Caetano Veloso

Caetano Veloso

O Caetano Veloso é um dos artistas mais surpreendentes do cenário musical brasileiro. Não é exagero, é fato. Porque a verdade é que poucas pessoas conhecem a obra e a vida do Caetano com profundidade suficiente. De maneira geral, as pessoas conhecem fragmentos dele. E são muitos fragmentos! Há quem o conheça por suas canções mais famosas, como Sampa, Leãozinho, Você é Linda e etc. Uma turma mais descolada, conhece o Caetano tropicalista e vanguardista dos discos Transa e Araçá Azul. A turma menos ligada em música e mais conservadora, conhece ele por seu polêmico casamento e seu posicionamento político. E a turma mais nova, que já nasceu com a internet na ponta dos dedos, talvez não conheça nada de sua vida e obra, mas o conhece pelo já clássico meme “Você é burro, cara.”. Sem falar que é um artista tão emblemático que seu nome já virou verbo, desde muito criança tinha um gosto musical inusitado, ajudou a conceber e divulgar o axé music e o carnaval dos trios elétricos de Salvador, já fez um disco à partir de uma improvável inspiração numa barulhenta banda alternativa norte americana… olha, é tanta história!

Caetano Veloso (1967)

Caetano Emanuel Vianna Teles Veloso nasceu em Santo Amaro da Purificação, interior do estado da Bahia, no dia 07 de agosto de 1942. Filho de José Veloso e Dona Canô. foi o quinto dos sete filhos do casal.  Quando Caetano tinha 4 anos, sua mãe deu a luz a uma menina. Os pais então pediram para que cada um dos 5 irmãos da recém nascida escolhesse um nome, que seria, cada nome, escrito num papel e depois sorteado igual amigo secreto. Na época, Caetano, mesmo muito novinho, já escutava muito rádio e adorava os boleros sofridos que faziam sucesso na voz de Nelson Gonçalves. Uma desses boleros era a canção chamada Maria Bethânia. O garoto adorava a música e escolheu aquele nome para sua irmã. Acabou que foi este o nome sorteado pelo pai. Maria Bethânia acabou se ligando a música e se tornou uma das cantoras mais respeitadas do país no futuro.

Transa (1972)

Caetano Veloso cresceu ouvindo Nelson Gonçalves, Luis Gonzaga e Orlando Silva. Aos dez anos já fazia aulas de piano e começou a alimentar a ideia de viver de música. Com 16 anos foi um dos tantos jovens impactados pelo revolucionário disco Chega de Saudade, de João Gilberto. Em 1965 conheceu Gilberto Gil e Gal Costa. Um ano depois passou a participar dos festivais de música com suas composições e se ligar a outros músicos como Tom Zé, Rogério Duprat e Os  Mutantes. Nascia assim o Tropicalismo, movimento bicho grilagem dos trópicos que já foi contado em detalhes aqui. Nessa mesma época, Caetano se encantava com o carnaval de rua de Salvador, com seus blocos que misturavam tradições africanas com instrumentos contemporâneos. Essa música diferente era tocada em carros de som, depois chamados trios elétricos. Dodô e Osmar desenvolveram a guitarra baiana, uma guitarra de tamanho reduzido, uma espécie de cavaquinho de corpo maciço e com captadores, que protagonizavam os grupos. Um dos trios mais famosos era o dos Novos Baianos. Encantado com essa festa toda, Caetano compõe a famosa Atrás do Trio Elétrico, um dos sucessos do seu terceiro disco, lançado em 1969. A toada empolgante e melódica de Atrás do Trio Elétrico iria contagiar jovens como  Luiz Caldas, que iriam tornar o carnaval da Bahia nacionalmente famoso e dar início ao movimento que ficaria conhecido como Axé Music na década seguinte.

O tropicalismo já deixava claro que Caetano tinha em seu dna o rock n’ roll, ainda que não fosse um gênero presente em sua formação musical, mas que foi incorporado com muita naturalidade ao conviver com músicos tão diferentes. Em 1969 Caetano e Gil foram presos e exilados. Acabaram indo para Londres, onde ficaram até 1972. Na capital inglesa Caetano gravou dois discos: Caetano Veloso, lançado em 1971 e Transa, lançado em 1972. Em ambos os discos, se misturam letras cantadas em inglês e português, além de muitas referências  do rock e pop, influências que permaneceriam e dariam as caras ao longo de toda a obra futura do compositor. O disco Transa inicia uma fase que é considerada por muitos a mais inspirada de Caetano, que se estende até 1977. Neste período estão, além de Transa, os discos Araçá Azul, Qualquer Coisa e Jóia.

Bicho (1977)

No fim dos anos 1970 e começo os 1980, Caetano se reinventa, monta uma banda de apoio nova e incorpora sonoridades modernas, do pop e discothèque. Por isso foi muito criticado, mas lançou ótimos trabalhos, sem deixar de lado a brasilidade que faz parte de sua personalidade. Tanto é que é nessa época que foram lançados alguns de seus maiores sucessos, a dançante Odara e a bossanovista Sampa. Nos anos 1990 mais uma virada. A gravadora passou a insistir que ele gravasse um disco com suas músicas vertidas ao espanhol, para alcançar o púbico latino, Caetano se recusa, preferindo gravar um disco dedicado a este público somente com músicas latinas de compositores latinos, canções que ele sempre gostou. É lançado então Fina Estampa em 1994, disco com músicas belamente arranjadas por Jacques Morelenbaum. Uma das canções gravadas nessa fase entrou na trilha sonora do ótimo filme Fale com Ela, do Almodóvar. Em 2009 Caetano dá outra guinada em sua carreira. Passou a tocar com jovens de vinte e poucos anos, amigos de Moreno Veloso, um de seus filhos. Em uma noite, um desses rapazes colocou pra tocar um disco dos Pixies enquanto todos batiam papo na sala. Caetano pirou no disco e quis fazer um disco mais rock n’ roll, lançando naquele ano o esquisito disco Zii & Zie.

Tá vendo, é muita história que esse cara tem. Um baita compositor, sempre se reinventando e influenciando muita gente! Um dos artistas que mais foi influenciado pelo Caetano foi o músico e compositor Djavan, que acabou o homenageando de maneira inusitada, transformando o nome do baiano num verbo. Trata-se da música Sina, um dos maiores sucessos de Djavan, que contém os versos “Virá lapidar o sonho até gerar o som. Como querer caetanear o que há de bom”. Claro, vale dizer que Djavan rivaliza de igual para igual com Jorge Benjor quando se trata de escrever letras de música que não fazem o menor sentido. Mas enfim, não deixa de ser uma homenagem do Djavan ao Caetano. Da mesma maneira, não dá pra negar que Caetano deu algumas bolas fora ao longo de sua trajetória. Afinal, não dá pra aguentar a melosa e breguíssima Sozinho, bem como a interpretação sofrível que ele fez para Come As You Are, do Nirvana, no disco A Foreign Sound, de 2003.

Zii & Zie (2009)

Mas Caetano Veloso é um baita artista, que merece ser reverenciado por tudo que já fez na música brasileira. Com certeza conhecer cada um dos seus fragmentos, suas fases e sua obra por inteiro vai te surpreender mais do que você imagina!

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist cremosa com o que há de melhor de cada fase do Caetano Veloso! Confere lá nossa playlist Caetano Veloso – Top 10 tracks.

Para assistir: A história do envolvimento do Caetano com o carnaval da Bahia e os trios elétricos é muito bem retratado no excelente documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar, lançado em 2016 e dirigido por Chico Kertész. Além da relação de Caetano com o axé, o doc é interessantíssimo e oferece uma perspectiva profunda sobre o tema. Tem na Netflix e eu recomendo demais.

Para ler: Um dos principais cronistas da música popular brasileira entre as décadas de 1960 e 1980 é o jornalista Nelson Motta. Entre tantos livros que ele escreveu, o Noites Tropicais é o meu favorito. Uma coletânea de crônicas e memórias do autor sobre os mais inacreditáveis, engraçados e curiosos acontecimentos do mundo musical. O livro é da editora Ponto de Leitura e foi lançado em 2009. Leitura agradabilíssima e enriquecedora.

Este e outros Carnavais.

Este e outros Carnavais.

