, significa em português esperma. Trocadilho típico de quinta série. De fato, what’s my age again?

O preço da fama.

Enquanto a fama e popularidade da banda escalavam em alta velocidade, sua credibilidade dentro da comunidade punk despencava. Enquanto todas as bandas punks no começo do século vinte e um produziam músicas de protesto, incluindo os outrora adolescentes meio bobocas do Green Day, o Blink-182 saía na capa da revista CosmoGirl (a versão norte americana da Capricho) e ganhava o prêmio Nickelodeon’s Kids’ Choice Award. Realmente ficava difícil levar os caras a sério. E isso acabou sendo um ponto de virada, pois o trio ficou realmente incomodado com isso e resolveu mudar.

Amadurecimento.

Em 2003 a banda lançou seu quinto álbum. Intitulado simplesmente Blink-182, o disco mostrava que a banda realmente amadureceu, trazendo novos elementos à sua música, para além dos power acordes rápidos, soando ora como uma banda indie noventista, ora como uma banda new wave dos anos oitenta. O disco chegou a ser comparado com The Police e U2, mas os integrantes da banda afirmam que na época estavam ouvindo muito The Cure, o que ajudou a inspirá-los a escrever letras mais confessionais e questionadoras. Nessa mesma época, para mostrar que estava realmente querendo fazer as pazes com o mundo, durante uma turnê no Reino Unido, o trio foi até a Irlanda e fez questão de conhecer a tal banda Blink, que quase os processou na época do lançamento do Cheshire Cat. Mas essa fase paz e amor durou pouco. Em 2005 a banda anuncia que estava se separando.

Travis Barker nas asas do destino.

Em 2008 Travis estava num avião particular com mais cinco pessoas. Sobrevoando o estado da Carolina do Sul, o avião teve uma pane, pegou fogo e caiu. Apenas Travis e mais um rapaz amigo dele sobreviveram. O baterista teve 68% do seu corpo com queimaduras severas. O acidente fez com Barker adquirisse uma verdadeira fobia a aviões. Mas também fez com que ele e Hoppus voltassem a se falar depois de três anos sem se verem. Começava ali o retorno da banda. E, graças ao esforço e apoio de sua esposa, a socialite Kourtney Kardashian, Travis superou seu medo e voltou a viajar de avião em 2001, facilitando muito a vida da banda, que até então voltara a tocar e se esforçava para fazer turnês sem depender de aviões.

Vindas frustradas ao Brasil.

Já superado o trauma, ao contrário do que dizia Belchior, não foi por medo de avião que Travis Barker não pôde vir tocar no Lollapalooza Brasil em 2023, mas sim porque ele teve um problema nas articulações dos dedos das mãos e teve que passar por uma cirurgia. O show da banda acabou sendo cancelado meio em cima da hora. Mas não foi a única vez que o trio californiano ameaçou vir, mas não veio. Em 2004 DeLonge disse numa entrevista que a banda faria uma turnê mundial e passaria pela América do Sul no segundo semestre de 2005. Criou-se uma grande expectativa, que acabou frustrada com a declaração da separação da banda no começo de 2005. Já em 2001, a banda estava cotada para tocar no Rock In Rio e chegou até a ser anunciada como uma das atrações, mas acabou não rolando. Em uma entrevista ao ex-Malhação André Marques, no extinto programa Video Show, DeLonge disse que estava tudo certo para a banda participar do festival, mas Axl Rose não aceitou que o Blink-182 tocasse na mesma noite que ele, certamente com medo de o Guns n’ Roses fosse eclipsado pela performance magnífica do trio de San Diego. DeLonge disse isso sério e, depois de uma breve pausa, riu e disse que estava de sacanagem e que não sabia por quê a banda tinha sido retirada do line up do festival. E mesmo sem o Blink-182, naquele ano Axl Rose foi às lágrimas no palco.

Enfim, o Blink-182 é uma banda realmente cativante. Seja pelo seu bom humor, ou pelas suas ótimas canções, ou pelas duas coisas juntas. Blink-182 é puro barulho, diversão e arte. Uma banda dessa não ia ficar de fora da trilha sonora da Strip Me, que tem não só o Blink-182, mas também outras bandas punk representadas na excelente coleção de camisetas de música, onde tais bandas são apresentadas em estampas originais e super descoladas. E tem também as coleções de camisetas de cinema, arte, cultura pop, bebidas, games e muito mais. No nosso site você confere isso tudo e ainda fica por dentro de todos os nossos lançamentos, que pintam toda semana.

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist deliciosa com o que há de melhor na discografia do Blink-182. Blink-182 Top 10 tracks.

Para ler: Altamente recomendável o livro Travis Barker. Vivendo a Mil, Enganando a Morte e Batera, Batera, Batera, a autobiografia de Travis Barker, livro lançado em 2016 pela editora Ideal. Numa narrativa envolvente o baterista conta sua vida, as idas e vindas da banda e seu traumático acidente de avião.

10 fatos que você precisa saber sobre o samba.

10 fatos que você precisa saber sobre o samba.

O samba é a voz do Brasil. Por isso, é fundamental que a gente o conheça muito bem. A Strip Me está aqui hoje para te contar 10 coisas que você precisa saber sobre o samba.

Falar sobre o samba, em especial sua origem e e fundamentos, parece uma tarefa simples, mas não é. Trata-se de uma música que faz parte da nossa identidade, quer você goste dele ou não. Certa vez, o músico César Camargo Mariano, um brilhante arranjador, também conhecido por ter sido casado com Elis Regina, disse numa conversa sobre música e mistura de elementos do jazz com o samba, que ele não era um jazzista, jamais poderia ser, mas usa elementos daquela linguagem para se expressar musicalmente. Uma declaração muito sensata. O jazz é uma música que surgiu das plantações de algodão no sul dos Estados Unidos, somente quem cresceu naquele contexto, ouvindo as histórias e sentindo as vibrações daqueles sons pode ser considerado um jazzista genuíno. E o mesmo acontece conosco, com o samba. Faz sentido que qualquer brasileiro, que tenha contato com sua história e se envolva com música brasileira, possa ser considerado um sambista. Mas, claro, uns sempre serão mais sambistas que outros.

O samba, e todas as suas variações ao longo da história, é uma das mais importantes manifestações artísticas do brasileiro, mas principalmente dos africanos escravizados, que aqui criaram raízes. Assim como o jazz nos Estados Unidos, o samba por aqui veio das cantigas e dos batuques dos negros em suas lamentações e também celebrações ritualísticas. Isso foi se misturando às músicas de origem européias e acabou no que conhecemos como o samba e o choro. Toda a trajetória do samba é uma história longa e interessantíssima. E a Strip Me, sempre afim de te contar boas histórias, hoje traz 10 fatos fundamentais sobre o samba, pra você poder batucar com propriedade na mesa do bar.

Samba – Di Cavalcanti (1925)

Origem.

A origem do samba é controversa, uns dizem que surgiu na Bahia, outros no Rio de Janeiro… mas seja onde for, o fato é que foi uma evolução das cantigas tradicionais africanas, misturadas às músicas populares européias. Mas podemos considerar, por ser algo documentado, que o samba nasceu na extinta Praça Onze, no Rio de Janeiro. A Praça Onze era uma praça no bairro Cidade Nova, no Rio de Janeiro, um pouco ao norte do centro histórico da cidade. Aquela região foi largamente habitada por negros, escravizados recém libertos, após a assinatura da Lei Áurea no fim do século dezenove. Particularmente, na casa de uma baiana bem sucedida, que morava de frente para a praça e era uma excelente cozinheira, alguns músicos se reuniam no início do século XX. Entre eles, Donga, João da Baiana, Sinhô e Pixinguinha. Também foi na Praça Onze que aconteceram as primeiras reuniões populares carnavalescas, que dariam origem às escolas de samba. Na década de 1940, o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas mandou abrir uma vasta avenida que ligaria o centro à zona norte do Rio. Essa avenida, que acabou levando seu nome, inclusive, passou por cima da Praça Onze, deixando somente sua história de pé.

Primeiro registro.

Reza a lenda que o primeiro samba gravado foi composto justamente na casa da tal baiana, em frente a Praça Onze. Segundo contam os sambistas mais antigos, que viveram naquela época, a música Pelo Telefone surgiu de improviso numa roda de samba, na qual estavam presentes Donga, Sinhô, Pixinguinha, João da Baiana, Caninha e Lalau de Ouro em outubro de 1916. Porém, na hora de registrar a canção, Donga ficou com o crédito. Em novembro do mesmo ano, Donga deu entrada no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional a partitura do samba, partitura esta escrita por Pixinguinha. Donga gravou Pelo Telefone em 1917. Na época fez muito sucesso no carnaval, e depois foi amplamente revisitada décadas depois por artistas como Martinho da Vila.

Samba popular.

Até o início da década de 1930, o samba era música de gueto, coisa preto e pobre. As coisas começaram a mudar quando intérpretes das grandes rádios começaram a cantar alguns sambas. Além das rádios, o Brasil estava sendo governado por Getúlio Vargas, um ditador, mas também um astuto populista. Ele viu no samba uma maneira de se comunicar melhor com o povo, promoveu shows e elogiava alguns artistas. É verdade também que nessa época rolou uma tentativa de branquear o samba. Enquanto os grandes compositores como Donga e Pixinguinha não apareciam nunca como intérpretes, Francisco Alves e Lamartine Babo tinham alta circulação nos cartazes das principais rádios do país. 

Revolução de 1930.

Calma. Não estamos aqui pra falar de política. Estamos aqui pra falar da verdadeira revolução de 1930! Até porque aquela que a gente estuda nos livros de história do colégio não foi revolução, foi golpe de estado. Mas isso não vem ao caso. O fato é que em 1930, um jovem compositor do bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, começou a compor umas músicas que mudariam o jeito de se fazer samba e colocaria o gênero no gosto popular de vez. Noel Rosa só tinha vinte anos de idade em 1930, ano que ele compôs Com que Roupa, Feitiço da Vila e Palpite Infeliz. Além de músico inventivo, Noel era um excelente letrista, usando o cotidiano e o bom humor. Seus sambas inspiraram muitos sambistas que surgiam na época, principalmente aqueles que vinham dos morros e bairros mais pobres, e que se identificavam com aquela linguagem simples. Além dos já citados, também é de Noel Rosa clássicos como Gago Apaixonado, Fita Amarela e Conversa de Botequim. O sambista revolucionou o samba, mas não viveu suficiente para viver suas glórias. Ele faleceu aos 26 anos de idade, em 1936, vítima da tuberculose.

Sem Título – Carybé (1984)

Samba consolidado.

Entre as décadas de 1940 e 1950 o samba se estabeleceu como grande expressão popular. Bairros e comunidades se organizavam para criar escolas de samba, e cada uma tinha um grupo de compositores. Neste contexto surgem nomes como Cartola, Nelson Sargento, Nelson do Cavaquinho, Zé Keti, Lupicínio Rodrigues, Élton Medeiros e Adoniran Barbosa. Porém, esses sambistas todos acabam vivendo quase no anonimato, pois eram compositores, mas suas músicas ficavam conhecidas nas vozes de intérpretes como Orlando Silva e Nelson Gonçalves. Ainda assim, esse foi um período importantíssimo, de consolidação do samba. Estava tudo pronto para que mais uma revolução acontecesse.

Velho samba e bossa nova.