O carnaval é parte essencial da identidade do Brasil. Não há como negar. Você pode não gostar de samba, de folia, de multidões pelas ruas… mas ainda que você simplesmente aproveite esses dias de feriado para ir para uma cachoeira no meio do mato, ou ficar em casa lendo livros ou vendo filmes, o carnaval já te influenciou também. Sem falar que o carnaval está aqui desde os tempos do descobrimento e ajuda a contar a história do país! As marchinhas, sambas e sambas enredo são verdadeiras crônicas de sua época. E, em alguns casos, os compositores desses sambas acabaram se tornando grandes ícones, extremamente influentes, da música e cultura popular brasileira.

Carnaval Rio de Janeiro circa 1950 – Photo by Marcel Gautherot

De cara, já vamos falar do ilustre Angenor de Oliveira. Nascido em 1908, o nome escolhido pelo seu Sebastião e dona Aida de Oliveira, pais do bebê, era Agenor. Mas na hora do registro no cartório, acabou saindo Angenor. Mas isso ninguém ficou sabendo. Porque todo mundo chamava ele de Agenor mesmo na infância. Morando no bairro das Laranjeiras, o menino ganhou um cavaquinho aos 8 anos de idade e já saiu pela rua acompanhando os blocos que rolavam por lá. Quando ele já era adolescente e torcedor do Fluminense, a família, com problemas financeiros, se mudou para um favela que começava a se desenvolver no morro da Mangueira. Lá fez amizade com um jovem um pouco mais velho chamado Carlos Cachaça. Para levantar um dinheiro, Angenor começou a trabalhar como ajudante de pedreiro.  Para evitar chegar em casa todo dia com o cabelo sujo e cheio de cimento, ele trabalhava usando um velho chapéu de seu pai, o que lhe rendeu o eterno apelido de Cartola. Com Carlos Cachaça, Cartola não só compôs grandes canções como também fundou a Estação Primeira de Mangueira, escola de samba mais emblemática do país.

Cartola com as premiações da Mangueira em 1969 – Photo by Maureen Bissiliat

Na mesma época em que Cartola escrevia seus primeiros sambas na Mangueira, em outro bairro do Rio de Janeiro, outro jovem se destacava como grande compositor de sua comunidade. No bairro de Vila Isabel, em 1910 dona Marta Rosa teve um parto complicadíssimo, em que se fez necessário o uso do fórceps para salvar as vidas da mãe e do bebê. Como se não bastasse, o rebento ainda nasceu com hipoplasia, uma má formação da mandíbula. O que fez com que ele crescesse com uma fisionomia muito particular. Por nascer em dezembro, perto do Natal, o nome escolhido pela dona Marta e seu Manuel Rosa foi Noel. A família Rosa não era rica, mas tinha uma vida confortável. Noel estudou no famosos Colégio de São Bento, mas apesar de demonstrar ser muito inteligente, era avesso aos estudos, que trocou facilmente pela música e a vida boêmia. Seu primeiro sucesso veio em 1930, o clássico Com que Roupa Eu Vou? Seus sambas passaram a ser gravados pelos maiores nomes do rádio e embalavam os blocos de carnaval de todo o Rio de Janeiro e, posteriormente, do Brasil. Mas para Noel Rosa a festa durou pouco. Dado aos excessos, morreu de tuberculose aos 26 anos de idade.

Noel Rosa em ensaio fotográfico de 1934 – Photo by Arquivo Nirez

Aliás, é importante dizer que esse lance de escola de samba é coisa nova, do começo do século XX. Porque o negócio antes era só bloquinho de rua mesmo. E era uma loucura. Você já sabe que o carnaval é uma festa que remonta a tempos antigos, muito antes do cristianismo. Em 520 a.C. já rolava a Saceia, na Babilônia, uma festa em que por 5 dias os principais criminosos condenados a morte eram considerados reis e tinham todos seus desejos atendidos, até que no quinto dia, eles era torturados e mortos. Depois vieram as festas gregas e romanas como a Saturnália, no Egito tinham as festas em homenagem a deusa Isis, deusa da fertilidade… eram todas festas de liberou geral, muito vinho, aglomeração e etc. Até que veio o cristianismo. Por volta do século VII o Papa Gregório Magno instaurou a festa de carnis nevale, do latim se traduz como negação da carne ou proibição. Ou seja, era um dia de preparação, em que se consumia muita carne, para que se ficasse os próximos quarenta dias sem comer nada de origem animal, a famosa quaresma que antecede a páscoa. A turma reclamou que um dia era pouco, o vaticano deu o braço a torcer e viraram três dias, e era uma festa daquelas! E lógico que isso chegou no Brasil junto com os portugueses, que eram um povo muito católico. As primeiras cidades brasileiras foram Salvador, Olinda e Rio de Janeiro, cidades que mantém até hoje a tradição inabalável do carnaval.. Com essa tradição católica, misturou a cultura indígena e africana, em Pernambuco o Maracatu começa a ser desenvolvido, como você já leu aqui… e cá estamos nós hoje.

Carnaval de rua no Rio de Janeiro da década de 1950 – Photo by José Medeiros

Cá estamos nós hoje sem carnaval, aliás, né! Mas tudo bem. Não é a primeira vez que o Brasil fica sem carnaval. Já passamos por isso em 1892 e 1912. Mas isso é outra história. Até porque se é pra falar de história, vamos falar do carnaval de 1919! Esse sim! O carnaval mais triunfante, arrebatador e alucinante de todos os tempos! Foi o carnaval que comemorou o fim da Gripe Espanhola. Depois de um ano e meio de confinamento, sofrimento, morte, falta de remédio, falta de vacina, falta de ação do governo… finalmente a epidemia da Gripe Espanhola estava controlada e todos podiam sair às ruas! A alegria era tanta que os foliões invadiam as casas por onde passavam arrastando os moradores para a rua para pular o carnaval!

Capa da Gazeta de Noticias sobre o carnaval de 1919

O carnaval deste ano, que não existiu, já passou. Falta pouco pra gente poder sair por aí, aglomerar gostoso e fazer folia, cada um do seu jeito. A gente não vê a hora de fazer o nosso carnaval! Seja no bloquinho de rua ou na cachoeira. Diversão e arte, e os melhores rolês, Strip Me vai estar sempre presente.

Vai fundo!

Para ouvir: A gente falou de Cartola e Noel Rosa, mas são muitos os nomes fundamentais no samba e carnaval. Lamartine Babo, Haroldo Lobo, Chiquinha Gonzaga, Martinho da Vila, Adoniran Barbosa… tudo isso você confere na nossa playlist carnavalesca. Top 10 tracks do bom e velho carnaval.

Para assistir: No texto sobre bossa nova, publicado aqui anteriormente, foi citada a peça Orfeu Negro, escrita por Vinícius de Moraes com música de Tom Jobim. Pois em 1999 foi lançado Orfeu, filme de Cacá Diegues que faz uma releitura da obra de Vinícius de Moraes. O filme é ótimo e, entre outras qualidades conta com uma ótima trilha sonora sob o comando de Caetano Veloso. Não é um filme tão fácil de achar, mas vale o esforço.

Para ler: Com certeza um dos melhores livros que li até hoje é a biografia de Adoniran Barbosa, o mestre do samba paulista. Adoniran – Uma Biografia, escrito por Celso de Campos Jr é um livro excelente! Lançado em 2004 pela editora Globo, este livro apresenta não só a história detalhada da vida de Adoniran Barbosa, como entrega um panorama da comunicação no Brasil, o rádio e o surgimento da televisão. Livro recomendadíssimo!

Maracatu Atômico!

Maracatu Atômico!

A intenção deste blog não é ficar dando aula de história, ter um tom professoral, nem nada do gênero. Estamos aqui pra falar de tudo que envolve o universo da Strip Me de maneira agradável, empolgante e divertida. Por isso mesmo, normalmente usamos causos e histórias interessantes envolvendo o tema abordado, que por si só consigam ilustrar e dar um panorama sobre o que está sendo falado. Foi assim que falamos aqui sobre os modernistas e o movimento antropofágico e sobre a bossa nova, por exemplo. Mas o assunto deste texto é tão interessante e tem uma origem tão forte, que vale a pena a gente fazer uma abordagem através da história do Brasil.