Considerado o inventor da bossa nova, com sua batida característica ao violão e o jeito de cantar baixinho, João Gilberto certa vez explicou que sempre quis aprender a tocar samba no violão, mas achava muito difícil. Foi então que escolheu, entre os diferentes acompanhamentos rítmicos, a levada do tamborim para executar na mão direita, enquanto, na mão esquerda, misturava acordes do samba com harmonias truncadas de jazz que ele também adorava. Pronto, surgiu a bossa nova! E não dá pra dizer que a bossa nova não é samba, porque é sim! Mas também é algo mais. É um samba sofisticado, contemporâneo. Tanto é que logo ganhou o mundo. Mas era coisa de jovem universitário, de classe média alta. No meio daquela playboyzada toda, foi uma garotinha tímida que se ligou que o samba de verdade não estava nas praias do Leblon, mas nos morros do centro da cidade.

Resgatando o samba.

Foi Nara Leão que se desgarrou do grupo e foi procurar os velhos sambistas. Em seu primeiro disco, ela não quis gravar as bossas de seus amigos, como Menescal e Carlos Lyra. Preferiu subir o morro e procurar os sambas de Cartola e Zé Kéti. Foi quando esses compositores começaram a ganhar notoriedade e reconhecimento. A turma da bossa nova era formadora de opinião e logo esses sambistas, que ali pelos anos 60, comecinho dos 70, até já estavam com certa idade, mas conseguiram usufruir dessa popularidade tardia. Foi quando, por exemplo, Cartola promovia grandes encontros em seu bar, o Zicartola, onde jovens compositores como Paulinho da Viola e Chico Buarque deram seus primeiros acordes. Depois de Nara Leão, outro nome fundamental para o samba foi João Carlos Botezelli, mais conhecido como Pelão. Pelão foi um produtor musical dos bons. Fã de boa música, quando ele viu Nara Leão e tantos outros jovens gravando os velhos mestres do samba, se perguntou por que diabos ninguém pensou em fazer com que eles próprios gravassem suas canções. Pelão foi responsável pelos discos clássicos de Adoniran Barbosa, Cartola e Nelson Cavaquinho interpretando seus próprios sambas, todos com mais de sessenta e tantos anos, com a voz cansada, mas com uma emoção incomparável!


Carnaval – Cândido Portinari (1960)

Samba regional.

A tendência é que a gente identifique o samba como uma manifestação tipicamente carioca. De fato, grande parte dos grandes expoentes do samba são do Rio de Janeiro. Mas o samba é brasileiro, e se manifesta em diferentes regiões do país, e cada região tem um tempero, uma peculiaridade. Para começar, podemos citar um dos maiores gênios do samba: Lupicínio Rodrigues. Nascido e criado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Entre milongas e bugios, Lupicínio encontrou no samba a maneira de expressar seus amores e desilusões. Além de ter sido o criador do termo “dor de cotovelo”, ele compôs clássicos como Felicidade e Nervos de Aço. Já o paulistaníssimo Adoniran Barbosa criou um samba cosmopolita, urbano e até mesmo poliglota, versando em italiano e paulistanês. Já com influências das religiões de matrizes africanas e seus afoxés, a Bahia também sempre foi um expoente de bom samba, tendo como seu maior nome o inigualável Dorival Caymmi. Enfim, samba tem no Brasil inteiro, com diferente sotaques, mas sempre com muita qualidade.

Samba 90.

Apesar de não serem tão numerosos até os anos 70, grupos de samba sempre existiram. Desde O Bando da Lua, conjunto que acompanhava Carmem Miranda, até Os Originais do Samba, passando pelos Demônios da Garoa. Mas a partir dos anos 70 e 80 o sucesso do Trio Mocotó e do grupo Fundo de Quintal inspirou muitos jovens a formarem seus próprios grupos e também atiçou o faro das gravadoras. Nos anos 80 grupos como Raça Negra e Exaltasamba já davam suas primeira batucadas. E a coisa estourou mesmo nos anos 90, com uma enxurrada de grupos como Só pra Contrariar, Negritude Jr. Soweto, Art Popular e tantos outros. Fenômeno que ficou conhecido como pagode anos 90, e que faz sucesso até hoje. Não se trata exatamente de uma reinvenção do samba, mas sim uma modernização, dando ao gênero um verniz mais pop.

Carnaval em Madureira – Tarsila do Amaral (1924)

Samba de hoje.

Em 1975 Alcione já pedia pra não deixar o samba morrer. Até hoje seu pedido está sendo cumprido com êxito. A cada geração que surge, o samba é revisitado e repensado, se adaptando a novas linguagens e tecnologias, mas sem deixar o tradicionalismo pra trás. Enquanto nomes como Xande de Pilares e Mumuzinho levam adiante o samba de raiz, caras como Criolo e Marcelo D2 colocam o samba num caldeirão de rap, hip hop, soul e funk para trazer à tona grandes obras.  Em especial Marcelo D2 tem se mostrado um verdadeiro alquimista do samba. Em 2003 lançou o irretocável disco À Procura da Batida Perfeita, e desde então vem lançando trabalhos muito inspirados. Seu último disco, lançado em 2023, chamado Iboru é um disco de samba como há muito tempo não se via, uma mistura fina de tradição e contemporaneidade. O samba ainda vive, e não dá sinais de cansaço.

O samba é coisa nossa, é suco de Brasil, é música da nossa essência! E a Strip Me, que não é ruim da cabeça e nem doente do pé, ajuda no batuque e engrossa o coro de lerê lererê. Só no sapatinho, vamos fazendo várias camisetas, uma mais linda que a outra, inspiradas e referenciando o samba! Vem conferir no nosso site! São camisetas de música, cultura pop, arte, cinema, bebidas, brasilidades e muito mais! Na nossa loja você também fica sempre por dentro dos nossos lançamentos, que pintam toda semana!

Vai fundo!

Para ouvir: Claro, uma playlist no capricho com o melhor so samba de todos os tempos! Samba no pé top 10 Tracks.

Para assistir: Imperdível o documentário O Samba, lançado em 2015 e dirigido por Georges Gachot. O filme tem Martinho da Vila como protagonista. Ele conta histórias do samba e de sua própria carreira, enquanto apresenta ao expectador o bairro de Vila Isabel, terra de Noel Rosa e do próprio Martinho, além de mostrar bastidores da escola de samba da comunidade, por vários anos vencedora do carnaval carioca. 

Foo Fighters One by One: Todos os discos, do pior ao melhor!

Foo Fighters One by One: Todos os discos, do pior ao melhor!

O queridão Dave Grohl e sua turma tocam no Brasil neste fim de semana. Para esquentar os motores para os shows, a Strip Me deu uma geral na discografia da banda.

É realmente incrível que os Foo Fighters estejam em turnê depois de tanta coisa. Nós, brasileiros, lembramos muito bem de março do ano passado, quando fomos surpreendidos com o cancelamento do show da banda no Lollapalooza, por conta da morte de Taylor Hawkins. Em agosto do mesmo ano, a mãe de Dave Grohl também faleceu, deixando o vocalista despedaçado. Com tanta tragédia, era de se esperar que a banda, ainda que não encerrasse oficialmente suas atividades, pelo menos embarcasse num hiato por um período de tempo. Mas qual o quê! Após poucos meses de luto, os Foos se juntaram em estúdio com um novo baterista, o competente Josh Freese, e conceberam, simplesmente, um dos melhores discos de 2023, o excelente But Here We Are. O disco saiu em junho deste ano e a banda já está em turnê mundo afora. Eles tocam no Brasil no dia 7 de setembro em Curitiba e no dia 9 em São Paulo, como atração do festival The Town.

Para se preparar para os shows, nada melhor do que dar uma geral na carreira da banda e ouvir alguns discos. Por isso, a Strip Me realizou a quase hercúlea tarefa de selecionar todos os discos dos Foo Fighters do pior ao melhor. Então confere aí como ficou essa lista. Ah, sim, estão inclusos aqui somente os 11 discos de estúdio, com canções inéditas. Discos ao vivo e coletâneas não entraram.

11 Concrete and Gold (2017)

No final de 2015 os Foo Fighters lançaram um EP chamado Saint Cecilia, com 5 canções. O lançamento foi feito em homenagem às vítimas dos atentados terroristas de Paris, em novembro daquele ano. Com o EP. Dave Grohl divulgou uma carta aberta, que dava a entender que a banda poderia encerrar as atividades, mas que um novo disco seria feito antes. Este disco é Concrete and Gold. Sem dúvida o disco menos inspirado dos Foo Fighters, apesar das boas influências que ele carrega. Dave Grohl parece ter entrado no estúdio com o Álbum Branco dos Beatles embaixo do braço. Mais do que isso, Paul McCartney em pessoa participa do disco. Talvez a sanha de misturar essas influências sessentistas com o rock de arena da banda tenha feito Dave Grohl escrever boas canções, mas sem aquele brilho que faz o parquinho pegar fogo. É um disco morno. A maior prova de que a banda estava desmotivada e sem vontade de trabalhar pra valer é que subutilizaram a presença de Paul McCartney, o colocando para tocar bateria em uma das faixas, e nada mais!

10 Sonic Highways (2014)

Em 2012 Dave Grohl disse que os Foo Fighters fariam uma pausa por tempo indeterminado, para descansar, depois de anos ininterruptos de turnês intermináveis. Mas, como tem gente que gosta de descansar carregando pedra, Grohl pegou esse tempo livre e concebeu o ótimo documentário Sound City. Em meados de 2013 já rolava um zum zum zum de que a banda estava em estúdio produzindo material novo. Em dezembro, Grohl confirmou os boatos e disse que o disco já tinha nome, Sonic Highways, e que seria feito de uma maneira muito diferente. De fato, o disco foi gravado na estrada, cada música gravada numa cidade diferente com algum convidado local e com um contexto. A ideia é realmente ótima. Mas nem sempre uma boa idéia acaba sendo bem realizada. O disco é irregular e sem inspiração nenhuma. Sabe quando a gente vê na tv aqueles reality shows de culinária e alguém faz um prato lindo, cheio de conceito, mas que quando os jurados provam, não tem gosto de nada? Então. É isso. Sonic Highways é um um prato lindo e cheio de conceito, mas sem nenhum tompêro.

9 In Your Honor (2005)

Apesar de Dave Grohl parecer um cara simples, sem afetações, hábitos excêntricos ou vaidade, ele certamente tem alguns arroubos de megalomania em se tratando de música. In Your Honor foi o primeiro deles. Depois de passar meses compondo ao violão em sua casa, Grohl decidiu que o próximo disco dos Foos seria um disco duplo, onde um disco conteria somente músicas agitadas e cheias de distorção e outro somente com faixas acústicas. Além disso, o vocalista acabara de construir em sua casa, em LA, um estúdio profissional. Foi lá que a banda gravou todo o disco, e também a banda assina a produção da obra. É complicado dizer que o disco que entrega Best of You é um dos mais fracos da banda. Mas é a mais pura verdade. A real é que o disco plugado é bem bom e traz os destaques do álbum como um todo. Best of You, DOA e No Way Back são ótimas músicas. Do acústico, salvam-se ali Friend of a Friend e Miracle. O fato é que se condensassem os dois discos num só, teríamos um álbum muito bom. Mas acaba ficando pra trás por ser um disco longo e cansativo, com uma ou outra pérola no caminho.

8 Medicine of Midnight (2021)

Apesar da recepção fria de Concrete and Gold por parte de crítica e público em 2017, a banda se lançou em suas costumeiras turnês mundiais e tudo estava bem. Em 2019 Grohl já acumulava uma boa quantidade de músicas novas e a banda começou a produzir o disco no fim daquele ano. Era para o disco sair no início de 2020. E aqui entra aquela frase, a mais dita na década atual: Mas aí veio a pandemia, né? Por fim, o disco foi lançado em fevereiro de 2021 e foi uma grata surpresa! A banda que vinha desacreditada, depois de dois discos fracos, ressurgiu com um disco moderno, inspirado e divertido de se ouvir, sem perder a mão do bom, velho e sujo rock n` roll. O disco equilibra bem as guitarras saturadas com batidas e ritmos inspirados, com Taylor Hawkins em seu auge como baterista. O disco emula um som oitentista, mas sem soar datado. Em vários momentos lembra Bowie na fase Let`s Dance/Scary Monsters. Um disco revigorante para uma banda que estava se perdendo dentro de si mesma.