Photo by: Yuri Graneiro
Photo by: Ueslei Marcelino
Photo by: Percio Campos

Afinal, qual é a manifestação cultural mais genuinamente brasileira? De pronto muita gente pode dizer que é o samba. Outros podem ir mais fundo e dizer que são as danças e pinturas corporais dos índios. Porém, a essência do Brasil é a mistura. É verdade que essas terras já eram dos índios há muito tempo. Mas não dá pra negar que o Brasil nasceu, de fato, com a chegada dos europeus no século XVI. Sendo Assim, podemos dizer que que a manifestação cultural brasileira mais autêntica é o maracatu! A origem da palavra é tupi: maracá-tu, que significa batida do maracá. Maracá é um chocalho, um instrumento de percussão. Entretanto, o maracatu era praticado essencialmente por negros e mamelucos, escravos. E tinham em sua simbologia, cortesãos, estandartes, reis e rainhas, influência dos europeus. Mais brasileiro impossível, né?

Photo by: Yuri Graneiro
Photo by: Ueslei Marcelino

No século XVII Pernambuco era a maior região produtora de açúcar no país. Ali, os senhores de engenho reprimiam qualquer manifestação cultural ou religiosa dos escravos. Mas havia uma exceção: a coroação do rei e da rainha do Congo. O rei do Congo era uma espécie de líder dos negros da região, tinha contato direto com os senhores de engenho e muitas vezes era quem conseguia conter possíveis revoltas e fugas, por isso, a coroação do rei e da rainha do Congo era uma festividade tolerada. Era um dia de festa onde havia muita música e alegorias, que foram inseridas pelos negros para facilitar a aceitação dos europeus, como estandartes coloridos e personagens interpretando vassalos e cortesãos do rei e da rainha. Também neste evento os negros aproveitavam para fazer seus rituais e orações aos orixás. Essa festa foi a semente do maracatu. Mas ele tomou forma na zona da mata pernambucana, nos quilombos de escravos que fugiam das fazendas. Ali negros se misturavam aos índios, e a festa de coroação do rei do Congo recebia influência das tradições indígenas, como a dança em roda e também uma mistura de ritmos tribais. Com o passar do tempo, tudo isso foi se misturando e criando uma identidade única.

Photo by: Percio Campos
Photo By: João Velozo

No século XVIII o maracatu já era uma tradição enraizada na cultura de todos os escravos de Pernambuco. No século seguinte, com a abolição dos escravos, as festas de maracatu migraram para os terreiros de candomblé e passou a ir para as ruas durante os dias de carnaval, onde a população abraçava o ritmo, as cores e alegorias. Entre os anos 1950 e 1980 o maracatu esteve em baixa. Não foi esquecido, mas ficou restrito a poucos terreiros de Pernambuco, perdendo espaço para o frevo, que também era um ritmo muito apreciado e, para a população em geral, tinha a vantagem de não ter nenhuma ligação religiosa.

Photo by: Yuri Graneiro
Photo by: Marcus Leoni

Na década de 1990 vários artistas e agitadores culturais de Pernambuco começaram a resgatar o maracatu, o desvinculando do candomblé, tornando-o mais atrativo. Na frente deste movimento estava a Mangue Beat, cena musical que resgatava o maracatu usando instrumentos contemporâneas como guitarras e também misturando diferentes estilos musicais. Estamos falando de Mestre Ambrósio, Mundo Livre SA e, é claro, Chico Science & Nação Zumbi. Nunca o Maracatu Atômico de Jorge Mautner fez tanto sentido.

Photo by: Ueslei Marcelino
Photo by: Marcus Leoni

Hoje o maracatu está presente no carnaval pernambucano e segue firme e forte com grupos que, além de serem agremiações carnavalescas, são centros comunitários que ensinam música, teatro e mantém viva a história do estado de Pernambuco. Alguns desses grupos são tradicionalíssimos e estão em atividade desde o século XIX. Além do mais, pode se dizer sem medo de errar que o samba surgiu desses batuques do maracatu que extrapolaram os terreiros de candomblé. O maracatu é a essência da cultura popular brasileira. Uma mistura de influências e raças que resultam numa explosão de cores, ritmos e muita história. Com certeza o maracatu faz parte da nossa identidade, ainda mais se ele vem misturado com uma guitarrinha distorcida e um som de arrebentar  pra todo mundo poder curtir. Afinal, esse é o nosso negócio: Diversão e arte!

Photo by: Percio Campos
Photo by: Marcus Leoni

 Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist cheia de ritmo pra você conhecer, entender e gostar de maracatu. Top 10 tracks maracatu!

Para assistir: Recomendo um documentário simples, mas bem interessante e repleto de imagens incríveis sobre a cena cultural, em especial no período do carnaval, na cidade de Olinda. Olinda – Cidade Cultura tem direção do Marcelo de Paula, foi lançado em 2002 e conta com depoimentos de artistas do naipe de Alceu Valença! Vale a pena ver. Disponível no catálogo da Amazon Prime Video.

Para ler: A editora Cobogó tem uma coleção de livros publicados chamada O Livro do Disco. Até agora são 21 livros, cada um dissecando um disco influente da música pop. Tem de tudo, do Low, do Bowie, ao Clube da Esquina, do Estudando o Samba, do Tom Zé, ao In Utero, do Nirvana. E, claro, está lá O Livro do Disco Da Lama Ao Caos – Chico Science & Nação Zumbi, escrito pela excelente jornalista Lorena Calábria e lançado em 2019. Livro mega recomendado, bem como todos desta coleção.

Bossa Nova!

Bossa Nova!

“Em 1958 o Brasil estava irreconhecivelmente inteligente!”

Foi oque escreveu o crítico e jornalista Roberto Schwarz sobre este período realmente efervescente do país. Em 1955 Juscelino Kubitschek assumiu a presidência e, com seu plano desenvolvimentista, batizado “50 anos em 5”, abriu o comércio estrangeiro, alavancou a economia e construiu a cidade de Brasília em espantosos 3 anos. Em harmonia com essa onda de euforia e esperança política e econômica, o Brasil foi campeão da Copa do Mundo de futebol pela primeira vez em 1958, na Suécia, imortalizando as pernas tortas de Garrincha e mostrando ao mundo um jovem e talentoso jogador de 17 anos chamado Pelé. O Cinema Novo dava seus primeiro passos após o lançamento de Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, e, principalmente, foi lançado em 1958 o compacto de Chega de Saudade, canção de Tom Jobim e Vinicius de Moraes interpretada por João Gilberto.

Crédito da imagem: cbf.com.br

A Bossa Nova não foi um movimento artístico na concepção mais ortodoxa do termo. Ela não foi pensada, arquitetada, teve seus dogmas e características bem definidos. Eram apenas jovens de classe média alta carioca que queriam tocar samba e gostavam de jazz, viviam em apartamentos de frente para o mar e, apesar de gostarem muito de samba, não se identificavam com as letras e interpretações dramáticas de Nelson Gonçalves e Orlando Silva, era muita dor de cotovelo. Essa molecada de Ipanema e Copacabana, no Rio de Janeiro, se reunia pra ouvir Chet Baker e Cole Porter, e também João Donato, Cartola, Dorival Caymmi. Dessa mistura, começaram a surgir as primeiras canções. Mas tudo muito disperso. Cada um tocava de um jeito. A unidade surgiu através da Santíssima Trindade da Bossa Nova: Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto.

Ipanema na década de 1950 – Photo by: José Jonas Almeida
Vinícius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto – Photo by: Paulo Peres

Em 1954 Vinícius de Moraes, poeta já aclamado em todo o país, escreveu a peça de teatro Orfeu da Conceição, adaptação do clássico grego transposto para a realidade dos morros cariocas. Vinícius procurava algum músico para musicar os poemas que faziam parte da peça. Nessa época, Tom Jobim era muito jovem, vinte e poucos anos, tocava em algumas boates e fazia alguns bicos durante o dia pra pagar o aluguel. Havia um bar em Copacabana onde ele sempre parava no fim da tarde pra tomar uma cervejinha antes de ir pra casa. Numa dessas tardes, lá estava Vinícius de Moraes com alguns amigos bebendo e papeando. Um amigo em comum chamou Tom para a mesa e o apresentou ao Vinícius, dizendo que aquele garoto era o cara certo para musicar os poemas de Orfeu da Conceição. Vinícius então passou a explicar toda a ideia da peça, os poemas, como ele queria a música… falou entusiasmado por um tempão. Tom Jobim ouviu calmamente tudo que Vinícius tinha a dizer. Quando acabou, Tom Jobim olhou para o Poetinha e disse: “Tá tudo muito bom, muito bonito. Mas vai rolar um dinheirinho?”. Vinícius olhou bem para a cara do rapaz por alguns segundos em silêncio, para em seguida explodir numa gargalhada. Nascia ali uma amizade e parceria que duraria por toda a vida.