7 Echoes, Silence, Patience and Grace. (2007)

Lá em 1997, depois de uma exaustiva turnê, Pat Smear, guitarrista que acompanhava Grohl em empreitadas musicais desde os tempos do Nirvana, resolveu deixar os Foo Fighters, alegando esgotamento. Em 2005, durante a turnê de In Your Honor, Pat Smear fez algumas participações com a banda, mas ainda receoso de voltar definitivamente. Ainda sem Smear de volta, mas vira e mexe tocando em alguns shows, a banda lança o ao vivo Skin and Bones em 2006 e se recolhe para compor material novo. Para alavancar o disco,. Grohl convidou o produtor Gil Norton, responsável pelo clássico The Colour and the Shape e Pat Smear para gravar uma canção. Echoes, Silence, Patience and Grace foi recebido com entusiasmo. Emplacou 3 singles no primeiro lugar da Billboard e trouxe de volta um Foo Fighters direto e cheio de energia, com grandes canções como The Pretender, Long Road to Ruin e Let it Die. É um disco que só não está mais perto do top 5 porque acaba tendo algumas canções sem graça, que tornam o disco um pouco cansativo do meio para o fim. É o caso da balada insossa Stranger Things Have Happened e da dispensável instrumental Ballad of the Beaconsfield Miners.

6 But Here We Are (2023)

Como foi dito no início, é fantástico que depois de tanta tragédia, em especial para Dave Grohl, a banda esteja tão afiada, e tenha concebido um disco tão brilhante. Mas, na real, é aquela coisa, a dor foi transformada em música. A faixa título do disco diz tudo. “Você está pronto agora? Dor. Separação. Reverência. De braços dados, estamos para sempre. Eu te dei meu coração. Mas aqui estamos nós.” Acontece que, além dessa carga dramática toda transformada em arte, Dave Grohl foi capaz de revisitar praticamente todas as fases da banda, em especial as mais prolíficas. Show me How e Under You poderiam facilmente figurar entre o repertório de There`s Nothing Left to Lose. Rescued poderia estar no The Colour and the Shape. But Here We Are é um disco coeso, empolgante e inspirador! Só não entrou no top 5 porque… porra, porque daqui pra frente é só disco muito f#d@!

5 One by One (2002)

One by One é o terceiro disco da banda. Foi concebido em meio a muita treta e insegurança. O disco anterior, There`s Nothing Left to Lose tinha ido super bem, rolou uma mega turnê bem sucedida… mas quando a banda parou para compor novas canções o clima não foi dos melhores. Discussões começaram a pintar entre os músicos quanto a que rumo tomar com o novo disco, estavam inseguros com relação a qualidade das novas músicas… E, numa hora de crise, Dave Grohl fez o que qualquer um faria: Deixou tudo de lado e foi tocar bateria com outra banda. Grohl assumiu temporariamente as baquetas do Queens of the Stone Age e, com eles, gravou o disco Songs for the Deaf e saiu em turnê com a banda no primeiro semestre de 2002. No segundo semestre, os Foo Fighters estavam escalados para tocar em alguns festivais. Mas o clima estava péssimo, e a banda em voltas de terminar. Porém, os shows que fizeram foram muito empolgantes, a banda se reconectou e foi todo mundo para Alexandria, cidade do estado de Washington onde Grohl morava, e gravaram ali o One By One. E é um petardo. O disco já abre com All My Life. Depois seguem Times Like These, Tired of You, Halo, Burn Away e muitas outras. Um disco sensacional! Talvez um pouco longo (15 canções). Mas ainda assim, um disco muitíssimo acima da média.

4 Foo Fighters (1995)

O primeiro disco dos Foo Fighters é um disco solo do Dave Grohl. Ele só batizou a obra como Foo Fighters porque não queria que o disco ficasse conhecido como “o disco do cara do Nirvana”. Funcionou. O disco foi gravado em outubro de 1994, seis meses depois de Kurt Cobain cometer suicídio. Após a morte de Cobain, Dave Grohl cogitou abandonar a vida de músico. Mas acabou encontrando na música uma forma de se curar. Ele já vinha compondo algumas músicas desde 1991, 1992, quando morou com Kurt compôs músicas como Marigold, que chegou a ser gravada pelo Nirvana. Depois de gravar e batizar a compilação de músicas simplesmente como Foo Fighters, Grohl saiu distribuindo cópias. Quando viu que todo mundo curtiu e tinha até uma gravadora interessada, recrutou Nate Mendel e William Goldsmith, baixista e baterista da banda Sunny Day Real Estate, e Pat Smear, seu parceiro no Nirvana, e colocou a banda na estrada para divulgar o disco. Assim surgiu Foo Fighters como banda propriamente dita. Ah, sim, e o disco é ótimo, assim como em But Here We Are quase trinta anos depois, Grohl transformou sofrimento em grandes canções. Destaque para Big Me, This is a Call, Alone + Easy Target e I`ll Stick Around. É um disco com grandes canções, mas sem muito equilíbrio. Mas Dave Grohl só estava começando a moldar sua inigualável fórmula para unir barulho e melodia.

3 Wasting Light (2011)

Em 2009 os Foo Fighters encerraram a turnê do disco Echoes, Silence, Patience and Grace e resolveram tirar uns meses de férias. Mais uma vez, Dave Grohl foi descansar carregando pedra e montou a banda Them Crooked Vultures, uma superbanda na real, já que contava com Grohl na bateria, Josh Homme, do Queens of the Stone Age, na guitarra e ninguém menos que John Paul Jones, ex baixista do Led Zeppelin! A banda passou o ano fazendo shows e gravou um ótimo disco. Com todo mundo descansado e cheio de energia, os Foo Fighters voltam a se reunir em 2010 e Pat Smear é oficialmente reintegrado à banda. E os planos eram promissores. O novo disco seria gravado na garagem da casa de Dave Grohl, usando somente equipamentos analógicos e tendo como produtor Butch Vig, o cara que produziu o Nevermind, o clássico do Nirvana. Tudo conspirou e o disco é sensacional! Pesado, com boas melodias e algumas canções memoráveis. A cereja no bolo para os fãs mais antigos de Dave Grohl foi a participação de Krist Novoselic no disco. O ex baixista do Nirvana toca na faixa I Should Have Known. O disco ainda conta com a participação de Bob Mould, do Husker Dü, tocando guitarra e fazendo backing vocals em Dear Rosemary, umas das melhores músicas do disco. Wasting Light é um dos melhores discos dos Foos por trazer canções brilhantes interpretadas por uma banda madura e bem entrosada.

2 There’s Nothing Left To Lose (1999)

Fãs do Foo Fighters com uma queda por rock mais pesado certamente colocariam Wasting Light como o segundo melhor disco da banda. Mas vamos segurar essa emoção e pensar racionalmente. There`s Nothing Left To Lose é um disco impecável. Mas como Dave Grohl e companhia chegaram a ele?  Bom, pra começo de conversa, este disco marca a entrada de Taylor Hawkins na bateria. Na real, foi uma fase de muita mudança na formação da banda. Vamos lembrar que Pat Smear deixou a banda em 1997, depois da tour de The Colour and the Shape. O baterista William Goldsmith também já tinha deixado a banda. Goldsmith foi substituído por Hawkins e Pat Smear foi substituído por Franz Stahl, guitarrista que tocara com Grohl na banda Scream nos anos 80. Em 1998 Grohl, Mendel, Stahl e Hawkins se reuniram para compor material para um disco novo. Porém, as ideias não estavam batendo entre Stahl e o resto da banda, o que culminou em sua demissão. There`s Nothing Left To Lose foi concebido e gravado basicamente pelo trio Grohl, Mendel e Hawkins. Como sempre, na adversidade, Dave Grohl tira da cartola canções inspiradíssimas. Trata-se de um disco impecável porque é nele que Grohl encontrou o equilíbrio perfeito na sua fórmula de misturar barulho e melodia. A união do Teenage Fanclub com o Motorhead. Neste disco estão clássicos absolutos como Learn to Fly, Next Year, Breakout e Generator, além de pérolas como Aurora e Headwires. É um disco que não tem como não gostar!

1 The Colour and the Shape (1997)

Quis o destino que o disco mais impactante e que ficaria para sempre estabelecido como o melhor  de toda a obra da banda de Dave Grohl fosse o segundo disco, assim como Nevermind foi o segundo disco do Nirvana. E não é exagero nenhum cravar que The Colour and the Shape é um dos melhores discos da segunda metade dos anos 90. Depois de gravar sozinho o disco de estreia da banda, Dave Grohl conseguiu o que queria. Não ser mais visto como “o cara do Nirvana”, mas sim como o vocalista dos Foo Fighters. A boa aceitação da de crítica e público e a boa relação entre os músicos dentro da banda, que na época contava com Dave Grohl e Pat Smear nas guitarras, Nate Mendel no baixo e William Goldsmith na bateria, inspirou Grohl a compor canções grandiosas e irresistíveis! Vale dizer aqui que uma das grandes forças do disco é a bateria cavalar… que foi gravada pelo próprio Dave Grohl. Reza a lenda que, após ouvir a primeira mixagem das músicas, com Goldsmith na bateria, Grohl achou as baterias das músicas sem pegada, sem inspiração. E ele foi lá e regravou tudo. Lógico que Goldsmith ficou puto e saiu da banda. Foi quando Grohl, que precisava de alguém pra começar a tour do disco, conseguiu convencer o baterista da banda da Alanis Morissette a abandonar a cantora e se juntar a ele nos Foos. E Taylor Hawkins estava dentro. Bom, The Colour and the Shape é um disco brilhante, impecável e atemporal. Duvida? Ouça ele inteiro. O disco fala por si. E ali estão alguns dos maiores clássicos da banda, como Monkey Wrench, Everlong e My Hero.

Certa vez, Grohl disse numa entrevista: “Adoro estar em uma banda de rock, mas não sei se necessariamente quero estar em uma banda de rock alternativo dos anos 90 pelo resto da minha vida.” A frase é perfeita e explica a longevidade dos Foo Fighters. Fazer o que ama, mas não se acomodar. Procurar sempre inovar, encontrar caminhos diferentes, mas sem perder a personalidade e originalidade. Uma inspiração e tanto para a Strip Me, que está às margens de completar 10 anos de barulho, diversão e arte, procurando sempre novos caminhos. E é claro que você encontra estampas referentes aos Foo Fighters e muitas outras bandas na nossa coleção de camisetas de música, pra você curtir o show dos Foos no maior estilo! Além disso, na nossa loja ainda tem as camisetas de cinema, bebidas, arte, cultura pop e muito mais. Dá uma olhada lá no nosso site, e aproveita para ficar por dentro dos nossos lançamentos, que pintam toda semana!

Vai fundo!

Para ouvir: Nossa prática aqui é sempre fazer um top 10. Mas hoje vamos abrir uma exceção para essa banda tão maravilhosa e fazer um top 11, com uma música de cada discos dos Foo Fighters. Mas não aquelas óbvias, tá? Everlong, Learn to Fly, Best of You… todo mundo conhece. Vamos pinçar aqui músicas menos óbvias, porém igualmente excelentes. Foo Fighters top 11 Tracks.