Em 1956 as músicas de Orfeu da Conceição foram lançadas em vinil como trilha sonora da peça. Foi o primeiro disco da parceria Tom e Vinícius, que já trazia um clássico: a música Se Todos Fossem Iguais a Você. A parceria entre Tom Jobim e Vinícius de Moraes não parou mais desde então. Em abril de 1958 aconteciam as gravações do disco Canção do Amor Demais, um álbum inteiro de composições da dupla interpretadas pela Elizete Cardoso, umas das mais renomadas cantoras da época. Este disco é a pedra fundamental da bossa nova. Apesar de Elizete Cardoso ser uma cantora à moda antiga, com voz forte e marcante, além do disco ser inteiro de composições de Tom e Vinícius, um jovem músico baiano recém chegado ao Rio de Janeiro participou da gravação como músico contratado, tocando violão. Era João Gilberto. Uma das músicas do disco era Chega de Saudade. Durante a gravação da música, João Gilberto interrompeu a cantora dizendo: “Olha, não é assim não a música. Você está cantando errado.”. Todo mundo no estúdio congelou com a audácia daquele jovem corrigindo uma das divas do rádio brasileiro. O problema estava no trecho da música que diz: “apertado assim, calado assim, abraços e beijinhos…”. Ela, incomodada, falou: “Estou cantando errado? Então por que você não me ensina como é?”. Elizete estava cantando o trecho de forma corrida, muito reta. João Gilberto então cantou baixinho, enfatizando cada pausa das notas entre as palavras. Um produtor que assistia as gravações, em seguida convidou João Gilberto para gravar um disco, cujo primeiro compacto foi justamente Chega de Saudade, cantada com toda a sua suavidade e beleza. Foi quando toda aquela turma da zona sul do Rio de Janeiro entendeu como tocar samba. Nascia a Bossa Nova.

João Gilberto dizia para seus novos amigos, os jovens cariocas como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Nara Leão e tantos outros, que o problema de tocar samba no violão é que o ritmo do samba tem muitos instrumentos fazendo coisas diferentes. O segredo é escolher um, no caso o tamborim. A batida do violão na bossa nova nada mais é do que o ritmo que o tamborim imprime no samba. Com essa turma toda já escolada e com essa nova formatação musical elaborada pela santíssima trindade: Os acordes de jazz de Tom Jobim, as letras delicadas e ensolaradas de Vinícius de Moraes e o ritmo e jeito de cantar peculiar de João Gilberto, fizeram com que a bossa nova se espalhasse pelo mundo. Em especial os Estados Unidos se renderam ao banquinho e violão de maneira impressionante. O saxofonista de jazz Stan Getz gravou um disco com João Gilberto e até mesmo Frank Sinatra chegou a gravar um disco inteiro em parceria com Tom Jobim, imortalizando The Girl From Ipanema. Para concluir, em 1962 o Carnegie Hall, em NYC, recebeu três shows com os principais nomes da bossa nova, todas as apresentações absolutamente lotadas. Por muitos anos a frente Garota de Ipanema e Wave renderam a Tom Jobim o posto de segundo compositor  mais regravado no mundo, perdendo somente para os Beatles. Certa vez Tom Jobim foi perguntado a respeito disso e respondeu bem humorado: “Vamos lembrar que os Beatles são 4. Eu sou um só.”.

No fim, não importa muito entender os fundamentos da Bossa Nova, quem influenciou quem, quem inventou o quê… o que importa é o rolê, são as histórias divertidas, é a turma reunida chacoalhando o violãozinho. Até porque muita coisa rolou depois. Com o golpe de 1964, teve um racha nessa turma, uma parte achava que tinha que fazer música de protesto e outra parte queria se manter fiel às raízes, cantando que o barquinho vai e a noitinha cai. Depois veio Tropicália e absorveu algumas coisas da bossa nova, depois veio os anos 80, world music, David Byrne, mais pra frente Stereolab, Beck e Sean Lennon encantados com as brasilidades… E já estamos em 2021 e a Bossa Nova ainda está por aí, continua representando a boa música, as amizades e os bons rolês!

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist deliciosa que mistura clássicos da bossa nova dos anos 1960 e seus ecos dos anos 1990 pra frente. Um top 10 tracks cheias de bossa!

Para assistir: Além de figura essencial para a bossa nova, Vinícius de Moraes foi um dos artistas mais completos e geniais do Brasil. Por isso, o documentário Vinicius, do diretor Miguel Faria JR. e lançado em 2005 é fundamental e delicioso de se ver. Só pela rima sobre o Poetinha que Tônia Carrero declama já vale a pena assistir: “Se eu tivesse, se eu tivesse muitos vícios, o meu nome então seria Vinicius. Mas estes vícios fossem muito imorais, então eu seria o Vinicius de Moraes.”. Ah, e tá fácil de ver. Tem na Netflix.

Para ler: Para entender melhor este período histórico tão mágico, o livro Feliz 1958- o Ano que Não Devia Terminar é leitura obrigatória. Escrito pelo escritor e jornalista Joaquim Ferreira dos Santos e lançado em 1998 pela Editora Record, é uma obra que conta a delícia de ser brasileiro naquele final sorridente dos anos 50. O autor entrevistou personagens daquele ano, mergulhou nos arquivos de O Cruzeiro, ouviu fitas da Rádio Nacional e trouxe um perfil do período mais exuberante do país no século XX.

Perfil Collab STM: As curvinhas mágicas de IAANKS

Perfil Collab STM: As curvinhas mágicas de IAANKS

A gente gosta do mundo assim: sem barreiras, sem limites para a arte, com muito bom humor, e onde todo mundo, mas todo mundo mesmo, tenha seu espaço para se expressar. Não por mera coincidência, rola essa identificação tão massa entre a Strip Me e a Iaanks, afinal a gente acredita nas mesmas coisas.

A Iaanks é uma artista que representa com fidelidade o mundo novo. Nascida no Piauí, passou a infância no Maranhão e hoje, morando em Goiás, ela traz dentro de si a cultura nordestina do cordel e suas instigantes xilogravuras, mas carrega também as delícias dos desenhos animados matutinos, de He-Man a O Fantástico Mundo de Bobby. Na juventude, pintaram Laerte, Angeli, Adão Iturrusgarai, Robert Crumb, Hayao Miyazaki… só mestre, né? Além de todas essas referências, ela é formada em Artes Visuais na UFG (Universidade Federal de Goiás) e atualmente é mestranda em Arte e Cultura Visual na mesma universidade.  Ou seja, um encontro entre a brasilidade com a cultura global, a intersecção entre o conhecimento acadêmico e a leveza da simplicidade pop. Enfim, já deu pra sacar o quanto a Iaanks manja do riscado.

Aliás, curioso notar que ela costuma se referir aos seus desenhos como rabiscos, que, no fim das contas não deixam de ser, só que são muito mais. Suas ilustrações de curvinhas acabam definindo um traço único, cheio de personalidade e vida. Segundo ela mesma, são desenhos que falam “sobre situações rotineiras que atravessam medos, angústias e desejos, manifestando crises, conquistas e relatos que vão além do meu olhar.”. Justamente por serem uma interpretação de um olhar tão pessoal, os desenhos da Iaanks são muito originais. Com muito sarcasmo e cores pastéis eles refletem uma mulher consciente, forte e muito criativa.

Importante reforçar isso. Uma mulher. Em especial no cartum, mas nas artes visuais de maneira geral, poucas são as mulheres que tem sua arte devidamente valorizada, em contra partida, são muitas as artistas mulheres que produzem obras de qualidade incansavelmente. A Iaanks citou algumas delas: Tais Koshino, Flávia Brioschi, Júlia Balthazar, Helena Obersteiner, Lara Fuke, Estela May, Fabiane Langona, Fernanda Bornancin, Mariana Corteze e muitas outras. A gente quer um mundo sem barreiras, mas ainda há muitas a serem quebradas.

Mas a gente vai quebrando essas barreiras como dá! De preferência com bom humor, dando aquelas alfinetadas gostosas em quem merece e com muita diversão e arte! Por isso que a collab da Iaanks com a Strip Me segue firme e forte.  Pra finalizar você confere um pouco do nosso bate papo com a Iaanks.

STMAnalógica ou digital? Você desenha direto no computador/tablet ou curte a tinta no papel?