Para assistir: É imperdível o divertidíssimo documentário Foo Fighters Back and Forth, dirigido pelo James Moll e lançado em 2011, praticamente junto com o disco Wasting Light. O doc dá uma geral na história da banda e apresenta sua trajetória desde as gravações de Grohl sozinho 1994 até os bastidores de Wasting Light. Enfim, é bom demais e vale a pena ver.

Para ler: Dave Grohl já foi contemplado com pelo menos três bons livros contando sua trajetória. Mas o definitivo, claro, é o escrito por ele mesmo. Bom humorado e com muita fluidez Grohl escreve suas memórias no excelente livro Contador de Histórias: Memórias da Vida e Música, lançado em 2022 no Brasil pela editora Intrínseca. Leitura recomendada!

Pai pra toda obra!

Pai pra toda obra!

Tem pai de todo o jeito! E para homenagear cada um deles neste Dia dos Pais, a Strip Me selecionou 6 tipos de pais que nos representam!

Ser e estar são os dois verbos que melhor representam os pais. Afinal, uma vez que o cara se torna pai, ele vai ser pai pro resto da vida, com todas delícias e dissabores que a paternidade traz. E ser pai também significa estar sempre presente ao lado do filho, com todas as delícias e dissabores que possam surgir. A paternidade é realmente uma transformação. Mas calma. Apesar disso, o cara que se torna pai não perde sua essência, seus gostos, seus talentos… nada disso!

Por isso, a gente pode ver por aí vários tipos diferentes de pais, e todos são ótimos à sua maneira. Tem pai que é mais cuidadoso, tem pai que é mais comunicativo, tem pai que é mais engraçado, tem pai que é mais desengonçado… tem pai que é observador, tem pai que é prático, tem pai que é talentoso, tem pai que é esforçado. Pra não ficar ninguém de fora desta homenagem, selecionamos 6 tipos de pais que reúnem várias destas e outras características. Afinal, tem pai de tudo quanto é jeito. Mas só por serem pais, todos são caras f#d@s!

Tem pai que é músico e torna o ambiente da casa sempre mais divertido, repleto de sons! É o cara que tem sempre a playlist perfeita na ponta do dedo para cada ocasião, seja o churrasquinho de domingo, seja a brincadeira de esconde-esconde. Antes do bebê nascer, ele é o cara que cantava baixinho suas músicas favoritas para a barriga da mãe. Depois que o bebê nasce, não se cansa de presentear a criança com tamborzinhos e guitarrinhs de brinquedo. Afinal, vai que… Para estes pais, a Strip Me tem uma coleção sensacional de camisetas de música, que vão do rock ao samba, do pop ao jazz, com a maior personalidade e elegância!

Tem pai que é jardineiro. Ainda que essa não seja sua profissão realmente, a jardinagem para ele já se tornou uma paixão. É o cara que está sempre cuidando das plantas da casa e faz questão que as crianças brinquem descalças, pisando na grama e tendo contato direto com a natureza. Passeios em parques e bosques são frequentes e indispensáveis! É o pai que manja qual chá é melhor a criança tomar quando está com alguma indisposição e brinca com os filhos na varanda em dia de chuva, só pra sentir o cheiro da terra molhada. Pais como estes tem à sua disposição na Strip Me uma coleção super descolada de camisetas florais e de diferentes plantas, que celebram esse verdadeiro e super saudável estilo de vida!

Tem pai que é zen e faz de qualquer ambiente um lugar de tranquilidade e beleza. É o tipo de cara inteligente, conhecedor de culturas orientais e ocidentais, que preza pelo bem estar do ser humano em primeiro lugar. Pai cuidadoso, está sempre por perto, mas permite que seus filhos fiquem livres e à vontade para explorar ambientes, texturas, cheiros e sabores, desde que isso não lhes faça mal, é claro. É o pai que acendia incensos em casa durante a gravidez da mãe, e depois do parto, ajudou a montar o quarto do bebê utilizando o feng shui. Para pais como este a Strip Me tem as coleções Hippie e Mystic, com estampas transcendentes e de muito bom gosto!

Tem pai que é atleta e está sempre animadíssimo para curtir uma tarde de sol com a criançada! É o cara que sabe da importância de cuidar do corpo e sempre separa uma horinha do dia pra fazer uma corrida, andar de bike ou fazer uns exercícios ao ar livre. É o pai que providenciou rapidamente um body com o emblema do time do coração assim que seu bebê nasceu, vai ter o maior gosto em ensinar a criança a andar de bicicleta e mostrar que toda atividade esportiva pode ser uma grande diversão! Para este tipo de pai, a Strip Me tem muitas camisetas incríveis em diversas coleções, como a Tropics e a Cultura Pop, afinal, saúde e bem estar combinam com tudo!

Tem pai que é discreto. É aquele pai super atencioso com os filhos, é mais caseiro e sossegado. Não que não goste de curtir uma festa ou sair pra se divertir com a família. Mas é um cara mais despojado, que se liga em aproveitar os pequenos momentos. E passa isso com muita naturalidade para os filhos, seja no sofá curtindo um filme juntos, ou inventando brincadeiras no quintal domingo de tarde. É o cara que, mesmo estando cansado, vê beleza em levantar de madrugada para fazer o bebê voltar a dormir e gosta de conversar com as crianças sem usar trejeitos infantis e, mesmo assim, soar carinhoso. Este tipo de pai tem tudo a ver com a coleção de camisetas básicas da Strip Me. Além de contar com cores lindas, são camisetas com um tecido super macio, sustentável e com excelente caimento.

E tem também o pai de pet, é claro! Deixe que digam, que pensem, que falem, não tem nada de errado em ser um pai queridão de um doguinho ou de um gato, que sejam tratados com muito amor! Tem um pessoal grande por aí que diz que bicho é melhor do que gente, e não dá pra nós tirarmos muito da razão deles não, viu… De qualquer forma, tem também os pais de pet em dose dupla, ou seja, que é pai de pet, mas também tem um serumaninho como filho! E nada melhor do que um pai como esse, que ensina as crianças a amar e cuidar dos bichos e dar a eles muito amor! Para esses pais, a Strip Me tem mais do que uma coleção especial, chamada Pet Friendly, com estampas maravilhosas. Na compra de qualquer produto da Strip Me você pode ajudar uma ONG, Você escolhe entre a causa animal e o combate à fome. E a gente doa através do nosso parceiro O Pólen. Ou seja, não custa nada pra você e ajuda muita gente.

Olha, realmente tem todo o tipo de pai, e todos são incríveis! Nesta homenagem da Strip Me ao Dia dos Pais, celebramos o amor paterno em todas as formas. Afinal, pai é quem gera, mas também é quem cria, quem adota, quem dá amor e quem está sempre presente! Por falar em presente, você pode dar uma conferida no nosso site, pra ver em detalhes todas as estampas sugeridas neste post, mas também explorar a nossa loja todinha e ainda ficar por dentro dos nossos lançamentos, que pintam toda semana!

Vai fundo!

Para ouvir: Em agosto de 2020 fizemos aqui no blog um post sobre filhos de pais famosos na música, que gerou a playlist Just Like Dad. No Dia dos Pais deste ano, vamos relembrar essa playlist, mas fazer também a parte 2 dela, com outras canções dos mesmos artistas. Just Like Dad Part 2 top 10 tracks.

Para assistir: Na onda de observar os diferentes tipos de pais, vale a pena conferir a comédia Pai em Dose Dupla, filme de 2015, escrito e dirigido por Sean Anders. Protagonizada por Will Ferrell e Mark Wahlberg, a produção é uma comédia do tipo pastelão, com alguma escatologia e boa dose de violência. É um roteiro simples e previsível, mas funciona bem e tem boas piadas. É um bom entretenimento.

Para ler: Falando em filhos de pais geniais, impossível não lembrar de Luís Fernando Veríssimo, filho do brilhante Érico Veríssimo. É tarefa hercúlea escolher apenas um título dentre a vasta obra de Luís Fernando Veríssimo para recomendar. Então vamos no óbvio, a compilação de crônicas Comédias da Vida Privada, lançado em 1994 pela editora L&PM, um livro delicioso e muito engraçado! Mas vale buscar por toda a obra do autor (e de seu pai também), pois é garantia de boa leitura.

12 Filmes que contam a história do Rock! Parte 2

12 Filmes que contam a história do Rock! Parte 2

No mês do rock, a Strip Me apresenta 12 histórias de cinema, sobre alguns dos mais importantes artistas da música pop!

O Dia Mundial do Rock é mais brasileiro do que mundial. Basta você procurar mundo afora para ver quem realmente comemora essa data fora do Brasil. A história toda por trás disso é interessante. O dia 13 de julho de 1985 entrou para a história por conta do Live Aid, o grande festival que rolou simultaneamente nos Estados Unidos e Inglaterra e foi televisionado para o mundo todo. O evento reuniu gente como Paul McCartney, The Who, Queen e muitos outros. Aqui no Brasil o festival teve uma audiência enorme, já que o país ainda respirava a euforia do Rock In Rio, que aconteceu em janeiro daquele ano. Numa entrevista, falando sobre o Live Aid, Phil Collins, emocionado após ter participado do festival, declarou: “O dia 13 de julho deveria ser lembrado como o dia mundial do rock.” Pouca gente deu atenção a isso, exceto os jornalistas brasileiros. Desde então, rádios e publicações brasileiras dedicadas ao rock passaram a celebrar a data, e a moda pegou. E cá estamos. Celebrando o nosso brasileiríssimo Dia Mundial do Rock!

Para celebrar esse dia, selecionamos 12 filmes que ajudam a contar a história do rock n’ roll mundial e brasileiro. A lista foi dividida em duas partes. A primeira, publicada semana passada, você pode ler clicando aqui. E hoje apresentamos a parte 2, celebrando não só o dia 13, mas o mês de julho, que pode ser realmente considerado o mês do rock! Então já vai treinando o air guitar aí e confira a parte 2 da nossa lista de filmes sobre o rock n’ roll.

Last Days (2005)

Keyart for Last Days.

Incluir esse filme na lista é foi uma decisão difícil. Primeiro porque não é uma obra literalmente sobre um artista real, segundo porque é um filme muito mais introspectivo, pesado, sem praticamente nenhum apelo comercial. É o que a turma costuma chamar de filme cabeça, que pode ser um sinônimo de filme chato. O longa é escrito e dirigido por Gus Van Sant e foi inspirado nos últimos dias de vida de Kurt Cobain. Na verdade trata-se sim de um relato bem fiel do que foram os últimos dias de Cobain em sua casa, antes de se matar. Os nomes dos personagens foram alterados simplesmente porque não se chegou a um acordo entre o cineasta e a família de Cobain, com relação a diretos e tal. Apesar de não ser uma produção empolgante, cheia de música e personagens carismáticos, como estamos acostumados a ver na maioria das cinebiografias, Last Days é um filme muito bom, com uma fotografia cuidadosa, ótima atuação do protagonista Michael Pitt e que transmite com eficiência desoladora a angústia de alguém que não vê mais sentido na vida.

Simonal (2018)

Wilson Simonal foi um artista como poucos no Brasil. Misturou ritmos, praticamente criou um estilo novo, que viria a influenciar toda a música pop brasileira, do samba ao rock. Chegou a ser o artista mais bem pago do país, vendeu mais discos que Roberto Carlos e, quando estava no auge de sua carreira, levou um tombo do qual nunca mais se recuperaria. Foi acusado de colaborar com os militares e dedurar artistas considerados subversivos, durante a ditadura de 1964. Até hoje essa história é questionada. Leonardo Domingues escreveu e dirigiu Simonal, filme que retrata com muita beleza e fluidez a trajetória de Simonal ao estrelato, seu posicionamento contra o racismo e a controversa relação do cantor com a política. É um filme muito bem feito mesmo, com um roteiro muito bem elaborado, uma história interessantíssima e muita música boa.

The Doors (1991)

“Is everybody in? The ceremony is about to begin.”Sim, este é um dos filmes mais icônicos dos anos 90! Tudo convergiu para que este filme se tornasse um clássico imediato. A música dos Doors, a persona de Jim Morrison, que o ator Val Kilmer incorporou de maneira quase xamânica e a estética de videoclipe do diretor Oliver Stone. Se parar pra pensar, o roteiro em si não tem nada de novo. É a história de uma banda que começa por baixo, tem talento, consegue gravar um disco, faz sucesso, se perde em excessos… Mas Jim Morrison foi um artista único no rock. Mais poeta que músico, mais blues que rock, mais inconformismo que depravação, mais alucinógenos que insanidade. Oliver Stone arrebenta na direção deste filme, a edição e montagem são alucinantes, os diálogos são ótimos, a trilha sonora excelente… tudo funciona! Um filme para ver e rever!

Legalize Já – Amizade Nunca Morre (2017)

Skunk idealizou e ajudou a compor o material da banda Planet Hemp, mas não viveu para ver o seu sucesso e a polêmica que iria causar em todo o país. Entretanto, seu legado está presente e é reverenciado até hoje. Mas ele não fez isso sozinho. Ao seu lado estava seu grande amigo Marcelo D2. O filme Legalize Já retrata com propriedade o início da amizade entre Skunk e D2, a formação da banda Planet Hemp e o início do seu sucesso com o disco Usuário, lançado em 1995. Dirigido por Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, e escrito por Felipe Braga, o longa tem uma cara de filme independente, uma fotografia ousada e muito bonita, além de ótimas atuações e uma ótima trilha sonora. Um filme para o qual se mantenha o respeito.

Bohemian Rhapsody (2018)

O diretor Bryan Singer ficou conhecido por conceber os melhores filmes da franquia X Men, além de ter dirigido o excelente Os Suspeitos, um filmaço de 1995 subestimado pela crítica. Mas foi em Bohemian Rhapsody que ele mostrou o grande diretor que é, ao retratar com tanta exuberância e cuidado a vida de Freddie Mercury e a obra do Queen. É verdade que o longa tem algumas falhas.  O roteiro de Anthony McCarten e Peter Morgantem tem alguns furos, além de alguns fatos sobre a banda serem omitidos e outros inventados, mas tudo em nome da boa e velha licença poética, que libera certos dribles na realidade para tornar a obra mais suculenta e apetitosa. O filme é vigoroso e vale a pena ser visto! Ah, sim! Há de se exaltar a brilhante atuação de Remi Malek como Freddie Mercury. O cara mandou bem demais! E a reprodução no filme da apresentação do Queen no Live Aid (olha o dia do rock aí!) é impecável!

Tim Maia (2014)

A história de Tim Maia chega a ser inacreditável! Dessas que quem ouve falar diz “Nossa, a vida desse cara dava um filme”. Pois é. Não bastou ser um dos maiores cantores do país, Tim Maia ainda teve uma vida intensa e cheia de momentos dignos de nota. A infância pobre no Rio de Janeiro. A banda promissora que foi desfeita depois de uma traição, a viagem aos Estados Unidos, a juventude transviada das drogas, a deportação e finalmente a ascensão na música. Mas não pára por aí, porque depois ainda vem a fase Racional, a criação de seu próprio selo, os shows que ele foi e os que ele não foi e a morte que quase aconteceu em cima do palco. Com uma história dessas, seria muito difícil sair um filme ruim. Ainda bem que Mauro Lima, que escreveu e dirigiu o filme, que foi inspirado no livro Vale Tudo, de Nelson Motta, soube aproveitar essa história e realizar um filmaço! Com uma direção fluída, ótima fotografia e atuações espetaculares. A trilha sonora, não precisamos nem dizer, é do c#r@l§! E se você está se perguntando o que o Tim Maia tem a ver com o rock, basta você saber que, além de ter feito uma música influente em todas as vertentes, estamos falando do cara que assumia bem humorado que, antes dos shows, praticava o triátlon, ou seja, mandava pra dentro whisky, maconha e cocaína. Se isso não é rock n’ roll, meu amigo…

Menção Honrosa

Ainda que o dia 13 de julho seja considerado o Dia Mundial do Rock mais aqui no Brasil mesmo, certamente, o mês de julho deve ser celebrado como o mês do rock n’ roll, independente disso. Em especial o dia 5 de julho é deveras significativo para a história do rock. Afinal, foi nesse dia que Elvis Presley, acompanhado de Scotty Moore e Bill Black gravou no estúdio da Sun Record a música That’s Alright Mama, a primeira gravação de Elvis, que se tornou popular e influenciou gerações a seguir. Por isso mesmo, não podemos deixar de citar o ótimo filme Elvis, escrito e dirigido por Baz Luhrmann, lançado em 2022. É um filme vigoroso e muito bem produzido, que conta toda a trajetória de Elvis. O longa conta com Tom Hanks, brilhante no papel de Coronel Tom Parker, e Austin Butler numa impressionante interpretação de Elvis. Não é só que o filme é bom, mas também a história de Elvis e sua música são inigualáveis. Não é à toa que ele ficou conhecido como o Rei do Rock, tendo influenciado todo mundo que veio depois dele. Inclusive os Beatles, cuja primeira apresentação nos Estados Unidos aconteceu no dia 5 de julho de 1964. É… talvez seja boa ideia a gente rever esse dia do rock no mês de julho.

Seja dia 5 ou dia 13, não importa! Porque todo dia é dia de rock! Pelo menos pra nós aqui da Strip Me! Por isso estamos sempre produzindo camisetas instigantes e provocadoras, além de super descoladas, claro! Entra na nossa loja pra conferir! Toda semana pintam novos lançamentos, e lá você encontra camisetas de música, cinema, arte, cultura pop e muito mais!

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist caprichada com músicas dos artistas biografados nos filmes citados neste texto! Rock no Cinema (Parte 2) top 10 tracks.

Double Trouble: 10 casais mais polêmicos da música pop!

Double Trouble: 10 casais mais polêmicos da música pop!

A Strip Me segue no clima de romance do mês dos namorados, mas acrescenta uma pitada de polêmica ao apresentar os 10 casais mais polêmicos da música pop!

Todos os clichês do mundo nunca serão suficientes para descrever com exatidão o que acontece quando duas pessoas se atraem e formam um casal. Carne e unha, almas gêmeas, as metades da laranja, a tampa da panela… E quando um casal se junta, é legal notar que sempre rola uma torcida por parte dos amigos. Uma torcida a favor e outra contra, vale dizer. Agora, quando um casal é formado por celebridades, pessoas famosas, essa torcida se torna ainda maior, e não só por parte de amigos, mas de fãs e pessoas que curtem acompanhar as fofocas de gente famosa.  Acontece que alguns desses casais de pessoas famosas acabam extrapolando as colunas das revistas de fofocas… quer dizer, os comentários no Instagram e manchetes dos sites de entretenimento. É aí que a coisa começa a ficar interessante.

Na cultura pop são muitos os casais que ganharam notoriedade por serem muito polêmicos, por aprontar muito, por ser muito diferente… enfim. São casais que acabam gerando discussões interessantes sobre vários assuntos de maneira indireta, por conta de seu comportamento. Hoje vamos falar de 10 casais do mundo da música que tiveram esse tipo de destaque e ganharam notoriedade. No mês do dia dos namorados, vamos celebrar o amor em suas mais diversas versões conhecendo um pouco da história desses casais.

Elis Regina & Ronaldo Bôscoli
Elis Regina chegou no Rio de Janeiro, vinda do Rio Grande do Sul ainda muito novinha, mas já como uma promessa. Era uma cantora de personalidade e voz versátil. Emplacou várias apresentações no famoso Beco das Garrafas, no centro do Rio, onde conheceu os produtores e agitadores culturais Miéle e Ronaldo Bôscoli. E foi por Bôscoli que Elis se encantou. Os dois rapidamente começaram a namorar. Se casaram em 1967, ela com 22 anos e ele com 38, sendo que Elis já estava consagrada como grande cantora e apresentadora de TV. O casal estava sempre nas colunas sociais, e o que mais rolavam eram fofocas, nem sempre infundadas, sobre as puladas de cerca de Bôscoli, um boêmio e mulherengo incurável. Até que Bôscoli engatou um romance difícil de esconder com a também cantora Maysa. O caso rapidamente ganhou as páginas das revistas e jornais, com escândalos e brigas entre Elis e Bôscoli. Elis e Maysa eram mulheres geniosas e muito ciumentas. O casamento acabou num tumultuado divórcio em 1972, mas marcou o casal Elis Regina e Ronaldo Bôscoli como um dos mais famosos da música popular brasileira.

Ronaldo Bôscoli & Elis Regina

Tracy Chapman & Alice Walker
Essa é uma história maluquíssima  e cujos detalhes ninguém realmente sabe direito. A cantora e compositora Tracy Chapman sempre foi muito reservada em relação a sua vida pessoal, incluindo a sua orientação sexual. Mas o mesmo não se pode dizer de uma, aliás, duas, de suas antigas namoradas. As datas são imprecisas, mas em 2006 a escritora Alice Walker, autora de clássicos como o livro A Cor Púrpura, deu uma entrevista reveladora assumindo que teve um caso que durou alguns anos com Tracy Chapman na década de 1990. Até aí tudo bem. Acontece que essa história acabou repercutindo muito mais, porque a filha de Alice, Rebecca Walker, também foi à imprensa e até escreveu livros fazendo críticas duras à sua mãe e o modo como foi criada. E uma dessas mágoas é justamente porque foi ela, Rebecca, quem começou um relacionamento com Tracy. E, supostamente, Alice “roubou” a namorada da filha. Tracy Chapman nunca se manifestou a respeito disso tudo, mas Alice e Rebecca Walker, vira e mexe, trocam farpas através da imprensa. Aqui no Brasil o caso não chegou a chamar muita atenção, mas nos Estados Unidos já deu muito o que falar.

Tracy Chapman & Alice Walker

Rita Lee & Arnaldo Baptista
Por falar em treta, um dos casais mais marcantes da música brasileira foi Rita Lee e Arnaldo Baptista. Rita e Arnaldo faziam parte da legendária banda Mutantes, responsável por reinventar o rock brasileiro, na onda do movimento tropicalista. Para além da banda, Rita e Arnaldo namoravam e chegaram a se casar em 1968. Foi um casamento no mínimo conturbado. O casal morava numa comunidade hippie na serra da Cantareira e viviam a filosofia power flower, de amor livre, sem pudores. Porém, se hoje em dia esse negócio de relacionamento aberto ainda causa confusão, imagina naquela época. Rolava muito ciúme e traições de ambos os lados. Mas a traição maior mesmo foi quando o próprio Arnaldo expulsou Rita Lee dos Mutantes, sem mais nem menos. Acontece que Rita não se abalou e logo deu início a uma carreira solo bem sucedida. Rita Lee deixou os Mutantes em 1972, mas só foi conseguir o divórcio de Arnaldo em 1977, quando ela rasgou sua certidão de casamento no programa da Hebe Camargo. Arnaldo, naquela época, vivia ressentida com o sucesso de Rita. Em seu primeiro disco solo, Lóki, a canção Desculpe é claramente endereçada a Rita Lee. Em determinado verso, emocionado, Arnaldo canta: “Não sou perfeito, nem mesmo você é, Riiiiii… Yeah!”.