Iaanks – Dos dois modos, não abro mão da experiência de desenhar no papel mas peguei uma birrinha de tinta e lápis de cor então, faço o desenho com lápis e canetinha nanquim, digitalizo em um scanner velho, jogo no Photoshop e faço todo o restante, cor, luz etc. É basicamente esse todo o processo, sigo acumulando pilhas de papel que acabam virando outros trabalhos, mas não ando fazendo as melequinhas bouas com tinta ou lápis de cor.

STMAlém de desenhar e passar nervoso, o que tem feito em casa, durante a pandemia?

Iaanks – Tenho estudado e escrito bastante porque estou chegando na fase final da minha pesquisa de mestrado, inclusive tem sido difícil conciliar o trabalho de pesquisadora com os trabalhos de ilustração, um dos lados sempre acaba sofrendo e minha ansiedade escalando alturas maiores. rs

STM Não precisa nem dizer que sua arte sempre passa uma mensagem, de todo o tipo, aliás. Tem alguma coisa que você queria dizer para as pessoas e ainda não conseguiu traduzir em um desenho?

Iaanks – Pizza com café é uma delícia!

STMQuem ou o quê te inspira e te faz querer desenhar? E quem ou o quê te desanima a pegar na caneta?

Iaanks – Minhas amigas e amigos me inspiram diariamente, sempre que me sinto frustrada em relação a alguma situação complicada ou desanimada em concluir projetos super desgastantes elas/eles estão por perto me arrancando um riso frouxo com os causos mais bestas, esses causos sempre se contorcem em várias ilustrações. Estou em um relacionamento há onze anos e dessa história também saem muitos desenhos, bons, ruins, engraçados, aleatórios do tipo “que merda é essa?” Meu companheiro também é ilustrador então, nossas ideias se cruzam por vezes resultando em muitas ilustrações que as vezes até seguem a mesma linha de pensamento, apesar de muito diferentes. Mas costumo me inspirar mesmo é nas pessoas que observo de longe, pessoas que vejo na rua, nos lugares onde frequento (ou frequentava, pois, pandemia!), nas atitudes rotineiras vistas pela janela do ônibus, durante a aula, no balcão do bar… Sabe aquela pessoa que fica de ouvidão nas conversas do ônibus, sou eu, é eu sei… Pois dessas conversas ouvidas pela metade, saem muitos desenhos. Hehe

O que me desanima de verdade é ver gente que descredita meu trabalho, que divulga minhas artes apagando minha assinatura ou sem citar meu nome, que usa sem autorização para fins que nem de longe se aproximam com o que acredito e defendo.

STM – Os heróis do Cazuza morreram de overdose. E os seus heróis, na vida e na arte, ainda estão por aí? Quem são eles?

Iaanks – São elas! Mulheres que fazem e fomentam arte independente, que estão no corre diário por um espaço onde seu trabalho possa ser protagonista de novas narrativas. Mulheres empreendedoras, cientistas sociais, professoras como minha mãe, nordestina paulera que apesar de todas as condições de insalubridade nos presídios onde deu aula, nunca deixou de lado os desejos que impulsionavam a gastança de canela debaixo de um sol de 40 graus…

STM Diversão e arte além dos teus desenhos, o que você curte?

Iaanks – Gosto muito de patinar, jogar vídeo game, fazer festinha aqui em casa e chamar gente até não caber mais (inclusive, vem logo vacina!), ler quadrinho, ver filme de animação 2D e sair pra conhecer gentes, gosto muito de falar então conhecer gente me dá margem pra exercitar o cunversêro. :p

STMQual a sensação de saber que seus desenhos enchem o peito de muita gente Brasil afora através da Strip Me?

Iaanks – Coração vira uma bolinha de manteiga derretendo no fundo da frigideira quente, bestinha de alegria.

STMManda aquele recadinho fofo de Ano Novo pro pessoal.

Iaanks – 2021 também vai ser uma merda.

É isso. Sendo este o primeiro post do ano, mandamos aquele f*32-se caprichado pra 2020, e que venha 2021! A Strip Me já vai começar o ano cheia de novidades. Fica de olho!

Feliz Ano Novo!

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist caprichada com o que não sai dos ouvidos da Iaanks. Um top 10 tracks escolhidas a dedo por ela!

Para assistir: Na onda de valorizar cada vez mais a arte feita por mulheres, recomendo demais o ótimo filme A Voz Suprema do Blues (título original: Ma Rainey’s Black Bottom). Produção da Netflix, esse filmaço mostra uma sessão de gravação tensa da Ma Rainey, a primeira cantora de blues a ter um contrato numa grande gravadora. A atuação de Viola Davis é absurda e o filme como um todo é sensacional! Tem na Netflix e é recomendadíssimo!

Para ler: Gemma Correll é uma ilustradora britânica muito criativa! Ela já tem vários livros lançados, infelizmente, nem todos saíram aqui no Brasil O que eu recomendo hoje é um dos que não tem versão em português, entretanto, vale a pena demais conferir! É tão crítico quanto engraçado e com ótimos desenhos. O livro se chama The Worrier’s Guide to Life e dá pra comprar o ebook facinho.

Strip Me Clothing: Retrô 2020 & The Highlights Top 10

Strip Me Clothing: Retrô 2020 & The Highlights Top 10

Uma das frases mais célebres do século XX, na real, uma verdadeira profecia, foi dita por Andy Warhol nos idos dos anos 1960: “No futuro todo mundo vai ter seus 15 minutos de fama.”. Na época, Warhol se referia às suas próprias obras, baseadas em ícones passageiros como latas de sopa, garrafas de refrigerante e atrizes de cinema. Mal sabia ele que estaríamos falando dessas mesmas obras e tantas outras até hoje! E a profética afirmação de Warhol se provou cada vez mais verdadeira, com os reality shows e e suas celebridades com curto prazo de validade e youtubers que somem com a mesma rapidez que viralizam algum vídeo. E, por falar em viralizar, 2020 ficou marcado pela pandemia do Corona Vírus. Um bichinho que abusou dos seus 15 minutos de fama e se manteve em cena o ano todo.

Mas cabe a nós sempre resistir! E resistimos! Através da arte,conseguimos inspiração e força para continuar trabalhando, e você que nos apóia e incentiva comprando nossas camisetas é parte essencial nisso. Portanto, a Strip Me Clothing orgulhosamente apresenta a sua retrospectiva, destacando as estampas que mais bombaram no site neste 2020. E se todo dia a vida só começa depois de uma caneca de café goela abaixo, óbvio que a camiseta “Gimme Coffee or Gimme Death” foi um dos destaques do ano. Afinal, haja café pra se manter focado no home office! Mas não foi só pra trampar que ficamos na frente do computador. Reuniões, festinhas e etc aconteceram aos montes de maneira virtual. O que nos remete a mais um dos highlights do ano, a Monalisa Look. Quem não ficou com aquela cara de paisagem fingindo que está prestando a atenção na conversa, mas na real está mexendo no celular por baixo da câmera, né?

Mas não foi fácil ficar esse ano todo dentro de casa sem poder sair, encontrar a turma e fazer aqueles rolês delícia. Nem sair pra comprar alguma besteira, resolver aqueles pepinos de trampo que tem que ser pessoalmente, ou simplesmente ficar de bobeira pela rua a gente não pôde fazer. Todo mundo teve que inventar o que fazer dentro de casa pra espantar o tédio. E tome curso online, fazer pão, plantar suculenta, yoga, TikTok, tocar sax na varanda do apê… Ficamos parados, mas cheios de ideias, aprendendo umas paradas novas. Tudo a ver com a nossa estátua no lugar do prisma, da capa daquele disco do Pink Floyd, mais uma das camisetas mais procuradas no site neste ano.

Outra coisa que, com certeza, todo mundo fez em 2020 tendo que ficar em casa foi assistir mais filmes e séries e ouvir mais música. Todas as plataformas de streaming, tanto de vídeo como de áudio, foram uma dádiva indispensável neste ano. Amantes da música e do rock n’ roll que somos, até fizemos um post aqui elencando os principais documentários musicais encontrados pela internet, com opções do punk ao jazz. Então não é de se estranhar que a camiseta Guitarra Vintage, uma das estampas mais tradicionais da Strip Me de todos os tempos, tenha se tornado um big hit do ano.