Rita Lee & Arnaldo Baptista

Lou Reed & Rachel Humphreys
New York nos anos 1970 certamente não era uma cidade em que um cidadão conservador gostaria de criar seus filhos. Nos bairros mais boêmios como o Greenwich Village, Soho e Queens, a situação se acentuava. Em 1973, numa boate que apresentava shows de transformistas e transgêneros, Lou Reed estava no balcão do bar, absolutamente chapado como de costume, quando se encantou com uma garota trans chamada Rachel. Depois de um papo e uns drinks, Reed a levou para sua casa. Começava ali um relacionamento cheio de altos e baixos, mas que acabou realmente marcado pelo machismo e preconceito.  Por mais que os dois morassem juntos, ela não dava declarações a imprensa, muitas vezes Reed a escondia ou evitava falar sobre ela. Quando o namoro finalmente terminou, em 1977, Lou Reed se negou desde então a falar sobre Rachel. O que poderia ter sido um caso exemplar de amor sem preconceito, acabou na vala comum da transfobia e do machismo. Rachel morreu em 1990 em decorrência da AIDS. O que ficou de bom desse romance trágico foi um disco excelente. Coney Island Baby é o sexto disco solo de Lou Reed, Junto de Transformer e Berlim, é um dos melhores discos do artista. E sabidamente, todas as músicas do disco tiveram Rachel como musa inspiradora.No fim da faixa título, Reed diz “I’d like to send this one out to Lou and Rachel, and all the kids at P.S. 192”.

Lou Reed & Rachel Humphreys

Daniela Mercury & Malu Verçosa
Hoje em dia é um dos casais mais queridos do Brasil. Mas no início a polêmica foi grande. Daniela Mercury, a rainha suprema do axé (sorry, Ivete, mas você sabe que é verdade) surpreendeu o país em 2013 quando publicou uma foto no Instagram comunicando seu casamento com a jornalista Malu Verçosa. Até então, Daniela havia tido dois casamentos com homens, e só depois do fim do segundo casamento, em 2012 ela se assumiu bissexual. Na sequência já começou a namorar firme Malu. E justamente em 2013 uma resolução publicada pelo Conselho Nacional de Justiça garantiu o casamento homoafetivo no país. Daniela e Malu se casaram em outubro de 2013. De lá pra cá, seguem sendo um casal lindíssimo, esbanjando amor e atuando ativamente em prol da igualdade e contra o preconceito e homofobia. Na real elas não formam um casal assim tão polêmico. Mas é um casal tão querido, e que completa 10 anos de união neste ano, que acabou entrando para esta lista!

Daniela Mercury & Malu Verçosa

Sid & Nancy
Mas se é pra ser polêmico, aqui sim temos um casal daqueles! Afinal, quis o destino que um moleque rebelde e afeito ao caos, que integrava uma das bandas mais controversas do mundo e uma menina vinda de uma família disfuncional e com um apetite voraz por álcool e drogas se apaixonassem perdidamente. Sid Vicious e Nancy Spungen começaram a namorar  no início de 1977, logo depois de Sid ter sio integrado aos Sex Pistols como baixista. Com o lançamento de Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols, a banda estava em evidência, ganhando muito dinheiro. Isso fez com que Sid e Nancy se esbaldassem e se tornassem um casal famoso na cena punk de Londres por seus excessos e demonstrações de carinho e ciúme em público. Com o fim da banda, em janeiro de 1978, Sid e Nancy decidem se mudar para New York, onde Sid dá início a uma carreira solo empresariada por Nancy. Ou seja, tinha tudo pra dar errado. E deu. Hospedados no lendário Chelsea Hotel, Nancy foi encontrada morta, com uma facada na barriga, no banheiro do apartamento no dia 12 de outubro de 1978. Sid também estava lá, grogue e muito confuso. Os dois eram heavy users de heroína. Sid foi preso, acusado pela morte de Nancy, mas nunca foi a julgamento. Saiu da prisão no mesmo ano e acabou morrendo de overdose no começo de 1979. Até hoje há várias versões, que culpam e inocentam Sid pela morte de Nancy. A única coisa que sabemos com certeza é que Sid Vicious entrou para a história como a personificações do punk rock.

Nancy Spungen & Sid Vicious

Max Cavalera & Gloria Cavalera
Quando foi lançado o documentário Sepultura Endurance, retratando os 30 anos da banda Sepultura, o sábio João Gordo, amigo íntimo dos integrantes da banda, publicou um breve comentário sobre o filme em suas redes sociais, que define com objetividade e perfeição a história do Sepultura:  “Eles tinham o mundo na mão. Enfiaram tudo no c*.” A história da banda está intimamente ligada ao casal Max e Gloria. Gloria nasceu e cresceu nos Estados Unidos e acabou sendo convidada pela gravadora Roadrunner para ser empresária do Sepultura. De cara, ela e Max já se deram bem e engatarm um relacionamento. Foram morar juntos em Phoenix em 1992. Em 1996, durante a tour do disco Roots, as coisas já vinham mal entre o casal e o resto da banda. Depois de uma crise, a banda fez uma reunião, na qual decidiu que Gloria não mais seria sua empresária. Por conta dessa decisão, Max saiu da banda. A história é muito mais complexa que isso, é verdade. Mas o resumo da ópera é esse. E o casal Max e Gloria entrou para a história do rock n’ roll por ter protagonizado a ruptura do Sepultura (rimou!) num momento em que a banda estava prestes a ingressar no mais alto escalão do rock pesado, ao lado do Metallica e Slayer. Mas, como bem disse João Gordo… enfiaram tudo no c*.

Gloria Cavalera & Max Cavalera

Kurt & Courtney
Quem visse Kurt Cobain e Courtney Love juntos em meados de 1992, facilmente poderia encarar o casal como uma versão noventista de Sid e Nancy. Pelo menos o apetite por drogas era o mesmo, mas sem a violência urgente e destrambelhada do casal punk dos anos 70. A diferença de idade é um fator que ajuda a distanciar os dois casais. Nancy e Sid eram praticamente adolescentes, ela morreu com 20 anos e Sid com 21. Em 1992, quando o namoro entre os dois realmente ficou sério, a ponto de se casarem  naquele mesmo ano, Kurt tinha 24 anos e Courtney 28. Os dois tinham suas bandas, seus compromissos e, mesmo cultivando seus excessos, tinham certo equilíbrio. Mas eram um casal polêmico. Não tinham preguiça de arrumar encrenca com a imprensa, principalmente quando Courtney engravidou e foi publicado que ela continuava se drogando durante a gravidez. Também não eram poucas as histórias sobre puladas de cerca de Courtney, que teria tido casos com Billy Corgan, dos Smashing Pumpkins, e até mesmo com Slash, dos Guns n’ Roses. Mas tudo supostamente, ninguém prova nada nessa história. Inclusive, rolam teorias da conspiração envolvendo a morte de Cobain que colocam Courtney como mandante do assassinato do marido! O fato é que numa época de pura iconoclastia como foi a década de 1990, Kurt e Courtney foram o casal ideal para estampar capas de revista e camisetas de rock.

Kurt Cobain & Courtney Love

 Cazuza & Ney Matogrosso
“Ele foi na minha casa com uma amiga e a certa altura a gente foi fumar um baseado, tomamos um Mandrix, e lá pelas tantas ele me perguntou se eu daria um beijo nele. E dei. Não significava nada dar um beijo naquela época. Só que que quando a gente deu esse beijo o mundo se apagou ao redor, ficamos nós dois dentro daquilo. E não nos largamos mais”. Assim Ney Matogrosso descreve seu primeiro encontro com Cazuza. Isso aconteceu em 1979. Cazuza tinha 17 para 18 anos e era um ilustre desconhecido. Aliás, não tão desconhecido, já que seu pai era um importante diretor de uma grande gravadora. Já Ney Matogrosso tinha 38 anos e uma carreira muito sólida. Numa época que ainda não existia a cultura os paparazzi, o casal andava numa boa pelos bares e boates do Rio de Janeiro. Porém, o relacionamento durou pouco. Apenas 4 meses. Nessa época, Cazuza estava começando o Barão Vermelho e estava descobrindo o mundo das drogas. Os hormônios da juventude fervendo junto com a cocaína davam a Cazuza energia e irresponsabilidade suficiente para que Ney acabasse com o namoro. Mas os dois permaneceram amigos até os últimos dias de Cazuza. Certamente, Ney e Cazuza são um casal memorável e muito marcante da música moderna brasileira.

Ney Matogrosso & Cazuza

John & Yoko
Não dava pra encerrar essa lista com outro casal que não este. John Lennon conheceu Yoko Ono em 1965 numa exposição que a artista japonesa apresentava em Londres. John teve uma ótima impressão da arte envolvente, moderna e provocadora de Ono. Os dois passaram a se falar com certa frequência. Nessa época, John já era casado com Cynthia e tinha um filho, Julian. Mas, com o passar do tempo, John foi se apaixonando cada vez mais por Yoko. Até que, em 1967, num ato vergonhoso, John Lennon deu um perdido em Cynthia na estação de trem de Londres, e embarcou com Yoko e outros integrantes dos Beatles para a Índia, para ter o famigerado retiro com o guru Maharish. Depois disso, John se divorciou e se casou com Yoko em 1968 em Gibraltar. Toda a saga deste casamento é contada na divertida canção The Ballad of John & Yoko, escrita e interpretada por John Lennon e Paul McCartney, que gravaram a música inteira, John gravou vocal, guitarras, violão e pandeirola, e Paul gravou piano, baixo, bateria e backing vocals. A lua de mel do casal foi dominada pelos famosos bed-ins, quando eles lançaram a campanha War is Over, pelo fim da guerra no Vietnã. No início dos anos 1970 o casal se mudou de Londres para New York, onde tiveram uma vida muito movimentada, criando seu filho Sean, gravando discos e promovendo performances de arte, além de militar por direitos humanos. Marcou o casal sua separação que ficou conhecida como Fim de Semana Perdido, em que John se separou de Yoko, passou a namorar a empresária May Pang e caiu na farra em Los Angeles entre os anos de 1974 e 1976, quando ele reatou seu casamento com Yoko. John foi morto por um tiro disparado por um fã na noite do dia 8 de dezembro de 1980.

John Lennon & Yoko Ono

Que lista maravilhosa! Onde a gente percebe que a arte realmente tem o poder de unir as pessoas. Faz a gente perceber a diversidade que existe entre todos nós, e como isso é bom! A gente tem que admitir que o amor não é uma coisa simples, mas certamente vale a pena vive-lo intensamente! Por isso, o amor, a música e o amor à música inspiram a Strip Me a estar sempre concebendo camisetas com estampas lindas e originais que celebram todo esse amor! São camisetas de música, cinema, arte, cultura pop e muito mais. Na nossa loja você encontra toas elas, além de ficar por dentro dos lançamentos, que pintam toda semana.

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist caprichada com uma música de cada artista aqui apresentado nessa lista maravilhosa! Double Trouble Top 10 tracks.

Para assistir: Apear de não ser fácil de encontrar nos streamings, vale a pena procurar pra assistir o filme Sid and Nancy, O filme é de 1986, dirigido pelo Alex Cox e conta a história do casal mais punk que já existiu. O filme tem seus exageros e um final meio piegas, é verdade, mas vale a pena ver. Nem que seja pela trilha sonora, ou por para ver o Sid Vicious sendo interpretado pelo Gary Oldman, sim, o sisudo policial Jim Gordon dos filmes do Batman de Christopher Nolan!

Para ler: Em 2018 saiu pela editora Tordesilhas a autobiografia de Ney Matogrosso. O livro se chama Vira Lata de Raça e é muito bom. Numa narrativa simples e, em certos pontos, com tom de confidência, Ney Matogrosso conta sua vida inteira. Além de sua trajetória fantástica no mundo da música, Ney dedica um capítulo inteiro para dissertar sobre o seu relacionamento com Cazuza. Leitura mais que recomendada.

10 Curiosidades para entender Post Malone.

10 Curiosidades para entender Post Malone.

A Strip Me te ajuda a desvendar quem é Post Malone, um dos maiores e mais controversos ícones da música pop atual.

No fim de abril de 2020 o bicho estava pegando como nunca. A Covid-19 assombrava todo o planeta. Na maioria dos países o lockdown foi implantado e manteve as pessoas isoladas em casa, para evitar a transmissão do vírus. Neste cenário, muitos artistas começaram a veicular performances ao vivo, transmitidas pela internet. As lives tinham o propósito de entreter, mas também de arrecadar dinheiro, através de doações, tanto para que artistas e seus funcionários continuassem a trabalhar, como também para ajudar entidades e organizações. Uma das lives mais impressionantes foi a de Post Malone, no dia 24 de abril de 2020. Ao invés de ele aparecer interpretando suas próprias canções, Malone se juntou a outros três músicos, entre eles, o baterista Travis Barker, da Blink-182, e, por quase uma hora e meia, interpretou 16 músicas do Nirvana. E o fez com competência e energia invejáveis. Era nítido que os músicos ali se divertiam tocando, a escolha do repertório impressionou por contar com músicas pouco conhecidas como Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle ou Lounge Act, mas também clássicos como Heart Shaped Box e In Bloom. É muito provável que essa live tenha sido responsável por apresentar a obra de Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl à nova geração de jovens. Além de prestar esse serviço, a live de Post Malone foi responsável por arrecadar mais de 5 milhões de dólares para o fundo de pesquisa e combate à Covid-19 da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Post Malone – Photo Credit: Eric Ryan Anderson

O fato de Post Malone ter feito uma live inteira dedicada à obra do Nirvana não causaria surpresa nenhuma se ele fosse um músico quarentão, vocalista de uma banda de rock qualquer. Mas não. Em 2020 Post Malone já era considerado um dos mais importantes nomes do rap e hip hop, e tinha apenas 26 anos de idade. O fato de Post Malone ser um jovem cantor de rap e estar tão à vontade tocando e cantando hinos do grunge é apenas uma das muitas atitudes de seu comportamento controverso. Post Malone, que tem um talento indiscutível para compor e cantar rap, trap e hip-hop, já entrou em discussões com grandes nomes do estilo, como Lil B e Vince Staples, dizendo que o hip hop não canta mais sobre a vida real, já foi chamado de abutre da cultura, por, teoricamente, se apropriar da cultura afro americana. , pra piorar, depois desse incidente, ainda fez a infeliz declaração: “É uma luta ser um rapper branco.”. Se declarou contra o governo Trump, mas é um ávido colecionador de armas de fogo e suas tatuagens foram feitas, em boa parte, por ele mesmo. Realmente um personagem complexo, que vamos tentar entender melhor conhecendo 10 curiosidades sobre sua vida.

1 – Legítimo estadunidense.

Post Malone nasceu no dia 4 de julho de 1995, batizado Austin Richard Post. Ou seja, nasceu no dia da independência norte americana. Talvez isso ajude a explicar o fato de ele ser tão consumista a ponto de, antes da fama, quando trabalhava numa lanchonete, economizar seu salário por meses para comprar um par de mocassim da marca Versace por 800 dólares, e também o fato de ele ser tarado por armas de fogo.

2 – Criado na pista.

O pai de Post Malone, Rick Post, era DJ em alguns clubes de Syracuse, NY, e tinha em casa uma vasta coleção de discos de rock, R&B, soul e country. Malone cresceu imerso na coleção de discos do pai. Quando ele tinha 9 anos de idade, a família se mudou para Grapevine, no Texas, onde seu pai abandonou as pick ups para trabalhar como gerente administrativo no time de futebol americano Dallas Cowboys. Mas a coleção de discos acompanhou a família na mudança, e mesmo Rick não trabalhando mais como DJ, os discos não ficaram pegando poeira num canto, graças ao jovem Richard Post.

3 – O pesado início no mundo da música.

Ainda antes de se tornar Post Malone, Austin Richard Post descolou uma guitarra e montou uma banda de heavy metal com alguns camaradas. A banda era bem calcada no death metal dos primeiros discos do Metallica e do Megadeth. A banda se chamava Ashley’s Arrival e, como o péssimo nome já dava a entender, a banda não tinha muito futuro. Tanto que o jovem Richard Post, querendo viver de música, resolveu encarar um teste para ser guitarrista da banda de new metal Crown the Empire. Ele fez o teste, mas não mandou muito bem e foi dispensando logo de cara.

4 – I’m goin’ through changes.

Vivendo os dissabores do rock pesado e o desejo de viver de música, Austin Richard Post passa a se interessar por rap e hip hop e começa a escrever algumas letras. Na internet, encontrou um site divertido que gerava nomes aleatórios para cantores de diversos estilos musicais. Ele selecionou rap e apareceu um nome composto, Malone alguma coisa. Ele pegou então seu sobrenome e acrescentou o nome Malone. Nascia assim Post Malone. Já com uma fita demo de alguns raps que ele escrevera e gravara no Audacity, Post Malone se mandou do Texas, indo sozinho morar em Los Angeles e tentar a sorte.

5 – Sucesso da noite para o dia.

Post Malone chegou em LA em 2011. Batalhou grana, fez amizades no mundo da música, trampou em estúdios… até que, no início de 2015, gravou uma música chamada White Iverson, fazendo referência a um jogador de basquete. A canção foi finalizada no estúdio de um amigo em fevereiro de 2015, e Post Malone a publicou em seu perfil do Soundcloud. Ele próprio já contou em entrevistas que postou a música e foi dormir. Quando acordou, sem explicação nenhuma, a faixa tinha milhares de acessos. Em poucos dias White Iverson recebia elogios no Twitter de nomes como Wiz Khalifa. Da noite para o dia, Post Malone era um sucesso.

Post Malone – Photo Credit: Eric Ryan Anderson

6 – Amigo de fé irmão camarada.

Em menos de um mês White Iverson atingiu um milhão de acessos. Começaram a aparecer convites para shows e contatos de gravadoras querendo contratá-lo. Numa dessas festinhas de gravadoras, Post Malone conheceu pessoalmente Justin Bieber. Malone já era fã das músicas de Bieber e se aproximou acanhado, como fã mesmo, pra pedir uma foto. Só que os dois começaram a trocar ideia e se tornaram parças. A amizade vingou e se tornou profissional quando Justin Bieber convidou Post Malone a fazer a abertura de seus shows na turnê Purpose World Tour, que durou quase um ano, entre 2016 e 2017.

7 – Quebrando recordes.

A ascensão de Post Malone foi realmente meteórica. No começo de 2015 lançou o single White Iverson, em poucos meses a faixa já tinha milhões de acessos, ele lançou outros singles com igual sucesso, em 2016 lançou seu primeiro disco, Stoney, que de cara, chegou à oitava posição da Billboard e vendeu mais de 10 milhões de cópias. Em 2017 lotou shows e começou a produzir seu segundo disco, que seria lançado em 2018. O primeiro single do novo disco foi a canção Rockstar, em parceria com 21 Savage. O single ficou por 8 semanas como número 1 da Billboard. Em abril de 2018 foi lançado o disco Beerbongs & Bentleys. O disco quebrou o recorde do Spotify de número de execuções de um disco em seu primeiro dia de lançamento. Foram 78,7 milhões de streams em todo o mundo, em um único dia. Em agosto do mesmo ano, o primeiro disco de Malone, Stoney, quebrou mais um recorde e desbancou Thriller, do Michael Jackson, ficando 77 semanas no top 10 da Billboard. Thriller ficou “apenas” 76 semanas.

8 – Coisa de cinema.

Não é surpresa pra ninguém que Post Malone tenha migrado também para o cinema. Afinal, atualmente todo mundo acaba sendo multimídia. Em 2018 Post Malone lançou a faixa Sunflower, que entrou na trilha sonora do filme da Marvel Spider-Man: Into the Spider-Verse. Além disso, Malone ainda fez uma ponta dublando um personagem secundário no longa. Depois, foi convidado para atuar ao lado de Mark Wahlberg no filme Troco em Dobro (Spenser Confidential), lançado em 2020. Também fez uma ponta no filme Infiltrado, de 2021,com Jason Statham e participou de produções para a TV num filme chamado Runaway, lançado em 2022, e dublou um personagem numa animação das Tartarugas Ninja para a Nickelodeon.

Post Malone – Photo Credit: Eric Ryan Anderson

9 – Voando baixo demais.

No dia 21 de agosto de 2018 Post Malone embarcou num jato particular para voar de New Jersey para Londres, onde faria alguns shows. Após a decolagem duas rodas do avião, do nada, explodiram. Era muito arriscado cruzar o Atlântico depois de algo assim acontecer. O jeito era pousar. Mas o avião acabar de decolar, e estava com o tanque cheio. Uma aterrissagem de emergência sem as rodas poderia acabar explodindo o avião inteiro. A solução foi o avião ficar sobrevoando New Jersey em círculos até consumir o máximo possível de combustível. Horas depois, o piloto realizou um pouco de emergência bem sucedido. As 16 pessoas que ocupavam o avião saíram ilesas. Entre a tripulação do avião e os funcionários do aeroporto que auxiliaram o pouso pela torre, somaram-se 25 pessoas que receberam passe livre vitalício para qualquer show de Post Malone.

10 – Post empreendedor.

Post Malone vem ganhando uma fortuna com sua música, isso todo mundo sabe. O que pouca gente sabe é que essa fortuna acaba gerando mais uma fortuna, porque Post Malone também curte ser empreendedor. Melhor dizendo… investidor. Em 2020, por causa do cinema, icou amigo de Mark Wahlberg. Na casa do ator, Post Malone foi apresentado ao mundo dos vinhos finos e se encantou. Logo achou uma vinícola em Saint Tropez, na França, comprou-a, criou um rótulo próprio e passou a vender um vinho rosè de altíssima qualidade chamado Maison No.9. É um vinho com uma nota muito alta entre os críticos e que chegou a vender mais de 50 mil garrafas em dois dias. Além disso, Post Malone também tem participação na empresa Amette, responsável por uma linha descolada de óculos escuros e também com a Crocs, que podem não ser os calçados mais bonitos do mundo, mas que vendem horrores.

Post Malone – Photo Credit: Eric Ryan Anderson

Pois é. Post Malone é uma figura peculiar do mundo da música. Eclético, de personalidade forte, talentoso e multi-tarefa! Um artista que é a cara da Strip Me, versátil, descolada e cheia de personalidade. E assim são as nossas camisetas de música, cinema, arte, cultura pop e muito mais. Dá uma chegada na nossa loja pra conhecer e também ficar por dentro dos lançamentos, que pintam toda semana.

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist no capricho com o que há de melhor do Post Malone! Post Malone Top 10 tracks.

Para assistir: Vale a pena conferir o filme Troco em Dobro, produção da Netflix, com Mark Wahlberg. É um filme de ação e comédia bem divertido. A direção é do Peter Berg, responsável por Hancock.  Post Malone aparece como um presidiário, amigo do personagem de Wahlberg. Não é um filmaço, mas é um bom entretenimento. Vale a pena ver.