E o que seria de nós neste ano desgraçado se não fosse a arte e os nossos amigos? Muita gente fez reuniãozinha no Zoom com a galera pra tomar cerveja, colocar a conversa em dia, reclamar da vida e xingar o Corona. With a little help from my friends, a Strip Me também se manteve firme e forte com seus camaradas. Entre as 10 mais vendidas do ano, 4 são estampas dos nossos estimados collabs! O Baby Yoda do Kaio Mushroom e o Abapulp Fiction do Adão Iturrusgarai são leituras super originais, psicodélicas até, pode-se dizer, de ícones do cinema. Já o Guilherme Hagler arrebentou ao atualizar a clássica obra de Vermeer, Moça com Brinco de Pérola, numa versão selfie moderninha! Pra balancear, a leve e divertida camiseta do bode, da Iaanks, traz a edificante mensagem “Deixa acontecer naturalmente.” #ficaadica

Importante a gente ressaltar aqui como somos gratos e orgulhosos do trampo de todos os nossos collabs!

Enfim, tá tudo muito bom, tá tudo bem, mas realmente precisamos dizer que tá todo mundo de saco cheio desse ano! Não adianta vir com essa conversinha que foi um ano de aprendizado, que veio para nos mostrar a importância de valorizar as pequenas coisas da vida, a liberdade, que foi um ano de resiliência… olha, f*#@-se! Foi um ano de m*@#a! Tá todo mundo cansado disso tudo, a gente quer mais é que tudo passe de uma vez e a gente possa voltar a viver a nossa vida como bem entendemos, sem nos preocupar em pegar essa doença maldita, ou transmiti-la sem querer para alguém.  Lógico que a camiseta Fucking Tired foi um dos maiores hits de 2020! Fucking Tired com selinho azul de verificação e tudo, pra não deixar dúvida que, olha… já deu.

Mas, por fim, fica claro que nem nós e nem vocês queremos fechar o ano de forma amarga e desanimada. Apesar de tudo, a gente tá seguindo o baile, né? A gente faz o que gosta e o que acredita, a gente coloca nas nossas camisetas todos os nossos valores e verdades. E é muito legal perceber pelas vendas que muita gente pensa e sente da mesma maneira. Exemplo disso é a camiseta Colors, uma das nossas estampas mais marcantes. É minimalista, sofisticada e tem a representatividade das cores, evidenciando a diversidade que a gente tanto valoriza! E ela também foi uma das mais vendidas em 2020.

Então é isso. Fechamos 2020 da melhor forma possível. Foi um ano punk pra todo mundo. Agora é respirar fundo, olhar pra frente, aprender com os erros e acertos da vida e encarar 2021 com saúde, esperança, garra e, é claro, muita diversão e arte!

Vai fundo!

Para ouvir: A playlist de hoje faz uma retrospectiva do que de melhor rolou nas playlists de cada post feito ao longo deste ano! Um top 10 tracks Playlists 2020 STM!

Para assistir: Eu sei que não tem nada a ver com o tema do post de hoje, mas não posso deixar de te recomendar uma minissérie documentário que assisti esses dias. Quebra Tudo: A História do Rock na América Latina! É uma produção da Netflix, um documentário dividido em 6 episódios que narra a evolução do rock nos países de origem espanhola na América. Dos anos 1960 até hoje, a gente conhece a história de bandas da Argentina, Uruguai, Chile Peru, Colômbia e México! É muito interessante e tem muita música boa!

Perfil Collab STM: O ESTRANHO MUNO DE KAIO

Perfil Collab STM:                     O ESTRANHO MUNO DE KAIO

Kaio era um menino introvertido, mas muito observador. Como tantas tardes, ele estava em casa lendo uma divertida história em que o Louco saía de dentro da televisão da casa do Cebolinha, quando ouviu seu pai chegar em casa vindo do trabalho. O pai foi até o garoto e entregou a ele um pedaço de papel, dizendo que um amigo do escritório havia feito. Era um desenho simples, mas muito bacana, uma caricatura. Kaio ficou empolgadíssimo e correu para pegar papel e lápis e reproduzir o desenho que acabara de ganhar. Esta cena se repetiria por muitas vezes e o futuro de Kaio começava a ser traçado ali.

Sim, essa é a história de um menino que sempre quis contar histórias, e descobriu no desenho o veículo perfeito para isso. Tudo começou em Itapevi (SP), onde o pequeno Kaio cresceu entre os livros didáticos e infantis cheios de ilustrações convidativas que sua mãe, professora, tinha em casa. Um pouquinho adiante abrem-se as portas do vasto mundo das histórias em quadrinhos. Rodeado de obras de mestres como Mauricio de Sousa, Ziraldo e Quino, Kaio já traçava seus primeiros desenhos. Com o incentivo do amigo do trabalho do pai, isso só cresceu. Até que mais uma onda atingiu esse garoto, virando seu mundo de ponta cabeça, mas aumentando ainda mais seu desejo de desenhar e contar suas histórias. Essa onda foi o cinema.

Além das animações da Pixar, DreamWorks e outras produtoras, foram os filmes do Tim Burton que despertaram o Kaio para um mundo novo, mais inventivo, mais surreal e talvez um pouquinho mais sombrio. Um mundo que viria a fazer toda a diferença no futuro, mesmo tendo ele se distanciado dessas referências no futuro, consumindo muitas outras diferentes ao longo de sua vida. Adolescente, Kaio seguia desenhando, muitas vezes sozinho, algumas vezes com amigos, agora ele já percebia que o norte de sua vida estava em seus traços e entendia que queria ser multimídia, já que o cinema e as animações inundavam cada vez mais seu imaginário. Incluindo aí até as animações malucas do Cartoon Network na TV à cabo.

O jovem Kaio entra na faculdade de Produção Audiovisual e começa uma revolução.  A começar por seu modo de trabalhar. Até então ligado ao analógico: papel, lápis, caneta, tela e tintas, agora se via diante de um computador, produzindo arte de forma digital. Uma mudança muito bem assimilada, diga-se. A faculdade rendeu. Veio o aprendizado com animações, o aperfeiçoamento de novas técnicas e os contatos profissionais. O ano era 2018, e foi quando tudo começou pra valer. Aparece o primeiro trabalho profissional.

O garoto que começou copiando os desenhos do amigo do pai e seus heróis dos quadrinhos e da TV estava agora trabalhando… na TV! Sim! Logo de cara Kaio conseguiu trabalhar fazendo alguns desenhos para a animação Irmão do Jorel (que é um desenho animado divertidíssimo), justamente do canal Cartoon Network. Daí em diante, tudo aconteceu muito rápido. Convites para ilustrar revistas e livros foram pintando, ilustrar e animar clipe musical e por aí vai. O melhor de tudo é que todo mundo vem atrás do traço peculiar do Kaio, seja para a Super Interessante ou para um livro infantil, que foi ilustrado com um delicioso sabor de gratidão, já que foram os livros infantis que despertaram nele o amor pela arte.

O Kaio Mushroom hoje é um artista reconhecido. Apesar da pouca idade, já produziu muito. A história que contamos aqui em poucas linhas não é suficiente para descrever quem ele é de verdade. Um artista emocional, que tira do ambiente em sua volta inspiração para criar e se manifestar, e para se divertir. Para quem diz que o traço dele é único e muito original, ele prefere esclarecer que seu traço é só uma mistura de tantas influências… desde os desenhos do Ziraldo, até a trilha sonora do Ratatouille, passando pela chuva que cai lá fora e pela leve tristeza que passa por dentro. Um artista inquieto que quer contar histórias, inspirar as pessoas e que ama mais que tudo a liberdade.

O encontro do Kaio com a Strip Me parece que seria inevitável. Pois o que chamou a atenção dele na marca e fez com que ele entrasse em contato para uma parceria, foi justamente a diversidade de estampas, o cuidado com a estética e a liberdade que a marca inspira. Atualmente o Kaio integra o seleto hall dos collabs da Strip Me, numa parceria cada vez mais bem entrosada e que não dá sinais de cansaço.

Você acompanha o trampo do Kaio no Instagram dele: @kaiomushroom

Na Strip Me você confere todas as estampas do Kaio clicando aqui.

Vai Fundo!

Para ouvir: Como em todo post, temos uma playlist matadora pra você. Hoje trazemos 10 tracks escolhidas pelo próprio Kaio Mushroom, as favoritas dele! Se liga que tá especial!

Para assistir: Já que o Tim Burton é uma das grandes referências do Kaio, hoje eu recomendo uma das produções mais divertidas de Burton: O Estranho Mundo de Jack (título original: The Nightmare Before Christmas), uma animação lançada em 1993 e que apresenta um bizarro conto de natal e/ou de Halloween. Dá pra assistir de graça completinho no Youtube.

Para ler: Outra referência do Kaio é a Turma da Mônica. Pra ser honesto, eu queria recomendar toda a coleção Graphic MSP, HQs incríveis que fazem interpretações dos personagens do Maurício de Sousa de maneira brilhante. Mas pra sugerir um título só, eu escolho Arvorada, uma história ótima com ilustrações inacreditáveis do super talentoso Orlandeli.

O que há de novo.

O que há de novo.

Desde a Semana da Arte de 1922 até o Tropicalismo, é evidente que o brasileiro entende de se reinventar, misturar, desvirtuar e encantar. A arte brasileira, seja nas artes plásticas, música e outras manifestações, evoluiu muito e continua evoluindo. Assimilando as mudanças de mídia, tecnologia e comportamento, hoje não há como categorizar tudo que é produzido, cunhar um movimento artístico novo, querendo juntar determinados artistas com estética e ideologia semelhantes. A  produção artística nunca foi tão plural e homogênea ao mesmo tempo. O rock flerta com o funk, o pop flerta com o rap, tudo já sendo veiculado com um vídeo que supera em muito o videoclipe. Enquanto isso, você tem exposições artísticas dentro do museu que misturam fotografia, escultura e pintura, são ambientes com vida própria que, vez por outra, saem das galerias e vão para as ruas em intervenções em praças, muros, viadutos, monumentos… não há limites! Tudo mudou.

Nunca vi Adriana Varejão no meu bairro – Renan Aguena (2020)

As regras do mundo mudaram. Aliás, mudaram não, elas não mais se aplicam. E as regras não mais se aplicam porque são regras antigas. É como querer consertar um bug de um software usando uma chave de fenda. Não faz o menor sentido. A última corrente artística de que se tem notícia já cantava essa bola. A Arte Contemporânea, também conhecida como Pós Moderna, já falava que rótulos não importam, que na arte a atitude deve falar mais alto que a estética. A Arte Contemporânea engloba movimentos como a Pop Art e o Minimalismo, que nós já dissecamos aqui alguns posts atrás. É a corrente artística que surge pós Segunda Guerra Mundial e deixa para trás o Modernismo e Surrealismo dos anos 1930. Em pleno 2020 até mesmo o termo Arte Contemporânea soa atrasado. Fodam-se Foram-se os rótulos. Ficou a arte.

Geometrias da Terra – Clara Moreira (2020)

A artista baiana Ventura Profana é um exemplo muito claro dessa transformação. Compositora, artista visual e escritora, ela produz uma arte multimídia que retrata suas experiências de vida, suas crenças e princípios. Inclusive, vale dizer que esta é outra característica dos artistas da atualidade: Vincular sem pudores seus princípios e posicionamentos sociais e políticos a sua arte. A arte não pode ficar em cima do muro. É a atitude antes da estética. Se você disser para a Ventura Profana que a arte dela é radical e polêmica, tenho certeza que ela vai se orgulhar disso. Ainda assim, ela não deixa de ter um senso estético apurado, que passeia entre A Pop Art e o Surrealismo.

Outro exemplo interessantíssimo de inventividade e renovação na arte é o paulistano Yuli Yamagata. Artista visual, ele usa peças de tecido e roupas usadas encontradas em brechós e lojas do gênero para compor suas obras. Passeando entre o cubismo, modernismo e abstrato, sua arte é sempre ligada ao cotidiano, ao ordinário fazendo relações improváveis, como a obra chamada “Gordo Fumante”, por exemplo, que é composta por retalhos de tecidos de lycra, cortados de roupas de academia.

Na música também dá pra sacar que o pessoal não anda ligando muito para rótulos  e limites entre gêneros e vertentes. Na onda de artistas como Projota, que misturam a doçura e a temática leve e doce do pop com as batidas e grooves do rap, a carioca Miranda desponta como um grande nome da nova safra  de artistas que apostam nessa onda.Com letras e melodias inspiradas, ela já chegou ás trilhas sonoras de novelas. Numa pegada mais “papo reto”, pero sem perder la ternura, Drik Barbosa também apresenta um trabalho excelente, com letras fortes e boas melodias. A nova MPB se apresenta com violão, batidas eletrônicas e letras inspiradas que mantém a força no flow.

Tuiuiú – Adriana Coppio (2020)

E é claro que tem muito mais, isso aqui não é nem o começo.  A arte brasileira está em ebulição, ligada em tudo que acontece. Arte e artista, criatura e criador, tudo se funde. A nova arte brasileira é transformada, mas sem esquecer suas raízes. De Tom Zé a Emicida, de Volpi a Eduardo Kobra. É tudo isso que inspira a Strip Me a estar sempre com um catálogo tão completo e incrível de camisetas! Arte, diversidade, bom humor, brasilidade, responsabilidade e diversão.

Safari – Rafael BQueer (2016)

VAI FUNDO!

Para ouvir: Uma playlist com o que há de melhor na música brasileira em 2020. 10 tracks de novas brasilidades.

Para assistir: Se é pra falar coisas novas acontecendo no Brasil, vou indicar a série brasileira produzida pela Netflix que arrenatou fãs em toda parte. Bom Dia, Verônica é uma série policial empolgante que vale demais a pena ver!

Para ler: Vá lá que não é um livro tão novo, mas se tem menos de dez anos tá valendo. Lançado em 2013, o Livro Fim, da atriz e escritora Fernanda Torres é um romance delicioso sobre vida, morte e amizade. Desses livros pra se ler numa tacada só, de tão envolvente.

Surreal!

Surreal!

Vai viver, cara! Pega esses padrões que estão aí e coloca na gaveta no lugar das tuas camisetas! Deixa eles lá guardadinhos e liberta as camisetas. Pensa no que elas podem te dizer. Você tem que se lembrar que nem sempre a lógica ajuda. Muito ajuda quem não atrapalha, aliás. Imagina todo mundo vivendo a vida em paz, mas imagina mesmo! Imagina mais que o John imaginou! Sem regras, sem senso crítico. A realidade é um detalhe.

The Return of Ulysses – Giorgio de Chirico (1968)

Engraçado que o mundo muda tanto, mas tem umas coisas que continuam iguais. A novidade de ontem já está velha, mas segue ativa, alive and kickin’! No começo do século vinte uma turma pirou no Freud e na psicanálise. Era como descobrir um novo mundo, que sempre esteve lá, novidade velha. Subconsciente, instintos, imaginação, sonhos. Um mundo além da realidade, sur real, que em francês significa além do real. Aí pegaram a conversa do Freud, juntaram com aqueles quadros incríveis e maluquíssimos do De Chirico e daquela turma dele de pintores italianos e começaram a ter ideias.

A guerra acabou! War is Over! Olha o John de novo aí. Só que no caso é a Primeira Guerra Mundial. Acabou a guerra. E agora? Tem um pessoal que acha que viver sem conflito é muito chato, monótono. E se não tem conflito do lado de fora, vamos pro lado de dentro. Mas vamos dar nome aos bois, né? André Breton, Alberto Giacometti, Antonin Artaud, Salvador Dalí, Joan Miró, René Magritte, Max Ernst, Luis Buñuel, Paul Éluard, Louis Aragon e Jacques Prévert. Tem de tudo! Escritor, cineasta, pintor, dramaturgo, escultor… os surreais surrealistas!

Cara, essa turma começou a criar, criar, criar, e acabou revolucionando o mundo das artes! Sim, porque começaram a criar atravessando a barreira do real, do padrão, da regra, do senso crítico! O Salvador Dalí chegou a ser expulso da academia de artes que fazia parte, porque subvertia todas as regras e conceitos artísticos vigentes na época. As obras de caras como o Dalí e o Miró fizeram artistas já famosos e considerados geniais repensarem seu jeito de produzir. Pablo Picasso foi um que acabou sendo atingido pelos surrealistas.

Vale dizer que essa turma toda, ainda que de origens diferentes, uns espanhóis, outros franceses… nos anos 1920 estavam todos residindo em Paris, e eram parceiros de arte e de copo, vivam pelo cafés e bares parisienses tomando conhaque e falando sobre sabe-se lá o quê. Nessa época Paris era o centro do mundo. Todo mundo ia pra lá. Inclusive, talvez você se lembre que eu já te contei aqui que a Tarsila do Amaral convivia com essa turma em Paris e foi também influenciada por eles, trazendo pro Brasil uma arte moderna e caótica que teria seu ápice com a publicação do nosso amado Manifesto Antropofágico!