10 Fatos que justificam a majestade de Rita Lee, a nossa Rainha do Rock.

10 Fatos que justificam a majestade de Rita Lee, a nossa Rainha do Rock.

Rita Lee é mais que a Rainha do Rock Brasileiro. É uma das artistas mais importantes da música e uma das mulheres mais influentes do Brasil! Portanto é absolutamente apropriado que este texto seja publicado hoje, dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Afinal, é uma maneira de exaltarmos todas as mulheres ao homenagear a Rita F*cking Lee, uma mulher de 75 anos de idade que revolucionou o rock n’ roll no Brasil, é uma das artistas que mais vendeu discos na história da música pop brasileira, é ativista pelo feminismo e pelos direitos dos animais, já foi elogiada pelo atual rei da Inglaterra, além de cantora e compositora, é artista plástica, atriz e escritora e recentemente vem lutando bravamente contra um câncer. Rita Lee é certamente nossa super-heroína!

Nascida em 31 de dezembro de 1947, Rita Lee Jones é a terceira filha do casal Charles e Romilda. Ele filho de pais norte americanos, vindos do Alabama para se estabelecer em Santa Barbara D’Oeste, ela filha de italianos vindos do sul da Itália. Rita nasceu e foi criada no bairro Vila Mariana, na capital paulista. Lá estudou, fez amizades, montou sua primeira banda, namorou,  saiu da casa dos pais, mas alugou uma casa no bairro, casou, se divorciou e teve um filho. Rita Lee só deixou de morar na Vila Mariana após 1977. Estabeleceu uma parceria simbiótica com Roberto de Carvalho, que se tornou parceiro musical e amante, numa relação que perdura até hoje. Foi com ele que ela escreveu seus maiores sucessos. Sempre foi apaixonada por bichos, quando criança, dizia querer ser veterinária. Já teve tudo quanto é bicho de estimação, inclusive uma jaguatirica, que andava livremente pela casa como um enorme e manhoso gato. Enfim, a vida de Rita Lee é uma grande e empolgante aventura que é difícil de se resumir. Por isso, separamos 10 fatos marcantes de sua vida, que mostram porque Rita Lee é uma das mulheres mais importantes da história contemporânea do Brasil.

1 – Origens.

Caetano Veloso já cantou que Rita Lee é a mais perfeita tradução da cidade de São Paulo. Constatação irrefutável. Sendo descendente de estadunidenses e italianos, Rita Lee cresceu entre a cultura cosmopolita e moderna dos Estados Unidos e a cultura tradicionalista e passional da Itália. Tudo isso vivendo na maior cidade da América Latina. Desde cedo, era curiosa e afeita à leitura. Apesar das aspirações infantis de ser veterinária, e da vontade do pai que ela seguisse seus passos e fosse dentista, Rita ingressou na USP para cursar comunicação social e ser jornalista. Mas nessa época, ela já estava envolvida com a música e optou por largar a faculdade para seguir os caminhos do rock n’ roll.

2 – Girl Power.

Em 1963 Rita Lee saiu da banda onde fazia alguns vocais para montar sua própria banda. E fez questão de que fosse uma banda só de garotas. Surgiu então o trio Teenage Singers. A banda fez algumas apresentações e tinham certo reconhecimento entre os jovens paulistanos, mas era um conjunto limitado. O forte delas era cantar e sentiam que precisavam de um instrumental mais coeso acompanhando-as. Foi quando elas conheceram um outro trio, os Wooden Faces, cujos integrantes eram os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista e o baterista Dinho. Os dois trios se juntaram formando o conjunto O’Seis, que, após algumas mudanças de formação, ficariam famosos como Os Mutantes.

3 – Multi Rita.

É exagero dizer que Rita Lee era a alma dos Mutantes. Até porque o principal compositor e quem criava as concepções psicodélicas da banda era Arnaldo Baptista. Porém, Rita Lee era a carta na manga, o super trunfo dos Mutantes. Enquanto cada integrante se limitava a no máximo dois instrumentos, Rita Lee tocava de tudo! Piano, sintetizador, percussão, pandeirola, violão, escaleta e até mesmo uma bomba de detetização. Além disso, era compositora de mão cheia. É dela, por exemplo, a icônica canção 2001, escrita em parceria com Tom Zé. Rita também se encarregava dos figurinos  e trazia para a banda um bom humor e leveza irresistíveis.

4 – Sem tempo, irmãos.

Rita Lee foi mandada embora dos Mutantes.  A verdade é essa. Verdade confirmada pelos próprios irmãos Baptista tempos depois da dissolução da banda. Acontece que no começo dos anos 70 Arnaldo e Sérgio entraram numa onda de virtuosismo, estudando ao máximo seus instrumentos e embevecidos pela pompa do aristocrático rock progressivo que despontava.  Um som que se levava a sério até demais. Rita Lee fazia de tudo um pouco, mas não era virtuose em nenhum instrumento. E também não via muita graça em Emerson, Lake and Palmer. E os irmãos Baptista não viam mais espaço para Rita Lee nos Mutantes, que agora seriam uma banda séria de rock progressivo. Mas se você acha que isso a abalou, achou errado. Não só ela seguiu uma bem sucedida carreira solo, como convenceu os Mutantes a serem sua banda de apoio em suas primeiros discos solo, que não tinham nada de rock progressivo.

5 – Rasgando o verbo.

Rita Lee e Arnaldo Baptista, além de companheiros de banda, se tornaram namorados. Mas o ano era 1968 e o bicho grilismo imperava entre a juventude. A banda chegou a morar um tempo numa comunidade hippie na serra da Cantareira e o casal praticava o amor livre, atualmente conhecido como relacionamento aberto. Muitos anos depois a própria Rita afirmaria que eles não se amavam de verdade, mas que ela se sentia traída quando via Arnaldo com outras mulheres. E nessa época, justamente para poder morar fora e levar sua vida como quisesse, Rita precisou se casar, para ter aceitação da família. O casamento só serviu para uma coisa: uma cena épica, ao vivo na televisão. No programa da Hebe Camargo, em 1972, Rita Lee rasgou sua certidão de casamento na frente das câmeras.

6 – Fruto de sucesso.

Em 1973 Rita Lee, já rompida de vez com os Mutantes, conhece o guitarrista Luis Carlini e monta uma nova banda, a Tutti Frutti. Porém, nos discos, pelo contrato com a gravadora, Rita Lee era uma artista solo, então a banda ficou sendo Rita Lee & Tutti Frutti. Em 1974 a banda lança o ótimo disco Atrás do Porto Tem uma Cidade. Mas o sucesso vem mesmo no ano seguinte, quando é lançado o disco Fruto Proibido. Alavancado pelo single Ovelha Negra, o disco acaba como um dos mais vendidos de 1975 e se torna um clássico absoluto do rock brasileiro. E não é para menos. Fruto Proibido conta com performances excelentes de Luis Carlini e Lee Marcucci e traz, além de Ovelha Negra, hits como Agora Só falta Você e Esse Tal de Roque Enrow.

7 – Xilindró.

Em 1976, Rita Lee conheceu Roberto de Carvalho. Os dois se apaixonaram perdidamente e logo já estavam morando juntos e Rita engravidou. Com o sucesso avassalador, depois da libertária música Ovelha Negra, Rita Lee se tornou um alvo para a ditadura militar que vigorava no Brasil. Logo após Rita declarar na imprensa que tinha parado de usar drogas e beber por conta da gravidez, os militares fizeram uma batida na casa da cantora e a levaram presa, após encontrar porções de maconha, haxixe e LSD. Claramente, o que fora apreendido eram restos de drogas consumidas por amigos que frequentavam a casa de Rita. Mesmo assim, ela foi condenada e ficou um ano presa. A única artista a visitar Rita na prisão, e defende-la vigorosamente na imprensa, foi Elis Regina, de quem Rita se tornaria amiga desde então.

8 – Lança Perfume.

Quando Rita foi libertada, logo engatou numa tour frenética ao lado de Gilberto Gil. Enquanto isso, se transformava musicalmente, absorvendo elementos da MPB  e da música pop. Em 1979 Rita e Roberto de Carvalho engatam uma prolífica parceria musical e lançam o disco Rita Lee, que traz clássicos como Mania de Você e Doce Vampiro. Mas é na virada da década, em 1980, que a dupla realmente se consagra. Mais um disco intitulado simplesmente Rita Lee. Mas dessa vez com sucessos radiofônicos instantâneos como Baila Comigo, Nel Luxo Nem Lixo, Ôrra Meu, Bem me Quer e, principalmente, a faixa Lança Perfume. Esse disco chegou a fazer sucesso nas rádios da França e Itália. Foi quando o jovem príncipe Charles, filho mais velho da rainha da Inglaterra, declarou à imprensa que que sua cantora favorita naquele momento era a brasileira Rita Lee.

9 – Like a rolling stone.

Em 1995, os Rolling Stones vieram ao Brasil para tocar em São Paulo e Rio de Janeiro, parte da tour Voodoo Lounge. Estava tudo certo. Os Stones teriam duas atrações de abertura: Os norte americanos Spin Doctors e os brasileiros Barão Vermelho. Tudo no contrato, tudo certinho. Porém, quando chegou até os integrantes dos Stones os nomes das atrações de abertura, Mick Jagger escreveu um bilhete, de próprio punho, e enviou por fax para os promoters brasileiros fazendo uma exigência: Ele fazia questão que a Rita Lee tocasse também. Assim, ela foi incluída como terceira atração. No show de São Paulo, ela acabou nem tocando, por conta da chuva torrencial que desabou. Mas no Rio, sabe-se lá porque inverteram a ordem das apresentações. Era pra ser Barão Vermelho, Rita Lee e Spin Doctors. Ma na hora, os Spin Doctors entraram depois do Barão Vermelho, e a Rita Lee tocou diretamente antes dos Stones e fez um show memorável! Ela relembra em sua autobiografia, que o próprio Jagger liberou o corredor de acesso ao palco para ela subir e tocar. Zerou a vida, né…

10 – Recordes.

 Rita Lee é uma mulher de superlativos. Porque ela extrapolou todos os recordes da indústria fonográfica no Brasil. Ela é a mulher que mais vendeu discos na história da música brasileira e é a artista brasileira que mais emplacou hits nas trilhas de abertura de novelas. Rebelde e questionadora, também é a mulher que mais teve músicas censuradas durante a ditadura militar. Em 1980 Lança Perfume ficou em primeiro lugar na França e chegou a entrar no top 100 da Billboard nos Estados Unidos, rendendo versões em vários idiomas, inclusive uma versão pitoresca em hebraico. Em 2016 escreveu sua autobiografia, o livro se tornou um best seller instantâneo, vendendo mais de 200 mil exemplares, um fenômeno de vendas num país que lê tão pouco. Em 2017, seu livro foi indicado para o Prêmio Jabuti, o Oscar brasileiro da literatura.

Que mulher é a Rita Lee! Um dos grandes exemplos de mulher livre, de talento e dona de seu próprio destino! Entre Anita Garibaldi, Fernanda Montenegro, Carmem Miranda e muitas outras, Rita Lee é uma mulher brasileira que nos enche de orgulho e inspira a Strip Me prestar cada vez mais homenagens como essa e a transmitir, através das nossas camisetas, a arte a liberdade, a diversidade e o amor, nas camisetas de música, arte, cinema e cultura pop. Na nossa loja você confere tudo isso e fica por dentro dos lançamentos, que pintam toda semana. Assim como a Rita Lee, a Strip Me é puro barulho, diversão e arte!

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist com o que há de melhor na obra da Rita Lee, é claro. Rita Lee Top 10 tracks.

Para ler: Recomendadíssimo o livro da própria Rita, Rita Lee Uma Autobiografia, lançado em 2016 pela Editora Globo. Um livro divertido e muito bem humorado, onde a cantora narra em detalhes sua vida e obra!

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