Olha que loucura! Os surrealistas revolucionaram a porra toda, porque, à partir deles, outros artistas se sentiram livres para criar suas próprias paradas inspirados por essa visão de mundo véio sem porteira. Os escritores da geração beat são filhos diretos de Artaud, Aragon e Prévert, escrevendo num ritmo frenético, se preocupando mais com o ritmo do que com a estética e gramática. Nas artes plásticas Eduardo Paolozzi, Laurence Alloway, Reyner Banham, Smithson e Richard Hamilton pegaram  a estética surrealista  e a iconoclastia da indústria cultural para criar a Pop Art! Dá até pra gente ir longe e dizer que a concepção de uma arte sem limites e cheia de ruídos possa ter influenciado indiretamente o rock de vanguarda de bandas como Sonic Youth, Devo e Jesus & Mary Chain. Essa parte das bandas pode ser viagem minha, certamente é viagem minha, convenhamos. Mas meio que faz sentido, e já que estamos sendo surrealistas aqui, vou manter no texto.

Pois então…
Vai viver, cara! Pega esses padrões que estão aí e coloca na gaveta, no lugar das tuas camisetas! Deixe que as tuas camisetas falem com você! A Strip Me te ajuda nessa libertação! Da VHS ao meme, do jazz ao punk, do Michelangelo ao grafite! Vai viver, cara!

Vai fundo!

Para ouvir: Uma playlist cheia de som doido! Hoje é surrealismo! O gerente ficou maluco! Top 10 tracks sem pé nem cabeça.

Para assistir: Esse rolê toda da Paris da década de 1920, você confere no divertidíssimo filme Meia Noite em Paris (original: Midnight in Paris), do Woody Allen e lançado em 2011. Vale a pena demais assistir. Além de rolar a treta de viagem no tempo e tal, aparecem vários dos artistas citados aqui neste texto. E tá facinho de ver. Tem no catálogo da Amazon Prime Video.

Para ler: Cara, se você gosta de ler e quer pirar lendo uma parada nova, com uma linguagem totalmente diferente, dificilmente você vai encontrar algo mais impressionante do que os livros do Guimarães Rosa. Recomendo deste mestre o ótimo Tutameia  – Terceiras Estórias, lançado em 1967. É um livro de contos curtos e fantásticos!

Diversão & Arte!

Diversão & Arte!

Já diz a canção: a gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte! A gente quer mais! A gente quer ser quem a gente é, e pronto! A gente quer representar e se sentir representado! E é tão bom quando encontramos alguém que combine com a gente, que dá match! E não estou falando só de relações amorosas não. Falo também de quando você encontra uma marca, um produto, que você gosta e que tudo nessa empresa condiz com o que você acredita e gosta. É como as aproximadamente 400 estampas que já passaram pelo site da Strip Me, tão diversas, mas que encontram um lugar comum, se combinam. Diversão e arte!

Identificação é quando de longe você já reconhece alguma coisa, porque você já está familiarizado, gosta… tem a ver com você. Não precisa ser um especialista em artes pra saber o que é belo. Assim como em tudo na vida, um pouco de ousadia faz muito bem! O clássico é clássico, mas não é imutável! Lembra do Warhol? Então. O toque de Deus, obra máxima de Michelangelo, se tornar um ícone moderno é prova disso. Nada mais justo, afinal, assim como hoje, Deus criou a vida simplesmente usando ativação digital.

E a arte está aí pra todos os gostos, para expressar diversos sentimentos. A complexidade de uma obra de arte é imensa. São muitos detalhes a serem apreciados e interpretados. É por isso que os museus são lugares silenciosos e agradáveis. É para que você fique ali o tempo que achar necessário apreciando cada detalhe da obra. Mas no dia a dia, a gente vai direto ao que importa. É a perfeição dos traços, a leveza e a beleza cândida da face da Vênus de Botticelli, é a expressão de pavor que grita nas cores fortes e pinceladas nervosas de Munch, que mais nos chama a atenção e resultam em obras icônicas, diretas e incríveis estampas de camiseta!

Diversão e arte! Aliás, diversão é arte. Tá aí o cinema que não me deixa mentir. Quentin Tarantino evidencia isso de muitas maneiras. Seus filmes são repletos de ícones , referências, citações… não só relacionadas ao cinema, mas também histórias em quadrinho, arte, música. Pulp Fiction, a obra mais marcante de Tarantino, tem o poder da iconoclastia que tanto nos encanta! Um frame consegue nos remeter ao filme, à cena específica, e nos faz querer saber que gosto tem um milkshake que custa 5 dólares. Uma obra tão icônica que consegue manter sua personalidade forte, ainda que inserido no contexto tropical e positivista de uma das maiores obras de arte brasileira: o Abaporu.

Por falar em diversão, dá uma olhada no teu círculo de amizades. Pessoas bem diferentes, né? Desde a cor do cabelo até o tipo de personalidade, todo mundo é diferente, tem características próprias, é único. Mas sempre tem um ou mais pontos em comum que conectam todo mundo. A diversidade faz parte da diversão em todos os aspectos, seja no rolê, ou no trabalho, ou conversando naquela padoca ou cafeteria que é o ponto de encontro da turma. Afinal, assim como em Friends, o café une muita gente! Muita gente diferente. Tão universal quanto falar inglês, é carregar o amor e as cores da diversidade estampados no peito.

É muito legal se sentir representado. A identificação que rola entre tanta gente com a série Friends é um exemplo disso. Pessoas comuns, cheias de problema, convivendo e levando a vida. Mas mais legal ainda é quando você mesmo representa. Parece papo egoísta, mas não é. Sua vida depende muito do quanto você assume suas broncas, leva adiante suas crenças, trabalha, se diverte… tudo depende da sua própria perspectiva! O punk rock cunhou a melhor frase de efeito do século: Do it Yourself! Uma pena que o tiro saiu pela culatra e o punk virou um negócio meio esquisito… mas isso é outro papo. Assuma suas broncas, cara! Sua perspectiva! Do Epic Shit, but do it yourself!

No gancho do punk rock, voltamos ao início. Diversão e arte. Não há nada que consiga condensar arte e diversão em um elemento só como a música, em especial o rock n’ roll. Foram os Beatles quem primeiro conseguiu elevar o rock ao status de arte. Mas Jimi Hendrix foi adiante. Além de uma imagem carismática, instigante, sedutora, o cara produzia uma música genial e ao mesmo tempo divertida, cheia de energia. Barulhos, ruídos, melodias incríveis! O olhar displicente de Hendrix envolto pela fumaça de seu cigarro é a tradução mais fiel do que nós somos e queremos. Diversão e arte!

Neste post reunimos as 10 camisetas da Strip Me mais vendidas, mais curtidas, mais elogiadas e que provavelmente você já esbarrou em alguma delas por aí. Foi uma maneira que encontramos de expor, com palavras e imagens, um pouco da alma da Strip Me. Personalidade, qualidade, atitude, responsabilidade, diversidade, diversão e arte. Mas o que está aqui é só a ponta do iceberg. No site você confere todas as nossas estampas clássicas e também fica por dentro das estampas novas, que pintam por lá frequentemente! www.stripme.com.br

VAI FUNDO!

Para ouvir: Esta playlist traz uma canção para cada uma das estampas apresentadas neste post. Top 10 tracks das top 10 camisetas!

Para assistir: Recomendo a tão comentada e aguardada cinebiografia de Jimi Hendrix. O filme Jimi: All is by My Side, lançado em 2013 e dirigido pelo John Ridley não é um filme incrível, tem algumas falhas, é verdade. Mas ainda assim é muito divertido e conta boa parte da história do Hendrix, em especial a transição dos Estados Unidos para a Inglaterra. Vale a pena ver. Tem pra alugar no Youtube.

Para ler: Inspirado na Vênus de Botticelli, recomendo um livro de contos inacreditável do mestre Rubem Fonseca: Secreções, Excreções e Desatinos. Apesar do título pouco convidativo, este livro, lançado em 2001 pela editora Companhia das Letras, traz contos maravilhosos, deliciosos de se ler. Caso você esteja se perguntando o que tem a ver, a Vênus de Botticelli está na capa do livro e é citada em um dos contos.

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